sábado, 20 de julho de 2013

MIDIA E SOCIEDADE: A NEGAÇÃO DO BRASIL

Mídia e Sociedade: A negação do Brasil – análise televisiva

Atualizado em 07/04/2011 às 00:12


Por Leonardo Campos*

A negação do Brasil – análise televisiva

Assistir novelas globais de forma distanciada tornou-se um dos maiores trunfos em minha carreira acadêmica ainda em fase de germinação. Todo aquele conteúdo repleto de um discurso preconceituoso e ácido contido na historiografia das novelas globais agora pode ser visto de forma crítica, tornando-me uma pessoa distante do processo de hipnose da sedutora cultura da mídia.
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O assunto deste artigo é o documentário A negação do Brasil, de Joel Zito de Araújo, cineasta e pesquisador mineiro, da cidade de Nanuque. O documentário é uma viagem na história da telenovela no Brasil e particularmente uma análise do papel nelas atribuído aos atores negros, que sempre representam personagens mais estereotipados e negativos. Baseado em suas memórias e em fortes evidências de pesquisas, o diretor aponta as influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos afro-brasileiros e faz um manifesto pela incorporação positiva do negro nas imagens televisivas do país.



Estejam atentos para os depoimentos de Milton Gonçalves e Zezé Mota, os mais marcantes do documentário.


Cineasta Joel Zito de Araujo
Joel Zito de Araújo é doutor em Ciências da comunicação pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo – ECA/USP e pós-doutorado no departamento de rádio, TV e cinema e no departamento de antropologia da University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos. Nascido em 1954, dirigiu documentários de curta e média-metragem tematizando o negro na sociedade brasileira, dentre os quais destacam-se São Paulo abraça Mandela (1991), Retrato em preto e branco (1993), Ondas brancas nas pupilas pretas (1995) e A exceção e a regra (1997). Em 1999, finalizou seu primeiro longa, o documentário O efêmero estado, União de Jeová, sobre Udelino de Matos, um homem que, nos anos 1950, tentou formar um estado camponês com a população de maioria negra no norte do Espírito Santo. Dois anos depois, lançou A negação do Brasil, sobre a trajetória do personagem negro nas novelas brasileiras, com impressionante trabalho de pesquisa que deu origem a um livro homônimo. Foi escolhido melhor filme brasileiro do É Tudo Verdade daquele ano, tendo sido também selecionado para vários festivais pelo mundo, entre eles o Festival de Cinema Latino de Madri e o Festival de Documentários do Porto. Em 2004, finalizou seu primeiro longa-metragem de ficção, Filhas do vento, que ganhou oito prêmio no Festival de Gramado, entre eles: melhor filme segundo a crítica, melhor diretor, ator e atriz. Na Mostra de Cinema de Tiradentes, foi escolhido como melhor filme pelo público e participou ainda de festivais na Índia, na França, na África do Sul e em Camarões. Em 2009, lançou o documentário Cinderelas, lobos e um príncipe encantado.

Retratos da negação do Brasil


Cena da novela " Direito de nascer"
O documentário inicia depondo sobre a novela Direito de nascer, exibida em 1964. Na sociedade moralista de Havana, capital de Cuba, no início do século XX, a jovem Maria Helena engravida do noivo Alfredo e, diante da recusa do rapaz em assumir o filho, torna-se mãe solteira. A criança será alvo do ódio do avô, o poderoso Dom Rafael. Após o nascimento, temendo as represálias do velho, a criada negra Dolores foge com o bebê, que batiza como Alberto. Depois disso, desgostosa, Maria Helena se recolhe a um convento, e passa a atender por Sóror Helena da Caridade.

Na trama, temos a presença da atriz negra interpretando o velho estereótipo da mãe negra, oriunda da literatura. Basta lembrar de alguns personagens do romance regionalista e José Lins do Rego.

Durante os depoimentos sobre a novela Direito de nascer, o diretor aproveita para comentar um pouco da história da televisao brasileira. Entrar neste mérito requer uma análise mais profunda aqui. Iremos nos ater apenas em um breve resumo disso tudo.

A televisão no Brasil começou em 18 de setembro de 1950, trazida por Assis Chateaubriand que fundou o primeiro canal de televisão no país, a TV Tupi. Desde então a televisão cresceu no país e hoje representa um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira.


Cena de "Beto Rockfeller"
Segundo depoimentos de Joel Zito, havia a necessidade de branqueamento dos atores negros e escurecimento dos atores brancos, algo que pode ser visto no excelente A hora do show, de Spike Lee. No filme, Pierre Delacroix (Damon Wayans), um escritor de séries de TV que não aguenta mais a tirania de seu chefe. Sendo o único empregado negro da companhia, Delacroix resolve propôr a idéia mais absurda que conseguira imaginar, um programa de TV estrelado por dois mendigos negros que denunciariam o estereótipo e o preconceito do negro na televisão americana, exatamente no intuito de ser demitido. Mas a surpresa que o programa em questão não apenas se torna realidade como passa a ser um grande sucesso entre o público americano.

Outra novela analisada com bastante afinco foi Beto Rockfeller, que trazia o dramaturgo Plínio Marcos em um dos papéis de destaque. Na novela, temos Beto Rockfeller, um charmoso representante da classe média-baixa que morava com os pais e a irmã no bairro de Pinheiros, em São Paulo, trabalhava como vendedor de sapatos e tinha uma namorada, Cida, no subúrbio. Fazendo-se passar por milionário, consegue penetrar na alta sociedade, namora uma moça rica (Lu) e se apaixona por outra moça (Renata), grã-fina decadente, que conhece sua real situação. Para se safar das confusões, conta com a ajuda dos amigos fiéis, Vitório e Saldanha.


Personagem clássica do estereótipo da mãe negra em "E o vento levou..."
Joel Zito deixa claro a avassaladora relação que a televisão vai estabelecer com a sociedade e consequentemente, a desvalorização do cinema, uma arte até então cultuada com muito afinco. O estereótipo e o preconceito que já tinham muita força nos suportes literários e cinematográfico agora ganhava um novo e eficiente aliado: o discurso televisivo.

Outra novela que trouxe muita controvertimento na mídia foi Xica da Silva. A novela foi produzida pela extinta Rede Manchete e escrita por Walcyr Carrasco (sob o pseudônimo Adamo Angel) e dirigida por Walter Avancini. Uma reprise da telenovela foi exibida no canal SBT, a partir do dia 28 de março de 2005 à 9 de dezembro de 2005.

A novela causou muita polêmica na época por exibir Taís Araujo seminua com apenas 17 anos. A vara da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro notificou publicamente a Manchete além de protestos de setores da sociedade pedindo para retirada da novela do ar.

A mensagem critica de Joel Zito de Araujo é clara e incisiva: mesmo que tentem mostrar um paraíso racial, as novelas tendem a cair na contradição. Novelas como Pecado Capital, Gaivotas, Pátria Minha, Anjo Mau, Por Amor, Irmãos Coragem e tantas outras citadas pelo diretor são provas vivas deste discurso do preconceito no Brasil e no mundo.

                                           
Acervo e conquistas afros (DIARIO DE PERNAMBUCO - VIVER)

Recife, sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 Relançada neste ano, a Agenda AfroBrasileira traz a historiografia negra no mundo e agrega obras de artistas africanos Apesar de vigorar há cerca de 10 anos, a Lei Federal 10.639/03 - que determina que os estabelecimentos de ensino fundamental e médio incluam em sua grade o ensino de história e cultura afrobrasileiras - não está sendo explorada em toda sua potencialidade. Pouco se teve notícia, até o momento, de livros ou novos produtos que valorizassem a cultura negra no Brasil e a contribuição deste povo nas áreas social, política e econômica. Entretanto, iniciativas como a do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (Neafro) da Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) reativam o debate sobre a necessidade de propor conteúdos culturais e pedagógicos sobre o papel do negro na sociedade. Para tanto, o grupo relança a Agenda AfroBrasileira, com distribuição em todo país. Ela reúne os principais acontecimentos do calendário africano, afrobrasileiro e afrodiaspórico e traz obras de artistas contemporâneos. “A iniciativa foi movida pela ideia que tínhamos de que a consciência histórica, intimamente ligada à memória, teria um papel de extrema importância na libertação e na elaboração mental do povo negro. A valorização das fontes passou a fazer parte da nossa militância acadêmica na luta contra a colonização racista dos campos da memória”, explica Acácio Almeida, idealizador do projeto. “Desde 1994, data da primeira agenda, tornou-se referência tanto no meio acadêmico quanto para a militância, uma vez que sistematiza a pesquisa, a organização e a divulgação de fatos. Na edição 2012, renová-la foi colocá-la no contexto atual de conquistas, como a criação da Fundação Palmares”, complementa a pesquisadora Ana Helena Passos. Assim, referencia momentos cruciais para a compreensão histórica como o fatídico 11 de junho, quando Nelson Mandela foi condenado à prisão perpétua (em 1964). A agenda traz ainda 12 peças de artistas consagrados - como a obra Not abaut orange, de Ghada Amer (que ilustra a capa) e fotografias como a de Seydou Keita, do acervo da Fundação Sindika Dokolo. As imagens fazem parte do projeto Transit_BR, com curadoria de Daniel Rangel (Salvador /BA) e Fernando Alvim (Angola). Trata-se de uma das mais importantes coleções de arte africana contemporânea do mundo, que deve rodar o país em exposições itinerantes com diferentes recortes do acervo, associadas com palestras e publicações nas principais cidades brasileiras. A abertura será em março, em Salvador, e passará por outras capitais como Brasília, Curitiba, Recife e São Paulo.

“O projeto Transit_BR consiste na circulação, entre Angola e Brasil, de uma das mais importantes coleções de arte africana contemporânea do mundo, pertencente à Fundação Sindika Dokolo de Angola.”A ideia central é de realizar exposições itinerantes com diferentes recortes do acervo, associadas com palestras, publicações e outros eventos culturais e artísticos relacionados com a mostra, nas principais cidades brasileiras, com o intuito de promover a difusão e o acesso da sociedade brasileira e não só, ao pensamento filosófico e à estética da arte africana contemporânea.

“Apesar disso, é importante afirmar que no Brasil ainda existe uma enorme lacuna sobre a África, particularmente sobre a produção artística africana atual. (…) O Transit é mais uma contribuição no intuito de modificar o quadro de desinformação a respeito das artes visuais africanas na contemporaneidade. O recorte Transit_agenda afro-brasileira foi pensado com o objetivo de fazer um panorama dos principais artistas africanos da coleção Sindika Dokolo, entre jovens e consagrados, de diferentes países e técnicas, permitindo uma introdução a uma nova leitura estética e conceitual a respeito da produção africana atual.

A África é o maior produtor de cinema do mundo



Se você acha que o maior número de filmes produzidos no planeta vêm de Hollywood está desinformado faz tempo. Eles só produzem uns 600 filmes por ano. Se respondeu na lata, Bollywood, a indústria do cinema indiano (achando que tá por dentro), também errou. Lá são produzidos cerca de 900. Então quem é o maior [...]


Para complementar este artigo, a nova versão da Agenda que promove a história e a memória da África, da diáspora africana e da população negra no Brasil, que você pode comprar em ecife
Recife/PE
Avesso: Av. Rui Barbosa, 806 – Graças - Tel: 81.3301.7692
Chá com Chita: Av. 17 de Agosto, 2133 – Casa Forte - Tel: 81.3267.6662
Doce de Ler: Shopping ETC - Av. Rosa e Silva, 1460 - Loja 7 – Aflitos - Tel: 81.3241.6871


24 de Nov. de 1861


Nasce Cruz e Souza
Filho de negros alforriados, o poeta João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje cidade de Florianópolis, capital de Santa Catarina. Foi educado como filho de criação por Dona Clarinda Fagundes Xavier de Sousa e teve acesso à estudos de línguas como também de matemática e Ciências Naturais o que não impediu que fosse vítima de atos discriminatórios em diversos momentos de sua vida, por ser negro. Num desses atos, foi recusado como promotor público da cidade de Laguna. Foi diretor do jornal abolicionista Tribuna Popular e sua obra marca o início do simbolismo no Brasil. Morreu no dia 19 de março de 1898, aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose e da pobreza.



20 de Nov. de 1695

Morre Zumbi
Zumbi nasceu na cidade de União dos Palmares, Alagoas, em 1655. Após luta e resistência como líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi foi morto pelo capitão Furtado de Mendonça e sua cabeça levada para o governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro. Sua morte ganhou um novo significado na década de 60, pela militância social negra, e tornou-se símbolo da resistência, sendo o 20 de novembro adotado como Dia da Consciência Negra. Desde então, algumas cidades brasileira passaram a comemorar a data com feriado local, mas só em 10 de novembro de 2011, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra passou a fazer parte do calendário oficial do Brasil. Este feito é resultado das lutas da sociedade civil, especificamente dos movimentos sociais negros.

Imagem: óleo de Antônio Parreiras (1860-1937), intitulado “Zumbi” (detalhe do quadro), que faz parte do acervo do Museu AfroBrasil, em São Paulo

16 de Nov. de 1978

Morre Candeia
O sambista Antonio Candeia Filho, conhecido como Candeia, tem sua obra marcada por um rico repertório que trata de liberdade, saudades, orgulho negro, vida e morte. Fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo, Candeia iniciou sua carreira cantando e compondo para a Portela e tem seu nome consagrado no panteão da escola de samba. Veja um trecho do documentário “Partido Alto”, de 1982, dirigido por Leon Hirszman, em homenagem a esse compositor, sambista e defensor da cultura afrobrasileira.

Imagem: foto de Candeia, do Portal Brasil, site do Governo Federal


13 de Nov. de 1981

Morre Mestre Pastinha
Um dos maiores mestres de capoeira do Brasil nasceu em Salvador, Bahia, no dia 5 de abril de 1889. Batizado com o nome de Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, foi adepto da Capoeira de Angola e seu maior divulgador, promovendo-a como uma arte e não uma luta, inclusive no exterior. Na música “Triste Bahia”, de Caetano Veloso, a letra faz uma homenagem ao Mestre Pastinha que “foi à África / Pra mostrar capoeira do Brasil”. Em 1968, publicou o livro “Capoeira Angola” (baixe aqui), com prefácio de Jorge Amado e capa ilustrada por Carybé. Veja aqui o trailer do filme sobre a sua história, dirigido por Antonio Carlos Muricy, e aqui as cenas de um documentário de 1950, dirigido pelo folclorista Alceu Maynard, com Mestre Pastinha e seus alunos no CECA (Centro Esportivo de Capoeira Angola), fundado por ele, em 1941, em Salvador.



11 de Nov. de 1975

Independência de Angola
Depois de 14 anos de luta armada contra o domínio português, Angola foi proclamada uma república independente por António Agostinho Neto, presidente do MPLA — um dos movimentos que lutou pela sua independência. Empossado, Agostinho Neto assume o governo enfrentando a guerra civil, que envolveu os integrantes dos demais movimentos de libertação do país, como UNITA e FNLA. Com alguns períodos de paz, a guerra durou até 2002.

Imagem: foto da estátua Agostinho Neto em Luanda, Angola, de autoria de Paulo César Santos sob licença Creative Commons

ACERVO E CONQUISTAS AFRO

Acervo e conquistas afros (DIARIO DE PERNAMBUCO - VIVER)

Recife, sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 Relançada neste ano, a Agenda AfroBrasileira traz a historiografia negra no mundo e agrega obras de artistas africanos Apesar de vigorar há cerca de 10 anos, a Lei Federal 10.639/03 - que determina que os estabelecimentos de ensino fundamental e médio incluam em sua grade o ensino de história e cultura afrobrasileiras - não está sendo explorada em toda sua potencialidade. Pouco se teve notícia, até o momento, de livros ou novos produtos que valorizassem a cultura negra no Brasil e a contribuição deste povo nas áreas social, política e econômica. Entretanto, iniciativas como a do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (Neafro) da Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) reativam o debate sobre a necessidade de propor conteúdos culturais e pedagógicos sobre o papel do negro na sociedade. Para tanto, o grupo relança a Agenda AfroBrasileira, com distribuição em todo país. Ela reúne os principais acontecimentos do calendário africano, afrobrasileiro e afrodiaspórico e traz obras de artistas contemporâneos. “A iniciativa foi movida pela ideia que tínhamos de que a consciência histórica, intimamente ligada à memória, teria um papel de extrema importância na libertação e na elaboração mental do povo negro. A valorização das fontes passou a fazer parte da nossa militância acadêmica na luta contra a colonização racista dos campos da memória”, explica Acácio Almeida, idealizador do projeto. “Desde 1994, data da primeira agenda, tornou-se referência tanto no meio acadêmico quanto para a militância, uma vez que sistematiza a pesquisa, a organização e a divulgação de fatos. Na edição 2012, renová-la foi colocá-la no contexto atual de conquistas, como a criação da Fundação Palmares”, complementa a pesquisadora Ana Helena Passos. Assim, referencia momentos cruciais para a compreensão histórica como o fatídico 11 de junho, quando Nelson Mandela foi condenado à prisão perpétua (em 1964). A agenda traz ainda 12 peças de artistas consagrados - como a obra Not abaut orange, de Ghada Amer (que ilustra a capa) e fotografias como a de Seydou Keita, do acervo da Fundação Sindika Dokolo. As imagens fazem parte do projeto Transit_BR, com curadoria de Daniel Rangel (Salvador /BA) e Fernando Alvim (Angola). Trata-se de uma das mais importantes coleções de arte africana contemporânea do mundo, que deve rodar o país em exposições itinerantes com diferentes recortes do acervo, associadas com palestras e publicações nas principais cidades brasileiras. A abertura será em março, em Salvador, e passará por outras capitais como Brasília, Curitiba, Recife e São Paulo.

“O projeto Transit_BR consiste na circulação, entre Angola e Brasil, de uma das mais importantes coleções de arte africana contemporânea do mundo, pertencente à Fundação Sindika Dokolo de Angola.”A ideia central é de realizar exposições itinerantes com diferentes recortes do acervo, associadas com palestras, publicações e outros eventos culturais e artísticos relacionados com a mostra, nas principais cidades brasileiras, com o intuito de promover a difusão e o acesso da sociedade brasileira e não só, ao pensamento filosófico e à estética da arte africana contemporânea.

“Apesar disso, é importante afirmar que no Brasil ainda existe uma enorme lacuna sobre a África, particularmente sobre a produção artística africana atual. (…) O Transit é mais uma contribuição no intuito de modificar o quadro de desinformação a respeito das artes visuais africanas na contemporaneidade. O recorte Transit_agenda afro-brasileira foi pensado com o objetivo de fazer um panorama dos principais artistas africanos da coleção Sindika Dokolo, entre jovens e consagrados, de diferentes países e técnicas, permitindo uma introdução a uma nova leitura estética e conceitual a respeito da produção africana atual.

A África é o maior produtor de cinema do mundo


Se você acha que o maior número de filmes produzidos no planeta vêm de Hollywood está desinformado faz tempo. Eles só produzem uns 600 filmes por ano. Se respondeu na lata, Bollywood, a indústria do cinema indiano (achando que tá por dentro), também errou. Lá são produzidos cerca de 900. Então quem é o maior [...]


Para complementar este artigo, a nova versão da Agenda que promove a história e a memória da África, da diáspora africana e da população negra no Brasil, que você pode comprar em ecife
Recife/PE
Avesso: Av. Rui Barbosa, 806 – Graças - Tel: 81.3301.7692
Chá com Chita: Av. 17 de Agosto, 2133 – Casa Forte - Tel: 81.3267.6662
Doce de Ler: Shopping ETC - Av. Rosa e Silva, 1460 - Loja 7 – Aflitos - Tel: 81.3241.6871


24 de Nov. de 1861


Nasce Cruz e Souza
Filho de negros alforriados, o poeta João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje cidade de Florianópolis, capital de Santa Catarina. Foi educado como filho de criação por Dona Clarinda Fagundes Xavier de Sousa e teve acesso à estudos de línguas como também de matemática e Ciências Naturais o que não impediu que fosse vítima de atos discriminatórios em diversos momentos de sua vida, por ser negro. Num desses atos, foi recusado como promotor público da cidade de Laguna. Foi diretor do jornal abolicionista Tribuna Popular e sua obra marca o início do simbolismo no Brasil. Morreu no dia 19 de março de 1898, aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose e da pobreza.



20 de Nov. de 1695

Morre Zumbi
Zumbi nasceu na cidade de União dos Palmares, Alagoas, em 1655. Após luta e resistência como líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi foi morto pelo capitão Furtado de Mendonça e sua cabeça levada para o governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro. Sua morte ganhou um novo significado na década de 60, pela militância social negra, e tornou-se símbolo da resistência, sendo o 20 de novembro adotado como Dia da Consciência Negra. Desde então, algumas cidades brasileira passaram a comemorar a data com feriado local, mas só em 10 de novembro de 2011, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra passou a fazer parte do calendário oficial do Brasil. Este feito é resultado das lutas da sociedade civil, especificamente dos movimentos sociais negros.

Imagem: óleo de Antônio Parreiras (1860-1937), intitulado “Zumbi” (detalhe do quadro), que faz parte do acervo do Museu AfroBrasil, em São Paulo

16 de Nov. de 1978

Morre Candeia
O sambista Antonio Candeia Filho, conhecido como Candeia, tem sua obra marcada por um rico repertório que trata de liberdade, saudades, orgulho negro, vida e morte. Fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo, Candeia iniciou sua carreira cantando e compondo para a Portela e tem seu nome consagrado no panteão da escola de samba. Veja um trecho do documentário “Partido Alto”, de 1982, dirigido por Leon Hirszman, em homenagem a esse compositor, sambista e defensor da cultura afrobrasileira.

Imagem: foto de Candeia, do Portal Brasil, site do Governo Federal


13 de Nov. de 1981

Morre Mestre Pastinha
Um dos maiores mestres de capoeira do Brasil nasceu em Salvador, Bahia, no dia 5 de abril de 1889. Batizado com o nome de Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, foi adepto da Capoeira de Angola e seu maior divulgador, promovendo-a como uma arte e não uma luta, inclusive no exterior. Na música “Triste Bahia”, de Caetano Veloso, a letra faz uma homenagem ao Mestre Pastinha que “foi à África / Pra mostrar capoeira do Brasil”. Em 1968, publicou o livro “Capoeira Angola” (baixe aqui), com prefácio de Jorge Amado e capa ilustrada por Carybé. Veja aqui o trailer do filme sobre a sua história, dirigido por Antonio Carlos Muricy, e aqui as cenas de um documentário de 1950, dirigido pelo folclorista Alceu Maynard, com Mestre Pastinha e seus alunos no CECA (Centro Esportivo de Capoeira Angola), fundado por ele, em 1941, em Salvador.



11 de Nov. de 1975

Independência de Angola
Depois de 14 anos de luta armada contra o domínio português, Angola foi proclamada uma república independente por António Agostinho Neto, presidente do MPLA — um dos movimentos que lutou pela sua independência. Empossado, Agostinho Neto assume o governo enfrentando a guerra civil, que envolveu os integrantes dos demais movimentos de libertação do país, como UNITA e FNLA. Com alguns períodos de paz, a guerra durou até 2002.

Imagem: foto da estátua Agostinho Neto em Luanda, Angola, de autoria de Paulo César Santos sob licença Creative Commons

quinta-feira, 18 de julho de 2013

domingo, 25 de novembro de 2012

AS FACETAS DE UM RACISMO SILENCIOSO de Kabengele Munanga


mKabengelee

Resenha de "As facetas de um racismo silenciado" de Kabengele Munanga
Por Vinicius Becker de Souza

O texto começa diferenciando dois tipos de racismo: um institucionalizado, explícito, com consentimento do poder público e da sociedade como um todo; outro implícito, "silenciado" e negado por todos. No Brasil, temos o segundo caso, "tem-se o preconceito de se ter preconceito" (Fernandes apud Munanga).
Munanga busca a origem desse comportamento na ideologia da elite dominante – o já discutido mito da democracia racial – em contraponto com o senso comum que coloca a culpa na falta de instrução. A visão do Brasil como um país mestiço, onde há um convívio harmonioso entre as diferentes raças, esteve bastante difundida entre todas as camadas da sociedade para fomentar a unidade nacional. Mas a "mistura" entre brancos, índios e negros não produziu igualdade de condições aos seus descendentes, antes pelo contrário. Segundo o autor, nos defrontamos com "uma questão moral e ontológica" - ou seja, uma ideia que só pode ser modificada com uma mudança de consciência.
As políticas de afirmação do negro sempre passaram pela questão da mobilidade social. Seus defensores afirmam que solucionando o problema de classes se resolveria o problema do negro, que teria mais acesso a educação e a profissionalização por exemplo.
Mas a discriminação racial é uma das principais barreiras a mobilidade, pois alguns são preteridos devido apenas a suas características físicas. O racismo é uma "desumanização", o que coloca a vítima em uma posição inferior sempre que confrontada com um branco.
Da mesma forma, apenas a afirmação da identidade não é capaz de superar o racismo, pois na verdade existem múltiplas identidades que têm que ser respeitadas. Mas o negro deve se aceitar como negro, e não cair no discurso de que o branco é melhor e também "branquear-se". Esta é a importância da "negritude" - não é discriminar os brancos, mas se afirmar como um ser humano.
A dificuldade do movimento negro na visão do autor deve-se ao fato de não ser um movimento multirracial. Ainda que existam indivíduos não-negros entre os militantes, e contem com o apoio de intelectuais, permanece composto pela minoria discriminada.
Por isso a solução proposta é o estímulo de uma conscientização, que reconheça a sociedade brasileira como racista. Não existe um racismo melhor que o outro, pois todos passam pela negação da humanidade do outro.cetas de um racismo silenciado” de Kabengele Munanga

sábado, 16 de junho de 2012