segunda-feira, 4 de novembro de 2013

AFRO BRASILEIROS - ABDIAS NASCIMENTO: 13 DE MAIO UMA MENTIRA CÍVICA

 

abdias nascimento
Discurso proferido pelo Senador Abdias Nascimento por ocasião dos 110 anos da Abolição no Senado Federal.
O SR. ABDIAS NASCIMENTO (Bloco/PDT-RJ. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, sob a proteção de Olorum, inicio este meu pronunciamento.

Na data de hoje, 110 anos passados, a sociedade brasileira livrava-se de um problema que se tornava mais agudo com a proximidade do século XX, ao mesmo tempo em que criava condições para o estabelecimento das maiores questões com que continuamos a nos defrontar às vésperas do Terceiro Milênio. Assim, a 13 de Maio de 1888, a Princesa Isabel, então regente do trono em função do afastamento de seu pai, D. Pedro II, assinava a lei que extinguia a escravidão no Brasil, pondo fim a quatro séculos de exploração oficial da mão-de-obra de africanos e afro-descendentes nesta Nação, mais que qualquer outra, por eles construída.

Durante muito tempo, a propaganda oficial fez desse evento histórico um de seus maiores argumentos em defesa da suposta tolerância dos portugueses e dos brasileiros brancos em relação aos negros, apresentando a Abolição da Escravatura como fruto da bondade e do humanitarismo de uma princesa. Como se a história se fizesse por desígnios individuais, e não pelas ambições coletivas dos detentores do poder ou pela força inexorável das necessidades e aspirações de um povo.

A tentativa de vender a abolição como produto da benevolência de uma princesa branca é parte de um quadro maior, que inclui outras fantasias, como a “colonização doce” - suave apelido do massacre perpetrado pelos portugueses na África e nas Américas - e o “lusotropicalismo”, expressão que encerra a contribuição lusitana à construção de uma “civilização” tropical supostamente aberta e tolerante. Talvez do tipo daquela por eles edificada em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, quando a humilhação e a tortura foram amplamente usadas como formas de manter a dominação física e psicológica de europeus sobre africanos.

Na verdade, o processo que resultou na abolição da escravatura pouco tem a ver com as razões humanitárias - embora essas, é claro, também se fizessem presentes. O que de fato empurrou a Coroa imperial a libertar os escravos foram, em primeiro lugar, as forças econômicas subjacentes à Revolução Industrial, capitaneadas por uma Inglaterra ávida de mercados para os seus produtos manufaturados. Explicam-se desse modo as pressões exercidas pela Grã-Bretanha sobre o Governo brasileiro, especialmente no que tange à proibição do tráfico, que acabaria minando os próprios alicerces da instituição escravista. Outro fator fundamental foi o recrudescimento da resistência negra, traduzido no pipocar de revoltas sangrentas, com a queima de engenhos e a destruição de fazendas, que se multiplicaram nas últimas décadas do século XIX, aumentando o custo e impossibilitando a manutenção do sistema.

Foi assim que chegamos ao 13 de maio de 1888, quando negros de todo o País - pelo menos nas regiões atingidas pelo telégrafo - puderam comemorar com euforia a liberdade recém-adquirida, apenas para acordar no dia 14 com a enorme ressaca produzida por uma dúvida atroz: o que fazer com esse tipo de liberdade? Para muitos, a resposta seria permanecer nas mesmas fazendas, realizando o mesmo trabalho, agora sob piores condições: não sendo mais um investimento, e sem qualquer proteção na esfera das leis, o negro agora era livre para escolher a ponte sob a qual preferia morrer. Sem terras para cultivar e enfrentando no mercado de trabalho a competição dos imigrantes europeus, em geral subsidiados por seus países de origem e incentivados pelo Governo brasileiro, preocupado em branquear física e culturalmente a nossa população, os brasileiros descendentes de africanos entraram numa nova etapa de sua via crucis. De escravos passaram a favelados, meninos de rua, vítimas preferenciais da violência policial, discriminados nas esferas da justiça e do mercado de trabalho, invisibilizados nos meios de comunicação, negados nos seus valores, na sua religião e na sua cultura. Cidadãos de uma curiosa “democracia racial” em que ocupam, predominantemente, lugar de destaque em todas as estatísticas que mapeiam a miséria e a destituição.

O mito da “democracia racial”, que teve em Gilberto Freyre seu formulador mais sofisticado, constitui, com efeito, o principal sustentáculo teórico da supremacia eurocêntrica neste País. Interpretando fatos históricos de maneira conveniente aos seus propósitos, deturpando aqui, inventando acolá, sofismando sempre, os apóstolos da “democracia racial” conseguiram construir um sólido e atraente edifício ideológico que até hoje engana não somente parte dos dominados, mas também os dominadores. Estes, sob o martelar do slogan, por vezes acreditaram sinceramente na inexistência de racismo no Brasil. Podiam, assim, oprimir sem remorso ou sentimento de culpa. Esse mesmo mito, com denominações variadas, como “raza cósmica” ou “café con leche”, também contamina as relações de raça na maioria do países da chamada América Latina, resultando, invariavelmente, na hegemonia dos brancos - ou daqueles que assim se consideram e são considerados - sobre os negros e os índios. É assim no México, na Colômbia, na Venezuela, no Equador, no Peru e nos países da América Central e do Caribe. Disso não escapa sequer a Cuba socialista, que pude visitar mais uma vez poucas semanas atrás e onde, a despeito do grande esforço de nivelamento social realizado pela Revolução, hábitos, costumes e linguagem continuam impregnados do perverso eurocentrismo ibérico.

Um dos efeitos mais cruéis desse tipo de ideologia é confundir e atomizar o grupo oprimido, impedindo-o de se organizar para defender seus interesses. Assim, por exemplo, se denuncia a discriminação racial de que é vítima, o negro se vê enquadrado nas categorias de “complexado”, “ressentido” ou mesmo de “perturbado mental”. Algum tempo atrás, poderíamos acrescentar as de “subversivo” ou “agente do comunismo internacional”, estigmas que as instituições repressoras de nosso País tentaram imprimir em minha própria pele e que me obrigaram a viver no exterior por mais de uma década.

Terríveis na sua capacidade de ocultar o óbvio ostensivo, todos esses instrumentos de coerção e imobilização não foram suficientes para impedir que parcelas da população afro-brasileira se tenham organizado, nesses 110 anos desde a abolição, a fim de lutar, por todos os meios possíveis, pela justiça e pela igualdade neste País edificado por seus antepassados. Já tive ocasião de celebrar, aqui mesmo nesta Casa, o aniversário de fundação da maior dentre todas as organizações afro-brasileiras deste século, a Frente Negra Brasileira, que assinalou, ainda na década de trinta, a existência de um pensamento e de uma ação: negros comprometidos em derrubar as barreiras construídas com base na origem africana. Transformada em partido político e fechada com o golpe do Estado Novo, a Frente Negra, em seus acertos e equívocos, balizou o caminho a ser percorrido pelas futuras organizações afro-brasileiras.

Em meados da década dos quarenta, criei no Rio de Janeiro, com ajuda de outros militantes, o Teatro Experimental do Negro, organização que fundia arte, cultura e política na conscientização dos afro-brasileiros, e dos brasileiros em geral, para as questões do racismo e da discriminação, assim como para a valorização da cultura de origem africana. Apesar dos obstáculos que lhe foram interpostos, incluindo a clássica acusação de “racismo às avessas”, o Teatro Experimental do Negro marcou sua trajetória, pelo volume e qualidade de sua atuação, no meio artístico e cultural daquela década e do decênio seguinte, como também no cenário político, sendo diretamente responsável pela primeira proposta de legislação antidiscriminatória no Brasil, mais tarde neutralizada pela malfadada Lei Afonso Arinos.

Minha militância acabaria me rendendo um exílio, do final dos anos sessenta ao início da década de oitenta. Pude então travar contato em primeira mão com toda uma liderança negra, na África, nos Estados Unidos e na Europa, em luta contra o imperialismo, o colonialismo e o racismo. As idéias e ações dessa liderança, que incluía Amílcar Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Julius Nyerere, Jomo Kenyatta, Léopold Senghor, Wole Soyinka e Sam Nujomo, na África; Malcolm X, Martin Luther King, Amiri Baraka, Stokeley Carmichael e os Black Panthers, na América do Norte - para citar apenas alguns de seus mais destacados expoentes -, encontraram eco no Brasil, estimulando a antiga luta afro-brasileira, agora sob o rótulo de “Movimento Negro”.

Recuperando a tradição das antigas organizações, a exemplo da República dos Palmares, da Frente Negra e do Teatro Experimental do Negro, o Movimento Negro logo se espalhou pelo País, catalisando o idealismo de uma generosa juventude afro-descendente, com grande incidência dos escassos universitários que enfrentavam, na busca de se inserirem no mercado de trabalho, as cruéis contradições de nossa “democracia racial”.

O Sr. Ney Suassuna (PMDB-PB) - V. Exª me permite um aparte?

O SR. ABDIAS NASCIMENTO (Bloco/PDT-RJ) - Ouço V. Exª com muito prazer.

O Sr. Ney Suassuna (PMDB-PB) - Senador Abdias Nascimento, no dia 13 de maio gostaria de me solidarizar com V. Exª e com toda a raça da qual V. Exª faz parte, dizendo que a esta raça nós, brasileiros, devemos muito. Todos nós devemos estar conscientes de que deve haver cada vez mais igualdade e mais espaço para ela. Juntos haveremos de construir essa raça brasileira, que é a miscegenação de todas elas. Muito obrigado.

O SR. ABDIAS NASCIMENTO (Bloco/PDT-RJ) - Muito obrigado a V. Exª.

Continuo, Sr. Presidente:

Apesar de todas as dificuldades e resistências, o Movimento encontrava também o apoio de alguns políticos importantes. Dentre eles se destaca Leonel Brizola, responsável, como Governador do Rio de Janeiro, pela mais séria e ousada experiência de enfrentamento do racismo até hoje empreendida no plano do Estado: a criação da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras, da qual tive a honra de ser o primeiro titular.

Uma das reivindicações do Movimento Negro no plano das políticas públicas tem sido a adoção da chamada “ação afirmativa” - que eu prefiro designar como “ação compensatória” -, objeto, nos últimos tempos, de algumas propostas no âmbito do Legislativo, incluindo o Projeto de Lei do Senado nº 75, de 1997, de minha autoria, atualmente tramitando nesta Casa. Trata-se este, na verdade, de um assunto sobre o qual muito se fala - quase sempre contra - mas do qual, geralmente, pouco se conhece.

“Ação afirmativa” ou “ação compensatória”, é, pois, um instrumento, ou conjunto de instrumentos, utilizado para promover a igualdade de oportunidades no emprego, na educação, no acesso à moradia e no mundo dos negócios. Por meio deles, o Estado, a universidade e as empresas podem não apenas remediar a discriminação passada e presente, mas também prevenir a discriminação futura, num esforço para se chegar a uma sociedade inclusiva, aberta à participação igualitária de todos os cidadãos. Ao contrário do que costumavam afirmar seus adversários, a ação compensatória recompensa o mérito e garante que todos sejam incluídos e considerados com justiça ao se candidatarem a empregos, matrículas ou contratos, independentemente de raça ou de gênero. São seus propósitos específicos: 1) aumentar a participação de pessoas qualificadas, pertencentes a segmentos historicamente discriminados, em todos os níveis e áreas do mercado de trabalho, reforçando suas oportunidades de serem contratadas e promovidas; 2) ampliar as oportunidades educacionais dessas pessoas, particularmente no que se refere à educação superior, expandir seus horizontes e envolvê-las em áreas nas quais tradicionalmente não têm sido representadas; 3) garantir a empresas de propriedade de pessoas desses grupos oportunidades de estabelecer contratos com o governo, em âmbito federal, estadual ou municipal, dos quais de outro modo estariam excluídas.

A ação compensatória na área do emprego implica o recrutamento ativo de mulheres e membros de grupos historicamente discriminados, buscando-se candidatos além das redes convencionais de relacionamento, tradicionalmente dominadas por homens brancos. Ela estimula, por exemplo, o uso de anúncios públicos de emprego para identificar candidatos em lugares em que os empregadores geralmente não iriam procurá-los.
Na área educacional, as medidas de ação compensatória adotadas em outros países, e que se pretende sejam adotadas aqui, são muitas vezes acusadas de constituírem preferências por alunos não-qualificados. Na verdade, porém, também nessa área o objetivo é recompensar o mérito. Recentes estudos de escores obtidos em testes e de notas tiradas no curso secundário - os padrões tradicionais e presumivelmente “objetivos” para mensurar as qualificações de estudantes - têm posto em questão a precisão desses instrumentos em predizer o desempenho futuro de todos os alunos, particularmente de mulheres e de membros de grupos discriminados. Poucos especialistas sustentariam racionalmente que, por si sós, esses escores e médias sejam capazes de medir objetivamente a capacidade e o potencial de um indivíduo. Qual a experiência de vida do candidato? Que obstáculos ele teve de superar? Quais são suas ambições e esperanças? Menos tangíveis do que números, esses padrões são mais precisos em prever o futuro desempenho educacional do que a origem familiar, herança ou outros atributos do privilégio.

Além do falido argumento meritocrático, também se costuma brandir contra a ação compensatória - como aconteceu nesta própria Casa - a tese da inconstitucionalidade. Seria inconstitucional estabelecer qualquer espécie de “discriminação positiva” - outro sinônimo de ação afirmativa - porque isso feriria o princípio da igualdade de todos perante a lei. A primeira resposta a esse argumento vai contra o seu caráter eminentemente conservador. Como se não tivéssemos a possibilidade, o direito, o dever, eu diria, de lutar por mudanças nos dispositivos constitucionais que não nos interessam. Ou como se a igualdade fosse apenas um princípio abstrato, e não algo a ser implementado por meio de medidas concretas. A verdade, porém, é que existem diversos precedentes jurídicos que abrem as portas à implantação da ação compensatória em favor dos afro-descendentes no Brasil. A igualdade de homens e mulheres perante a lei não impede, por exemplo, que estas tenham direito de se aposentar com menor tempo de serviço, nem que disponham de uma reserva de vagas nas listas de candidatura dos partidos. Há também a proteção especial aos portadores de deficiência, a famosa Lei dos Dois Terços - que estipulava uma preferência para trabalhadores brasileiros no quadro funcional das empresas -, sem falar no imposto de renda progressivo e na inversão do ônus da prova nas ações movidas por empregados contra empregadores. Todos casos em que a igualdade formal dá lugar à promoção da igualdade.

Vale ressaltar, neste ponto, que pelo menos três convenções internacionais de que o Brasil é signatário - e que portanto têm força de lei - contemplam a adoção de medidas compensatórias. Uma delas é a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, da Organização das Nações Unidas, cujo art. 1º, item 4, diz o seguinte: “Não serão consideradas discriminação racial as medidas especiais tomadas com o único objetivo de assegurar o progresso adequado de certos grupos raciais ou étnicos (...) que necessitem da proteção que possa ser necessária para proporcionar(...) igual gozo ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais (...).”

Teor semelhante tem o art. 2º da Convenção 111 da OIT - Organização Internacional do Trabalho, concernente à discriminação em matéria de emprego e profissão, pelo qual cada signatário “compromete-se a formular e aplicar uma política nacional que tenha por fim promover (...) a igualdade de oportunidades e de tratamento em matéria de emprego e profissão, com o objetivo de eliminar toda discriminação nessa matéria”. E também o art. IV da Convenção Relativa à Luta Contra a Discriminação no Campo do Ensino, da UNESCO: “Os Estados Partes (...) comprometem-se (...) a formular, desenvolver e aplicar uma política nacional que vise a promover (...) a igualdade de oportunidade e tratamento me matéria de ensino.”

Outra postura contrária vem dos que, dando como exemplo a experiência de países socialistas, à ação compensatória costumam contrapor as políticas públicas de combate à pobreza e aos problemas a ela associados - as chamadas políticas redistributivas. Esse argumento, em geral oriundo da Esquerda, é duplamente falacioso. Primeiro porque ninguém, em sã consciência, poderia vislumbrar no horizonte próximo uma revolução socialista no Brasil - condição indispensável à adoção de reformas radicais como aquelas que possibilitaram a alguns daqueles países não acabar com o racismo, mas reduzir a um nível mínimo as desigualdades raciais (o que é diferente) nas áreas do trabalho, da educação, da saúde e da moradia. A outra falácia desse argumento é deixar implícito que se trata de opções mutuamente excludentes - ou ação compensatória, ou políticas redistributivas, quando, de fato, necessita-se de ambas. Com certeza, os afro-brasileiros seriam, por sua inserção social, os grandes beneficiários de quaisquer ações governamentais voltadas à melhoria das condições de vida das grandes massas destituídas. E continuariam precisando de proteção contra a discriminação, bem como de mecanismos capazes de lhes assegurar a igualdade de oportunidades.

Em entrevista publicada semana passada pela revista Veja, em que se discute a situação dos negros neste País, o Presidente Fernando Henrique Cardoso disse não ser contrário ao sistema de quotas, forma mais incisiva de ação compensatória, que constitui a essência do meu projeto de lei. O Presidente foi além dessa declaração e afirmou literalmente: “Havendo duas pessoas em condições iguais para nomear para determinado cargo, sendo uma negra, eu nomearia a negra”. Como é curioso, para dizer o mínimo, observar correligionários do Presidente aqui no Senado manifestando idéias e atitudes absolutamente contrárias às de seu suposto líder e utilizando, para isso, todo um arsenal de argumentos ou intempestivos, ou equivocados, ou desinformados - pois não quero acreditar que sejam maliciosos.

Ao mesmo tempo, pesquisa realizada pelo prestigioso instituto de pesquisa Datafolha, e publicada à página 46 do livro Racismo Cordial, revela não apenas que praticamente metade dos brasileiros de todas as origens étnicas aprova a ação compensatória, mas que essa aprovação chega a 52% entre aqueles que admitiram ter preconceito em relação aos negros. Muito significativo em função da cortina de desconhecimento que cerca o tema, esse resultado indica que o País está mudando, e mais rapidamente do que se quer admitir. E esta Casa, cujos membros têm o dever de acompanhar e até mesmo antecipar as mudanças que o País quer e necessita, não pode ficar se ancorando em velhos chavões para manter um estado de coisas que a maioria da sociedade quer ver superado. Sabemos, eu e meus companheiros de luta, que é árdua a batalha que temos pela frente, no confronto com o reacionarismo, a ignorância e o atraso. Mas estamos dispostos a levar nossa luta a todos os foros, nacionais e internacionais, e a conduzi-la, como alguém já disse, “por todos os meios necessários”.

Assim, neste 13 de Maio, fazemo-nos presentes nesta tribuna, não para comemorar, mas para denunciar uma vez mais a mentira cívica que essa data representa, parte central de uma estratégia mais ampla, elaborada com a finalidade de manter os negros no lugar que eles dizem ser o nosso. A comunidade afro-brasileira, porém, já mostrou claramente que não mais aceita a condição que nos querem impingir. Mais uma prova disso foi dada na madrugada de hoje, quando o Instituto do Negro Padre Batista, juntamente com dezenas de outras organizações, realizou em São Paulo a segunda Marcha pela Democracia Racial, desfraldando a bandeira da igualdade de oportunidades para os afro-descendentes. Assim, ao mesmo tempo em que denuncia as injustiças de que é vítima, nossa comunidade apresenta reivindicações consistentes e viáveis para a solução dos seculares problemas que enfrenta. Reivindicações, como a ação compensatória, capazes de contribuir para que venhamos a concretizar, com o apoio de nossos aliados sinceros, a segunda e verdadeira abolição.

Sr. Presidente, pulei vários trechos para abreviar meu pronunciamento, solicito que a publicação seja feita na íntegra.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Axé! 

PERDÃO

 

ORAÇÃO KAHUNA DO PERDÃO

Buscando eliminar todos os bloqueios que atrapalham minha evolução, dedicarei AGORA alguns momentos para “PERDOAR”.

A partir deste momento, eu perdôo todas as pessoas que, de alguma forma, me ofenderam, me machucaram ou me causaram alguma dificuldade desnecessária.

Perdôo sinceramente quem me rejeitou, me entristeceu, me abandonou, me humilhou, me amedrontou ou me iludiu.

Perdôo, especialmente, quem me provocou, até que eu perdesse a paciência e acabasse reagindo agressivamente, para depois me fazer sentir vergonha, culpa, ou simplesmente, sentir inadequada.

Reconheço que também fui responsável por estas situações, pois muitas vezes confiei em indivíduos negativos, escolhi usar mal minha inteligência e permiti que descarregassem sobre mim suas amarguras, suas histórias, seus traumas e seu mau humor.

Por tempo demais suportei tratamento indigno, humilhações, medo, grosserias e desamor, perdendo muito tempo e energia, na tentativa de conseguir um bom relacionamento com essas criaturas.

Agora, me sinto livre da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com pessoas e ambientes que me diminuem e, principalmente, destas pessoas que se sentem incomodadas com a minha presença e a minha luz.

Iniciei, agora, uma nova etapa na minha vida em companhia de gente mais positiva, cheia de boas intenções, gente amiga, que se preocupa em ser saudável, alegre, próspera e iluminada. Gente preocupada em melhorar a qualidade de vida – não só a nossa, mas de todo o planeta.

Queremos compartilhar sentimentos nobres, aprendendo uns com os outros e nos ajudando mutuamente, enquanto trabalhamos pelo nosso progresso material e nossa evolução espiritual sempre procurando difundir nossas idéias de unidade, de paz e de amor.

Procurarei valorizar sempre todas as conquistas que fiz e o amor que tenho em mim, evitando todas queixas desnecessárias, que me seguram nesta freqüência, de onde já consegui sair.

Se, por um acaso, eu tornar a pensar nestas pessoas com quem ainda tenho dificuldade de convivência, lembrarei que elas todas já estão perdoadas.

Embora eu não me sinta na obrigação de trazê-las novamente para minha intimidade, eu o farei, se elas demonstrarem interesse em entrar em sintonia.

Agradeço pelas dificuldades que elas me causaram, pois isso me desafiou e me ajudou a evoluir, do nível humano comum, a um nível de maior amor e compaixão, maior consciência, em que procuro viver hoje.

Quando eu tornar a lembrar destas pessoas que me fizeram sofrer, procurarei valorizar suas qualidades e também liberá-las, pedindo ao Criador que também as perdoe, evitando que elas sofram pela lei de causa e efeito, nesta vida ou em outras.

Também compreendo as pessoas que rejeitaram meu amor e minhas boas intenções, pois reconheço que é um direito de cada um, não poder ou não querer corresponder ao meu amor.

(Fazer uma pausa e respirar profundamente por algumas vezes para acumular energia)

Agora, sinceramente, peço perdão a todas as pessoas a quem, de alguma forma consciente ou inconsciente, magoei, prejudiquei ou fiz sofrer.

Analisando o que fiz ao longo da minha vida, sei que minhas intenções foram boas, embora nem sempre tenha acertado e que, estas coisas que fiz de bom,
são suficientes para resgatar a dor do meu aprendizado, ainda deixando um saldo positivo ao meu favor.

Sinto-me em paz com minha consciência e, de cabeça erguida, respiro profundamente………. prendo o ar………… e me concentro para enviar uma corrente de energia destinada ao meu EU SUPERIOR.

*Ao relaxar, minhas sensações revelam que este contato foi estabelecido.

Agora, dirijo uma mensagem de fé, ao meu EU SUPERIOR, pedindo orientação, proteção e ajuda para a realização, de um modo acelerado, de um projeto muito importante que estou mentalizando e para o qual estou trabalhando com dedicação e amor. ( citar o projeto ) e que será, com certeza, para o bem maior de todos os envolvidos.

Também peço que minha fé seja firme e que eu possa, cada vez mais, tornar-me um canal, uma conexão permanente com os Seres de Luz, desenvolvendo todos os potenciais que possam facilitar esta comunicação. Que eu perceba todas as respostas às minhas perguntas e dúvidas, reconhecendo os sinais claros que estiver recebendo, sempre protegida e amparada pelo Universo.

Agradeço, de todo o coração, a todas as pessoas que me ajudaram e me comprometo a retribuir trabalhando para o bem do próximo, para sua alegria, seu bem-estar, atuando como agente catalisador de harmonia, entendimento, saúde, crescimento, entusiasmo, prosperidade e auto-realização.

Tudo farei sempre em harmonia com as leis da natureza e com a permissão do nosso Criador eterno e infinito que sinto como único poder real, atuante dentro e fora de mim.
ASSIM SEJA E ASSIM SERÁ.

MULHERES-MULA FAZEM TRANSPORTE DE CARGA ENTRE ESPANHA E MARROCOS






'Mulheres-mula' fazem transporte de carga entre Espanha e Marrocos (© Fernando del Berro)
Elas são conhecidas como as 'mulheres-mulas de Melilla'. São mulheres que, todos os dias, carregam cargas pesadas através da fronteira entre o enclave espanhol e o Marrocos.
Melilla, pequeno território encravado na costa norte do Marrocos, é um importante ponto de entrada de produtos no norte da África.
Produtos que entram sendo carregados por uma única pessoa são classificados como bagagem pessoal, e entram isentos de taxa alfandegária. Daí o surgimento da atividade, que virou o ganha-pão de várias mulheres marroquinas sem outra alternativa de renda.
Na luz do sol da manhã, há uma nuvem de poeira próxima a grade de cerca de 6 metros de altura que separa Melilla do Marrocos. A poeira sobe com a atividade frenética dos comerciantes preparando mercadorias para cruzar a fronteira.
Há roupas de segunda mão, rolos de tecido, produtos de higiene e utensílios domésticos, tudo vindo da Espanha e destinado à mercados no Marrocos e além. Há milhares de pessoas aqui e o barulho é ensurdecedor - uma cacofonia de motores acelerando e vozes.
Fardos enormes estão por toda parte, todos embrulhados em papelão e pano presos com fita adesiva e corda. E sob os imensos fardos, escondidas e encurvadas pelo tamanho de suas cargas, estão as mulheres marroquinas, as 'mulheres-mula' de Melilla, conhecidas localmente como porteadoras.
Mães solteiras
Esse comércio ocorre todos os dias no Barrio Chino, na fronteira entre Melilla e o Marrocos, por onde só passam pedestres. As 'mulheres-mulas' têm o direito de visitar Melilla porque vivem na província marroquina vizinha de Nador, mas não podem residir no território espanhol.
Latifa reivindica seu lugar em uma das turbulentas filas compostas por centenas de mulheres, e deixa cair sua carga de 60 kg de roupas usadas. Ela vem fazendo este trabalho há 24 anos e será paga três euros (R$ 9) para o transporte de seu fardo até o Marrocos. Mas este não é um trabalho que ela escolhe fazer.
'Eu tenho uma família que precisa comer,' ela explica. 'Eu tenho quatro filhos, e não tenho um marido para ajudar. Eu me divorciei porque ele batia em mim.'
E então, a fila anda e Latifa desaparece em um mar de mercadorias.
Muitas das mulheres que trabalham como porteadoras são divorciadas ou separadas, como Latifa, mães solteiras que têm que prover para suas famílias. A vida na sociedade tradicional do Marrocos é difícil para essas mulheres, e geralmente esse é o único trabalho que elas conseguem. Algumas delas fazem três ou quatro viagens por dia através da fronteira, carregando até 80kg.
As remunerações variam, e as mulheres reclamam que precisam pagar propina a guardas do Marrocos.
Veja mapa (© BBC)
Debate
Em Melilla, há um debate sobre se este tipo de comércio deveria ser coibido.
'Essas são mulheres que estão arriscando suas vidas. Houveram mortes em consequência desse tipo de trabalho físico com condições de semiescravidão,' diz Emilio Guerra, do partido político Union Progresso y Democracia. 'O que nós gostaríamos é que elas trabalhassem sob condições que não fossem precárias.'
Por fim, ele acredita que Melilla deve mudar seu modelo econômico, e se tornar menos dependente no comércio.
Porém o consultor de negócios para o governo local de Melilla, Jose Maria Lopez, discorda.
'Há resultados muito positivos dessa atividade comercial. Para algumas das porteadoras é a única chance que elas têm de ganhar a vida. De fato, é realmente um trabalho árduo, mas algumas delas conseguem uma renda que é maior do que o rendimento médio dos trabalhadores no Marrocos.'
E os benefícios desse tipo de comércio para milhares de outros marroquinos e suas famílias, aqueles que vendem os produtos em suas lojas, ou exportam para outros países ao sul, são enormes.
Lopes estima que esse comércio informal gere cerca de 300 milhões de euros por ano para Melilla, e diz ser algo 'atípico'. Outros chamam de contrabando, e acreditam que a atividade gere o dobro desse valor.
Concorrência
De volta ao Barrio Chino, há uma sensação de semi-histeria no ar. Os portões fecham ao meio-dia, e as mulheres correm contra o tempo para entregar a carga no Marrocos e retornar para a próxima remessa.
'Está um pouco mais calmo hoje', diz Arturo Ortega, um oficial com a Guarda Civil encarregado de manter a ordem e impedir avalanches humanas que geram sérios riscos à porteadoras.
'Se você vier aqui todos os dias, você começa a pensar que o que você vê é normal. Mas não é normal.'
Hasna está encostada em uma grade, sem qualquer pacote. Na frente dela está uma multidão de homens jovens, todos eles carregados.
'Os homens estão tomando nossos lugares', ela reclama. Tradicionalmente, os portadores têm sido as mulheres. Agora, elas enfrentam a concorrência dos homens desempregados marroquinos, e Hasna está tendo dificuldade em atravessar a multidão para pegar seu fardo.
Ela tem um filho e um marido doente. E está grávida de seis meses. Mas isso não a impede de trabalhar.
'Se eu fizer uma viagem hoje, eu vou ser paga cinco ou seis euros', diz ela. 'Se eu pudesse encontrar outro emprego limpando casas ou cozinhando, eu não estaria fazendo isso. Mas, no momento, não há nenhum outro trabalho.'
Indignação
Quem observa os homens também é Maria. Ela se destaca porque está apoiada em uma muleta.
Maria, diferente da maioria das porteadoras, fala um pouco de espanhol. Ela explica que feriu a perna quando caiu na fila - ela também teve um tumor na mama. Maria esteve aqui durante toda a manhã, mas com o caos no Barrio Chino, ela não se sente bem o suficiente para trabalhar. Hoje, ela vai voltar para casa sem ganhar nenhum dinheiro.
Maria vive do outro lado da fronteira de Melilla, em Beni Enzar. Ela tem dois quartos que divide com suas três filhas. Não há água corrente - um vizinho deixa ela usar uma torneira em sua casa.
Maria era casada e trabalhava como garçonete. Mas há quatro anos, sua vida começou a se desfazer. Depois de ter sido diagnosticada com câncer, o marido a deixou. Na época, Maria estava grávida de sua filha mais nova, Malak.
'O médico disse que eu iria perder o bebê com o tratamento, mas ela nasceu viva. É por isso que eu dei o nome de Malak, que significa anjo.'
Enquanto Maria fala, suas duas filhas mais velhas escutam. Nenhuma está na escola - elas ficam em casa para cuidar de sua irmã mais nova enquanto a mãe está no Barrio Chino. Elas se preocupam com a mãe.
'Esta não é a primeira vez que ela machucou a perna, e o médico disse que ela não deve levar nada pesado', diz Ikram de 16 anos. 'Ela só trabalha como porteadora para que possamos comer.'
Maria está indignada com a ideia de que suas filhas podem ser forçadas a se tornarem porteadoras também. 'Seria melhor para elas casarem', diz ela. 'É um trabalho perigoso e não há dignidade. Odeio esse trabalho, mas eu preciso dele.'
E então Sanaa, de 13 anos, coloca um pequeno skate sobre a mesa. Maria sorri. Essa prancha de madeira com rodinhas vai ajudá-la a carregar a mercadoria mais facilmente em suas viagens de Barrio Chino através da fronteira.
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UMA HISTÓRIA SINGULAR: UM MENINO RICO E UM MENINO POBRE

Uma história singular:O menino rico e o menino pobre

Situações que persistem num Brasil ainda desigual





Davison Coutinho*


Apenas 10 anos de diferença e um mundo de contrastes separam a história e o destino de um menino pobre e um menino rico. O segundo teve de tudo do bom e do melhor, estudou nas melhores escolas, se formou na Alemanha e aprendeu diversos idiomas às custas do pai que ganhou muito dinheiro fazendo obras megalomaníacas pagas pelo trabalhador brasileiro. O menino rico aprendeu com a cabeça megalomaníaca do pai que o incentivou a ficar bilionário as custas do estado. Fez obras com dinheiro público, inclusive com financiamento do BNDES, e era admirado pelo pai que o considerava um verdadeiro gênio.
Por outro lado, um menino, preto, pobre e criado na favela, de uma família de muitos irmãos e de muita pobreza contava com a sorte para sobreviver num lugar perigoso e dominado pelo crime e pela miséria.
O menino rico era apoiado pelo governo e pelos políticos, explorou petróleo, teve concessão do estado para ganhar dinheiro, fez fortuna, ficou famoso e chegou a afirmar que seria o homem mais rico do mundo.
Já o menino pobre, não pode estudar, teve que trabalhar desde cedo para sobreviver, foi criado por sua irmã, a quem considerava mãe, cresceu e formou sua família. Sete filhos e sua esposa, moravam em um cubículo sem banheiro, sem ventilação, um local insalubre e sem condições de moradia, onde dividiam o pouco que conseguiam para sobreviver.
Hoje, vemos que o menino rico que queria ser o homem mais rico do mundo, conseguiu tudo com dinheiro do povo brasileiro, investimentos eram feitos e todos acreditam que ele era bom para o pais. No entanto, todo esse dinheiro era nosso, era do povo trabalhador.
Já o menino pobre, voltava de mais um dia de trabalho quando foi abordado por policiais militares, foi torturado covardemente até a morte e sumiram com seu corpo. Deixou uma grande família que necessitava desse pai, mas acabaram numa situação ainda mais difícil e não puderem nem ao menos se despedir pela última vez enterrando seu corpo.
Agora, o menino rico e gênio, quer que o estado pague por sua recuperação após ir à bancarrota e ainda por cima dar o maior calote nos credores, só com o dinheiro que tomou do BNDES poderiam ser construídas milhares de casas para famílias como a do menino pobre, que morava na favela da Rocinha.
Enquanto nas favelas, vários filhos de Amarildos procuram seus pais para oferecer ao menos um enterro digno, filhos de bacana se mantém no luxo, estudando no exterior e estão no poder às custas do povo brasileiro que sustenta esses sanguessugas que apodrecem nossa sociedade e são apoiados pela elite.


*Davison Coutinho, 23 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Formando emdesenho industrial pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.

domingo, 3 de novembro de 2013

A QUARTA DIMENSÃO

 

universo natural  a atendimento a a a 4 dimensIsto tudo é muito claro: existe um Espírito em nós, uma Chispa divina que denominamos o Cristo, que nos eleva à Quarta Dimensão da vida – a um estado de Consciência em que não mais vivemos pelos esforços pessoais, pela sabedoria, pelo poder ou pela saúde pessoais – no qual somos investidos de um Poder que nos vem de dentro do Reino de nosso próprio ser.
Novamente repito: há um nível que atingimos neste mundo, em que já não vivemos a própria vida, senão que o Infinito Invisível a vive por nós, precedendo-nos no Caminho e solucionando tudo. Ele nos acompanha como a Fonte e a atividade de nossa vida diária, revelando-Se como água, maná, alimento, proteção, segurança e saúde. E ainda que o templo de nosso corpo ou o nosso lar fossem destruídos e nossos negócios desfeitos, esse Infinito Invisível os reconstruiria rapidamente, “restituindo os anos que foram consumidos pelo gafanhoto”.
Mesmo que defrontemos dificuldades, temores e discórdias – servirão para mostrar ao mundo que dentro de nós há um poder que supera as vicissitudes e tentações: “Maior é Aquele que está em mim, do que o que está no mundo”.
Pois bem, neste exaltado estado de Consciência Crística, avançamos sem barreira material, sem impedimentos físicos, emocionais, mentais ou financeiros. Em tal estado de Consciência divina, que é o Céu, as realidades do mundo de Deus se nos tornam tão reais quanto o plano sensorial, porque as limitações dos sentidos se desvaneceram.
Aos poucos, vamos entendendo que esta Presença e Poder são atemporais, pois, independentemente de quando se revelem à nossa Consciência, em verdade sempre existiram dentro de nós, sem que o soubéssemos. Em outras palavras, embora este Infinito Invisível esteja conosco agora, só chegará a ser marcantemente real e poderoso em nossa experiência – como o foi para os profetas hebreus e aos cristãos iluminados de outras épocas – através do desenvolvimento da Verdade em nossa Consciência; através da conscientização da Verdade em nossa Consciência; através da atividade da Verdade em nossa Consciência.
Agora dediquemos um momento à natureza ou função deste Poder que chamamos o Cristo. O Cristo é a atividade, a substância e a lei invisível de tudo quanto aparece como efeito. É por isso que não devemos deixar-nos hipnotizar pelas aparências. Com isso quero dizer que, se humanamente temos saúde ou riqueza, isso não significa havermos alcançado a imortalidade, a segurança. Mesmo que tenhamos um refúgio antiatômico na montanha, não pensemos haver encontrado segurança. Não ponhamos nossa fé ou dependência em nada, em nenhum efeito, em nenhuma pessoa. Doutra parte, não tenhamos temor ao pecado, à enfermidade ou à carência. Eles não têm poder nenhum. “Ainda que eu tenha de atravessar o vale das sombras da morte, não receio mal algum, porque Tu estás comigo”.
Ao encarar as condições humanas do bem e do mal aparentes, lembremo-nos sempre de tomar consciência de que todo efeito espiritual, harmonioso, é produzido pela atividade do Cristo. A atividade do Cristo manterá e sustentará todos os acontecimentos e experiências felizes e harmoniosas. Ainda que estes sejam momentaneamente perturbados ou destruídos, não nos deixemos alarmar. Não nos preocupemos com os órgãos ou funções de nosso corpo, nem pela situação econômica ou política, posto que a atividade do Cristo é a lei de Ressurreição de tudo isso.
O propósito de nosso Ministério Espiritual é o de nos elevar à Quarta Dimensão, onde não mais vivemos de efeitos, nem só de pão, ou vitaminas ou sais minerais; onde vivemos mercê da atividade do Cristo, do Infinito Invisível. Nesta Quarta Dimensão da vida, que é Consciência Espiritual, todo efeito que surgir em nossa experiência, será na medida de nossa necessidade, para suprir-nos abundantemente.
Recordemos, sem lugar a dúvidas, que o Cristo é o fundamento, a lei ou o desabrochar de nossa experiência.
A Quarta Dimensão é esse estado de consciência em que toda a nossa confiança, fé, dependência e compreensão estão firmadas no Infinito Invisível, no Qual aprendemos a usufruir as conquistas do Espírito e as harmonias de viver diariamente na Graça.
Ainda que não O contemplemos com nossos olhos, sem dúvida alguma, na câmara secreta, interna, de nosso ser, descobriremos espiritualmente, em nossa meditação, a atividade do Cristo em nossa vida!

Joel Goldsmith

QUANDO SENTIR ENERGIA RUIM, NÃO TENHA MEDO. REAJA

 

-                                a  reajaSe você for uma pessoa sensível, já deve ter registrado a quantidade de energias negativas que estão à nossa volta. Elas nos envolvem de repente, provocando mal-estar, tendo ou não conhecimento do assunto. Os sintomas se repetem: corpo pesado, arrepios, sudorese, enjoo, sensação de desmaio, impressões penosas, medo de um perigo iminente e da morte.
O médico informa que você não tem nenhuma doença física. Essa certeza acalma, renova sua confiança na saúde mas não impede que esse mal-estar apareça de novo. Trata-se de um fenômeno natural e quem deseja evitá-lo precisa aprender a lidar com ele.
Muitos recorrem à ajuda dos grupos de terapia, aos centros espíritas. A sabedoria popular já troca informações sobre as causas dessa captação energética e os diversos meios de minimizá-la. Todos esses recursos são úteis de alguma forma, mas o que garante um sucesso maior é a educação do seu emocional, cujos pontos fracos atraem naturalmente energias afins.
As turbulências do mundo moderno, forçando mudanças na sociedade, acelerando o progresso tecnológico, encurtou distâncias, apressou o contato entre os países, que foram forçados a encarar suas diferenças culturais. A resistência de alguns torna difícil manter a paz. As guerras continuam ensanguentando o mundo.
O espírito de Lucius, meu amigo espiritual, conta que apesar do tempo decorrido, os hospitais do astral estão repletos de espíritos que viveram os horrores das guerras, carregando sequelas que apesar do tratamento ainda não conseguiram se recuperar.
É preciso lembrar que uma guerra mundial, onde os bombardeios constantes ameaçam a população civil, induz ao imediatismo, faz com que as pessoas vivam com mais intensidade. Com homens na guerra, as mulheres foram obrigadas a assumir o trabalho deles e libertar-se dos conceitos antigos. A revolução dos costumes quebrou tabus, mudou conceitos. A hipocrisia da sociedade foi revelada e muitos perderam a noção do bem e se afundaram nos exageros, resvalando para hábitos destrutivos. Hoje, colhem o resultado de suas escolhas, tanto no astral como na Terra.
Quem está sofrendo emite energias dolorosas onde quer que esteja. No astral ou na crosta terrestre, há espíritos vingativos, interferindo na vida das pessoas. Mas eles só atingem os que estão no negativismo. Quando sentir energia ruim, não tenha medo. Reaja. Reveja um momento de felicidade que teve, sinta sua alegria. Não dê força à maldade, fique no bem. Essa energia ruim não é sua. Mande-a embora com firmeza. Insista e sentirá alívio. Vacine-se contra esse mal. Você pode.
 
Zibia Gasparetto

POR QUE É DIFÍCIL ABRIR MÃO DAS EMOÇÕES NEGATIVAS

 

Por que é difícil abrir mão das emoções negativasPor que é difícil abrir mão das emoções negativas? Há mais de uma razão. Primeiro, as emoções negativas são a ponta do iceberg, portanto, toda vez que ficar zangado ou ansioso, por exemplo, há muito mais desses sentimentos guardados inconsciente. Segundo, a negatividade é pegajosa. Ela se agarra a nós tanto quanto nos agarramos a ela. Esse grude é um mecanismo de sobrevivência. Os sentimentos acham que têm o direito de existir. Assim como você, seus sentimentos justificam a existência deles. Oferecem motivos, constroem uma história convincente. No entanto, apesar de todas essas coisas, você pode se desprender da negatividade quando souber como.
O processo começa com o reconhecimento de seus sentimentos indesejados, trazendo-os à superfície. Você precisa se desprender de toda a negatividade. Há um ato de equilíbrio aqui, porque você quer assumir responsabilidade (“Isso é meu”), sem exagerar, e se identificar com sua negatividade (“Isso sou eu”). A negatividade não é você, uma vez que você conhece seu self verdadeiro. Portanto, considere qualquer reação negativa como se fosse uma alergia, ou uma gripe, algo que modifica sua situação apenas temporariamente. Uma alergia é sua, mas não é você.
A gripe o deixa infeliz, mas não significa que você está condenado a ser uma pessoa infeliz.
Quando encontrar meios de desfazer o grude da negatividade, será mais desprendido. As afirmações seguintes funcionam com esse intuito de desprendimento:
•          Posso passar por isso. Não vai durar para sempre.
•          Já me senti assim antes. Consigo lidar com isso.
•          Não me sentirei melhor descarregando em outra pessoa.
•          Ninguém jamais ganha no jogo de colocar a culpa no outro.
•          Extravasar acaba levando ao arrependimento e à culpa.
•          Posso ser paciente. Vejamos se consigo me acalmar em breve.
•          Não estou sozinho. Posso ligar para alguém que me ajude a passar por esse momento ruim.
•          Sou muito mais que meus sentimentos.
•          Os humores vão e vêm, até mesmo os piores.
•          Sei como me centrar.
Se conseguir transformar qualquer uma dessas afirmações em realidade, estará acrescentando-as às suas habilidades para lidar com a situação. Como fazer para torná-las realidade? Querendo que elas sejam reais. Você precisa ter a intenção de ser desprendido, centrado, paciente e alerta. Se tem essa intenção, automaticamente estará alinhado com o desprendimento. O oposto disso é estar tão preso que o grude e a negatividade aumentem. Isso ocorre quando você tem os seguintes pensamentos:
•          Sinto-me horrível. Não mereço isso. Por que eu?
•          Alguém vai pagar. Não provoquei isso para mim.
•          Em quem posso descarregar o que estou sentindo?
•          Isso está me deixando louco.
•          Ninguém pode me ajudar.
•          Como posso me distrair até esse sentimento passar?
•          Preciso da minha droga favorita para sair dessa situação.
•          Quando estou me sentindo tão mal assim, é melhor todo mundo se preparar.
•          Quero ser resgatado.
•          Alguém está me perseguindo.
•          Isso tem que ser resolvido agora mesmo.
•          Não posso evitar de me sentir desse jeito. Simplesmente fico desse jeito quando estou na adrenalina.
Percebo que “desprendimento” é um termo que as pessoas do Ocidente identificam com o fatalismo e a indiferença do Oriente. Portanto, faça desse o primeiro conceito a reformular de maneira positiva. Desprendimento não demonstra indiferença. Demonstra que você realmente não quer a negatividade grudada em você.