sábado, 21 de junho de 2014

OS COTISTAS DESAGRADECIDOS

Família de Albino Postali e Rosa Frizera Postali_ Caxias do Sul _ 1911_ Foto de Primo Postal
Por Tau Golin*, em  Sul 21
A incoerência é típica dos desagradecidos. É o auge da hipocrisia individualista, o que há de mais nojento no ser humano. A cena patética de cuspir no prato e enfumaçar a história.
Depois que o Brasil começou recentemente a política de cotas, a algaravia da intolerância tomou conta do país. A cota, no geral, é um pequeno acelerador para retirar as pessoas da naturalização da miséria, um meio temporário de correção histórica da condição imutável da pobreza. Se a política de cotas é essencial em sociedades estratificadas, pode-se imaginar a sua necessidade neste Brasil amaldiçoado pela escravidão e etnicídio dos povos indígenas.
Nos meios de comunicação observa-se o triunfo de uma enganosa ética do trabalho, o elogio do esforço individual, como se seus porta-vozes levantassem como fênix das cinzas das dificuldades para o voo da prosperidade. Gente empobrecida, ao mesmo tempo, amaldiçoa os cotistas, culpando-os pela sua condição de pouco progresso, apesar de trabalharem a vida toda como jumentos. Invariavelmente realizam o elogio do trabalho, do esforço pessoal, sem questionarem aqueles que acumulam os produtos de seu esgotamento e imutabilidade social.
Nos ambientes sociais, invariavelmente, escuto descendentes de imigrantes condenarem a política de cotas. São ignorantes ou hipócritas. A parte rica do Rio Grande do Sul e outras regiões do Brasil é o presente de cotistas do passado. As políticas de colonização do país foram as aplicações concretas de políticas de cotas. Aos servos, camponeses, mercenários, bandidos, ladrões, prostitutas da Europa foi acenado com a utopia cotista. Ofereceram-lhes em primeiro lugar um lugar para ser seu, um espaço para produzir, representado pelo lote de terra; uma colônia para que pudesse semear o seu sonho.
E lhes alcançaram juntas de bois, arados, implementos agrícolas, sementes, e o direito de usar a natureza – a floresta, os rios e minerais – para se capitalizarem. No processo, milhares não conseguiram pagar a dívida colonial e foram anistiados. E quando ressarciram foi em condições módicas.
Sendo cotistas do Brasil puderam superar a maldição de miseráveis, pobres, servos, e de execrados socialmente. Muitos sequer podiam montar a cavalo, hoje, seus descendentes são até patrões de CTG, mas condenam as cotas, a mão, a ponte, o vento benfazejo, que mudaram a vida de suas famílias.
No início, no século XVIII, sobre os territórios dos charruas, minuanos, kaingangs e guaranis se aplicou a cota de “sesmaria”, um módulo de algo em torno de 13.000 (sim, treze mil) hectares. Se exterminou dois povos nativos para se formar a oligarquia. Em seguida, na metade do mesmo século, aos casais açorianos, destinaram-se “datas”, equivalentes a 272 hectares. No século XIX, aos imigrantes, concederam-se as “colônias”, de mais ou menos 24 hectares. E vieram as colonizadoras particulares e as secretarias do Estado sobre os territórios dos kaingangs e guaranis. E depois a reforma agrária. E mais os programas de expansão da frente agrícola no Brasil central, no Mato Grosso e na Amazônia, com filhos do Rio Grande, na maioria as primeiras gerações dos imigrantes.
Portanto, o Rio Grande é o produto dos cotistas, os quais demandaram sobre outras regiões do país.
E nesta história, a conclusão é óbvia: dificilmente se encontra um indivíduo que não tenha tido familiar cotista. A formação do mercado capitalista de força de trabalho é outra conversa. Faz parte do sistema. Como integra a perversão social o fato histórico de que os proprietários tendem ao individualismo, à baixa solidariedade, ao acúmulo sem compromisso cidadão. Demonstram isto os herdeiros dos cotistas do passado e dos programas de incentivos recentes, com a discriminação, a falta de solidariedade, exacerbado racismo, e o típico deboche dos idiotas.
*Tau Golin é jornalista e historiador.
-
Enviada para Combate Racismo Ambiental por José Carlos.

O ANALFABETO FUNCIONAL


O analfabeto 
funcional
Por Braulio Tavares
As próprias palavras são o detalhe essencial: 
repetir o que foi lido é fácil, mas o propósito do exercício é saber se somos capazes de traduzi-lo
Pesquisas recentes mostram que grande parte dos universitários brasileiros é de analfabetos funcionais, isto é, são capazes de ler corretamente um texto, inclusive em voz alta, mas não conseguem entender o significado. (Na melhor das hipóteses, saem pela tangente com aquele velho papo de estudante preguiçoso: “Eu sei, mas não sei como explicar”.) Quando eu era estudante havia certa insistência das professoras (nessa fase mais remota, eram sempre mulheres) em dizer: “Leia esse texto, e depois o explique com suas próprias palavras”.  As “próprias palavras” são o detalhe essencial, porque repetir o que foi lido é fácil, mas o propósito do exercício é saber se somos capazes de traduzi-lo (sim, é um processo tradutório, tanto quanto o de passar uma frase do inglês para o português).
Todo mundo pode decorar um soneto de Camões: Sete anos de pastor Jacó servia/Labão, pai de Raquel, serrana bela… Eu gostaria que um hipotético aluno meu me reproduzisse esse soneto em algo como: “Eita, professor, parece que o sogro dele enrolou ele… Ele queria casar com uma moça e prometeu trabalhar de graça pro véi, aí o véi era trambiqueiro, deu a outra filha, aí ele disse, tem nada não, danado – eu faço tudim de novo, mas agora quero a minha noiva, e se não me der, aí o diabo se solta!” Alguns professores rejeitariam uma interpretação tão heterodoxa. Eu daria nota 10 ao moleque.
Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física, ensinou numa universidade brasileira e admirou-se ao ver como seus alunos, que sabiam de cor uma lei sobre a polarização das ondas luminosas, eram incapazes de explicar um efeito qualquer da visão da Baía da Guanabara através das vidraças da sala de aula. Na cabeça deles, a lei da Física era um simples texto, e a passagem da luz pela vidraça não tinha nada a ver com ela.
Seria o caso de questionarmos o analfabetismo funcional de uma parte muito maior da sociedade. Algumas pessoas são capazes de ler a Bíblia, a Constituição ou a Declaração dos Direitos do Homem, jurar-lhes fidelidade, e desobedecer-lhes sem piscar o olho. São incapazes de ver alguma relação entre aquelas palavras impressas no papel e os atos que estão praticando. Claro que muitos fazem isso por mau-caratismo. Mas não duvido que outros agem assim por deficiência intelectual mesmo. Uma coisa é aquele texto que alguém os obrigou a decorar um dia, e outra coisa muito diferente são os fatos da sua vida. Acham-se pessoas de bem, e sua sinceridade poderia ser comprovada até num detetor de mentiras.

ELITE BRASILEIRA USA A COPA DO MUNDO PARA MOSTRAR SEU DESCONFORTO EM SER BRASILEIRA


ellusmatsukawa

A Elite brasileira e a Copa do Mundo

Por: Mauricio Savarese
“Abaixo este Brasil atrasado.” É assim que a marca Ellus decidiu se envolver com a Copa do Mundo — colocando essa mensagem em uma camisa. Eles devem ter uma resposta oficial tosca, dizendo que é contra os gargalos, e não contra o país. Ainda assim todos os brasileiros que entendem nossa síndrome de vira-lata sabem o que querem dizer as pessoas que usam essa peça. Afinal de contas, a maioria dos frequentadores da Ellus são pessoas que não usam o sistema público de saúde. Eles não estudam em escolas públicas. E eles raramente põe os pés em transporte público nas principais cidades do Brasil (embora tenham prazer em fazê-lo no exterior).
Então, por que eles frustrados? Seriam eles tão altruístas quanto os ativistas que protestam com um objetivo, seja qual for esse objetivo? Ou os brasileiros ricos expressam suas críticas por puro tédio?
Minha resposta é que os brasileiros ricos estão frustrados por serem brasileiros. E eles envenenam o tom sobre a Copa do Mundo no Brasil mais do que os erros e o mau planejamento na preparação do evento. Não é lá grande notícia para quem já foi a uma festa brasileira nos Jardins ou no Leblon. Mas este é provavelmente um bom momento para apontar o que está acontecendo.
Alguns elitistas lidam com essa realidade perturbadora de ser brasileiro de maneira pró-ativa : tentam conseguir um passaporte europeu, como se realmente tivessem uma ligação familiar importante com o exterior. Outros optam por distorcer símbolos que estão ligados ao país que rejeitam. Isso já foi feito antes. Samba, sertanejo, feijoada e todas as coisas muito do Brasil são descartadas ou transformadas em uma versão gourmet que se encaixa no gosto supostamente melhor da nossa elite.
O futebol até pouco estava no meio do caminho — não se pode desbrasilisar o futebol. Mas, agora, os clubes europeus estão cada vez mais popular aqui . Talvez isso mostre que a atenção também está mudando nessa área. Seria uma boa razão para explicar por que as críticas à Copa do Mundo, irrelevantes não muito tempo atrás, deram à elite brasileira a oportunidade de expressar seu aborrecimento.
Os protestos de junho de 2013 mudaram o cenário para as elites brasileiras. Depois que os protestos contra os aumentos nas tarifas de transporte se tornaram uma onda nacional, incluindo gente de todo tipo, os brasileiros ricos se fizeram muito barulho, pela primeira vez em muito tempo. Era o momento de eles mostrarem sua presença depois de anos e anos de movimentos frustrantes (vide Cansei). Eles usaram a legitimidade dos protestos iniciais para darem a impressão de que estávamos todos no mesmo barco. A Copa do Mundo foi certamente um grande elo de ligação para eles.
Os gastos da Copa do Mundo só entraram no debate depois que o movimento explodiu. Embora os preparativos certamente mereçam críticas, apenas um ano antes do torneio nossa elite descobriu que isso poderia chamar mais a atenção para tudo de que não gosta no Brasil. De repente, fizeram o Brasil parecer antidemocrático como a Coréia do Norte, pobre como o Paraguai, caótico como a Índia, agressor dos direitos humanos como a Arábia Saudita, corrupto como a Rússia. O Brasil tem certamente pedaços disso tudo, mas é bem diferente de todos esses países.
Mesmo se o Brasil fosse ruim assim, nossa elite teria que buscar explicações nela mesma, e não apontar o dedo. Claro que existem exceções, mas brasileiros ricos, educados, bem viajados e contrários à Copa do Mundo não parecem muito interessados ​​em compartilhar o país que receberá o torneio basicamente porque começou a compartilhar seus lucros com os pobres.
O fato de o Brasil ter distribuído alguma riqueza nos últimos 20 anos não casa bem com jovens riquinhos que ouvem os seus avós ricões dizerem maravilhas sobre o tempo do regime militar, por exemplo. Alguns se identificam com os partidos da oposição e por isso criticam, mas é apenas uma questão de gosto: no que importa, o PT não é muito diferente do PSDB. Incluindo a ideia de receber a Copa do Mundo.
Nada surpreendentemente, são essas pessoas que defendem um tratamento mais duro a quem está fora do seu quadrado. Eles querem reduzir a maioridade penal, ampliar o policiamento ostensivo, transformar corrupção em crime hediondo (somente para os funcionários públicos, não para quem suborna) e assim por diante.
Entre esses tipos também estão os críticos das medidas para trazer médicos estrangeiros. Outros são os próprios médicos que se recusam a trabalhar em comunidades pobres — eles querem ganhar mais trabalhando como dermatologistas nas capitais. Não me parece que as elites europeias, americanas ou asiáticas sejam tão egoístas. É provavelmente uma coisa bastante da nossa América Latina. Azar o nosso.
Que melhor símbolo para a elite brasileira canalizar a sua frustração com o Brasil diferente do desejado por ela do que atacar a Copa do Mundo, o evento que faz o país parar a cada quatro anos? O apoio dos brasileiros ao torneio certamente caiu no último ano, mas são os chavões espalhados pelos ricos brasileiros (às vezes em inglês ) que estão no centro das atenções, como se esses caras vivessem as queixas que abordam. A verdade é que a maioria deles nem sequer se preocupa com prioridade para saúde e educação. Não usariam o sistema público nem que pudesem. Muitos estão sequestrando a agenda social da qual discordam para fazer crítica superficial e politicamente desengajada .
Isso é um muitas vezes um disfarce para o desconforto da elite em ser brasileira , ao contrário das críticas daqueles que tentam dar um sentido a seu antagonismo.
A grande mídia já notou a rejeição elitista e a amplifica. Vídeos como o de Carla Dauden, sugerindo um boicote à Copa do Mundo, são usados ​​para mostrar que há um sentimento ruim sobre o torneio em todo o país. Mas esse é o sentimento da “classe média alta”, como eles gostam de se definir (PSC: entre os ricos, aparentemente não há ricos no Brasil.)
Sediar a Copa do Mundo, um prêmio dado por conta da inclusão social que promovemos, está sendo transformado em um simples “nós gastamos muito, recebemos pouco”. O tom usado por muitos brasileiros ricos não é “vamos ajeitar isso” — a maioria deles sabe muito pouco de política para realmente se envolver com substância. Sua mensagem é “dane-se tudo” (como vídeo boicote de Carla Dauden sugere). Parece que o Brasil atrasado merece ser constrangido pelos carrascos, não pelas vítimas. As vítimas sabem criticar, mas não se envergonham do seu país.
Os elitistas mais argutos que criticam a Copa do Mundo no Brasil também têm usado essa grande chance para mostrar que não se relacionam com o futebol como todos os outros — venderam a idéia de que quem se envolve com a Copa do Mundo é que está desengajado com o Brasil. Eles se mostram como agentes reais da mudança, embora sejam completamente o oposto — basta olhar para as suas outras sugestões e você verá que as elites brasileiras não poderiam se importar menos com quem foi despejado por causa dos novos estádios, por exemplo.
Não sou marxista. Mas é difícil defender uma das elites mais tacanhas do mundo. Muitos jornalistas estrangeiros que passaram tempo suficiente aqui concordam comigo.
As favelas do Brasil de alguma forma lembraram nossa elite pequerrucha, branca e às vezes fanática religiosa que as chaves da escravidão estavam nos seus bolsos. Também por isso, criticam a Copa do Mundo que será jogada não muito longe dessas senzalas modernas. Nos morros do Rio e na periferia de São Paulo, existem centenas de milhares de pessoas cujos bisavôs não poderiam ser contratados porque os ex-donos não iriam comprar a sua propriedade novamente.
Esses brasileiros ricos não culpam apenas os governos e o comitê organizador da Copa do Mundo por atrasos nas obras: eles consideram os pedreiros lentos e ineficazes. É assim que eles satisfazem seu fetiche: os pobres são responsáveis por sua pobreza.
Elitistas brasileiros muitas vezes vêem uma pessoa negra como empregada doméstica ou motorista em potencial, sabemos disso. Se eles não recebem um copo de suco de laranja às 8 horas provavelmente é porque essas os pobres são apenas um bando de ingratos preguiçosos. “Só no Brasil”, me disse uma vez um executivo numa situação parecida.
(Não é muito diferente do que a revista The Economist recentemente sugeriu em uma compreensão muito pobre da complexidade do Brasil.)
Grande parte da mídia brasileira gira em torno da nossa pequena elite para escrever suas histórias. Embora existam ativistas com preocupações razoáveis sobre direitos humanos e melhores serviços para todos, mesmo na elite, a maior parte da mensagem disseminada tem a ver com o que os brasileiros ricos podem expressar em inglês. É assim que eles se fazem conhecidos: lamentando tudo aquilo que não entendem no Brasil. (Veja o caso da Arena Corinthians. Fica em uma região pobre. Muitos elitistas dizem que não vão lá porque é “uma parte feia da cidade”.)
Essa camisa pela Ellus é um grande exemplo de um velho padrão dos ricos brasileiros : eles fingem tudo o que está errado no Brasil não tem nada a ver com eles. A corrupção não começa com suas empresas. A desigualdade não surge do fato de eles pagarem menos impostos do que todo mundo (e ainda burlam o fisco se puderem). Pilantras nunca foram eleitos por eles nem financiados por eles. As partes atrasadas do Brasil não devem ser corrigidas por meio de políticas — a ideia dos elitistas é provar que o sucesso depende exclusivamente de cada um.
Se os outros fracassam, nada tem a ver com eles.
É difícil prever se eles conseguirão constranger Brasil até o final da Copa. Os protestos são mais mensuráveis do que a campanha de humilhação. De todos os legados, o que mais quero ver é o Brasil atrasado vencendo seus críticos. Eu venho do Brasil atrasado. Se a Copa do Mundo fosse nosso maior problema, seria ótimo.
Se a Copa do Mundo não for um sucesso, estarei aqui para reportar o que acontecer. Mas torço para que seja. Não só por causa de experiências anteriores em grandes eventos esportivos . É porque eu quero ver as pessoas que usam essa camisa engolirem o Brasil atrasado muito em breve.
Abaixo a Ellus!


QUEM ENVERGONHOU O PAÍS AQUI E LÁ FORA?

leonardo-boff-bento-xvi
Por:Leonardo  Boff
Pertence à cultura popular do futebol a vaia a certos jogadores, a juízes e eventualmente a alguma autoridade presente. Insultos e xingamentos com linguagem de baixo calão que sequer crianças podem ouvir é coisa inaudita no futebol do Brasil. Foram dirigidos à mais alta autoridade do pais, à Presidenta Dilma Rousseff, retraída nos fundos da arquibancada oficial.
Ignorante, sem educação e descarado não é o povo, como costumam pensar e dizer. Descarado, sem educação e ignorante é o grupo que pensa e diz isso do povo
Esses insultos vergonhosos só podiam vir de um tipo de gente que ainda têm visibilidade do pais, “gente branquíssima e de classe A, com falta de educação e sexista’ como comentou a socióloga do Centro Feminista de Estudos, Ana Thurler.
Quem conhece um pouco a história do Brasil ou quem leu Gilberto Freyre, José Honório Rodrigues ou Sérgio Buarque de Hollanda sabe logo identificar tais grupos. São setores de nossa elite, dos mais conservadores do mundo e retardatários no processo civilizatório mundial, como costumava enfatizar Darcy Ribeiro, setores que por 500 anos ocuparam o espaço do Estado e dele se beneficiaram a mais não poder, negando direitos cidadãos para garantir privilégios corporativos. Estes grupos não conseguiram ainda se livrar da Casa Grande que a tem entrenhada na cabeça e nunca esqueceram o pelourinho onde eram flagelados escravos negros. Não apenas a boca é suja; esta é suja porque sua mente é suja. São velhistas e pensam ainda dentro dos velhos paradigmas do passado quando viviam no luxo e no consumo conspícuo como no tempo dos príncipes renascentistas.
Na linguagem dura de nosso maior historiador mulato Capistrano de Abreu, grande parte da elite sempre “capou e recapou, sangrou e ressangrou” o povo brasileiro. E continua fazendo. Sem qualquer senso de limite e por isso, arrogante, pensa que pode dizer os palavrões que quiser e desrespeitar qualquer autoridade.
O que ocorreu revelou aos demais brasileiros e ao mundo que tipo de tipo de lideranças temos ainda no Brasil. Envergonharam-nos aqui e lá fora. Ignorante, sem educação e descarado não é o povo, como costumam pensar e dizer. Descarado, sem educação e ignorante é o grupo que pensa e diz isso do povo. São setores em sua grande maioria rentistas que vivem da especulação financeira e que mantém milhões e milhões de dólares fora do país, em bancos estrangeiros ou em paraísos fiscais.
Bem disse a Presidenta Dilma: “o povo não reage assim; é civilizado e extremamente generoso e educado”. Ele pode vaiar e muito. Mas não insulta com linguagem xula e machista a uma mulher, exatamente aquela que ocupa a mais alta representação do país. Com serenidade e senso de soberania pessoal deu a estes incivilizados uma respota de cunho pessoal:”Suportei agressões físicas quase insuportáveis e nada me tirou do rumo”. Referia-se às suas torturas sofridas dos agentes do Estado de terror que se havia instalado no Brasil a partir de 1968. O pronunciamento que fez posteriormente na TV mostrou que nada a tira do rumo nem a abala porque vive de outros valores e pretende estar à altura da grandeza de nosso país.
Esse fato vergonhoso recebeu a repulsa da maioria dos analistas e dos que sairam a público para se manfiestar. Lamentável, entretanto, foi a reação dos dois candidatos a substitui-la no cargo de Presidente. Praticamente usaram as mesmas expressões, na linha dos grupos embrutecidos:”Ela colhe o que plantou”. Ou o outro deu a entender que fez por merecer os insultos que recebeu. Só espíritos tacanhos e faltos de senso de dignidade podiam reagir desta forma. E estes se apresentam como aqueles que querem definir os destinos do país. E logo com este espírito! Estamos fartos de lideranças medíocres que quais galinhas continuam ciscando o chão, incapazes de erguer o voo alto das águias que merecemos e que tenham a grandeza proporcional ao tamanho de nosso país.
Um amigo de Munique que sabe bem o portugues, perplexo com os insultos comentou:”nem no tempo do nazismo se insultavam desta forma as autoridades”. É que ele talvez não sabe de que pré-história nós viemos e que tipo de setores elitistas ainda dominam e que de forma prepotente se mostram e se fazem ouvir. São eles os principais agentes que nos mantém no subdesenvolvimento social, cultural e ético. Fazem-nos passar uma vergonha que, realmente, não merecemos.
Fonte:Brasil247

VIOLENCIA RACIAL - A TENTATIVA DE REDUÇÃO DO SER NEGRO





black2
Por Gustavo Fernandes e Fernando Monteiro
Nas últimas décadas, a desigualdade racial existente no Brasil foi evidenciada por inúmeros estudos estatísticos, tendo como marco referencial as pesquisas de Nelson do Valle Silva e Carlos Hasenbalg, ambas de 1979. A antes idolatrada democracia racial foi desta forma desmascarada como mito, pois não condizia com os achados de pesquisa publicados por esses estudos, que indicava a existência de um processo histórico e persistente de marginalização do negro na hierarquia socioeconômica vigente.
Contudo, as causas e consequências dessa desigualdade ainda não são objetos de consenso dentro do âmbito acadêmico, uma vez que a denúncia dessa segregação veio acompanhada de um contraponto: a noção de que, embora exista racismo na sociedade brasileira, em se tratando de relações de sociabilidade e convívio entre brancos e negros, o Brasil ainda estaria em uma posição mais privilegiada se comparado a países que tiveram uma história de intensos conflitos e violência interracial, como as leis Jim Crow nos Estados Unidos e o Apartheid na África do Sul. Todavia, relatórios publicados nos últimos anos evidenciam um fenômeno contraditório a essa noção, o genocídio do povo negro, decorrente não só da formulação de políticas públicas que deixam de contemplar esse segmento da população, o que poderia ser enquadrado como “racismo institucionalizado”, mas também da marginalização histórica que aflige a população negra que a enclausura em espaços flagelados pela miséria e pela insalubridade.
A partir desses achados um novo tipo específico de violência surge: a violência racial, ou seja, aquela cujos processos e consequências se direcionam a um grupo racial em particular, no caso, a população negra. Rodnei Silva e Suelaine Carneiro, autores do relatórioViolência Racial, uma leitura sobre os dados de homicídios no Brasil, apontam de forma pertinente de que a violência contra o negro não se esgota apenas no homicídio por ele sofrido, uma vez que “a preocupação com a violência deveria ir além da brutalidade que se encerra na morte. Ela deveria ser apreendida também no desrespeito, na negação, na violação, na coisificação, na humilhação, na discriminação [do negro].” Acreditamos ser por essa perspectiva que devemos discutir a violência a qual está submetida a população negra, de modo a poder englobar todos os tipos de violência que esse segmento populacional sofre por conta de sua posição social, tanto física quanto simbólica.
Um exemplo flagrante de violência racial e que tomou os noticiários nos últimos meses, tanto da mídia tradicional corporativa quanto nos espaços virtuais construídos pela mídia alternativa, o midiativismo, se trata das consequências causadas pela militarização em curso da periferia e da favela, que acaba resultando no acirramento dos conflitos nesses espaços, com maior número de desaparecimentos, autos de resistência e homicídios registrados. Vale destacar que tal violência atinge toda a população das favelas, incluindo brancos pobres; contudo, o processo histórico que envolve intrinsicamente a relação do povo negro com a favelização torna essa população alvo prioritário imposta pelo desenvolvimento da militarização.
Cabe aqui uma breve explicação sobre a marginalização do favelado. A imagem forjada do negro favelado como marginal, adepto ou conivente com o banditismo, tem forte influência na forma como é concebida a abordagem das forças policiais em indivíduos que se encaixem nos parâmetros identitários desse estigma, assim como influencia também o imaginário da classe média urbana que, sem dúvidas, é uma das bases de apoio e legitimação ao projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a crescente militarização das favelas. O jovem negro é, portanto, o primeiro em ordem de importância para “tomar uma dura” que normalmente é vexatória, agressiva e extremamente humilhante, diferentemente do modo como se dá a abordagem a um branco de classe média em situação semelhante.
Os casos recentes dos assassinatos do dançarino Douglas (DG), da dona-de-casa Cláudia Silva Ferreira e do pedreiro Amarildo Dias de Souza, todos negros, ilustram esse cenário. Somente ao branco, mais especificamente à classe média branca, é dado o benefício da dúvida, o direito à defesa; ao negro, logo enquadrado como marginal ou bandido, em acordo com esse imaginário do estigma racial, é imposta a pena capital, sem direito a defesa ou presunção de inocência, colocando-o à mercê do julgamento do policial.
Como abordamos acima, não é apenas a violência física que viola os corpos negros; além disso, toda uma gama de valores erroneamente atribuídos, direitos negados, ausência de políticas públicas focalizadas e uma cultura de perseguição e marginalização coloca o negro em uma posição estrutural subalterna no quadro social brasileiro. Podemos exemplificar alguns desses fatores com fenômenos recentes como, além do genocídio do povo negro, a perseguição imposta às religiões de matriz africana, a repressão à cultura dos rolezinhos e dos bailes funks, o quadro desolador de estrutura de saneamento básico em periferias e favelas, a baixa inserção de pessoas negras no mercado de trabalho, no sistema educacional e até no campo simbólicoda teledramaturgia, onde o negro sistematicamente assume um papel subalterno ou de vilão em relação ao branco, via de regra, sempre em papéis de não-protagonistas.
Ainda no campo simbólico, onde a violência não é menos concreta, não custa lembrar do concurso Miss Salvador, realizado em 2013, na capital da Bahia, onde todas as candidatas eram brancas em um estado onde os negros correspondem a 76,3% da população total, o que demonstra a imposição de um parâmetro ou ideal de beleza propagandeado por uma sociedade que deseja a todo custo rejeitar sua negritude e os traços físicos e estéticos consequentes da predominância negra e afrodescendente na população como um todo. A violência contra o povo negro, portanto, vai além daquela de ordem física, como no caso dos homicídios e desaparecimentos – elatambém se reproduzno âmbito simbólico, da moral e da cultura.
Willem Schinkel, ao trabalhar com o conceito de violência, a define como umaredução do ser, ou seja, a redução de uma pessoa a apenas um de seus aspectos entre tantos outros desdobramentos possíveis em uma dada situação; as alternativas são inúmeras, mas a ação violenta direcionada a essa pessoa reduz e limita o espectro de possibilidades, onde a situação desdobra-se em apenas um resultado possível. Logo, a violência racial estaria por reduzir as possibilidades de ser da pessoa negra. Quando certos valores morais, estéticos e simbólicos, tradicionalmente brancos, são considerados como legítimos e como padrões os quais toda a sociedade deve seguir, temos um caso de violência simbólica, onde o negro é obrigado a sentir vergonha de si e abrir mão de valores que não se encaixam no padrão hegemônico, causando assim baixa autoestima e sentimentos de inferioridade e incapacidade.
Em concordância com essa constatação, algumas pesquisas que buscaram entrevistar candidatos negros ao vestibular apontam que estes normalmente optam por concorrer a cursos de baixa concorrência por se considerarem incapazes de competir no acesso a cursos mais valorizados, como medicina ou direito. Esse sentimento de incapacidade não é fruto apenas da má qualidade das escolas públicas nas quais eles estudaram, mas também da própria discriminação racial que eles são obrigados a conviver diariamente nessas escolas, onde professores acabam por dar mais atenção aos seus estudantes brancos, tendendo a acreditar que seus alunos negros não são capazes de desenvolver o aprendizado.
À visto disso, lutar contra o genocídio do povo negro é lutar contra todas as formas de opressão direcionadas a essa população, é lutar contra a redução do negro, contra a limitação de suas possibilidades e escolhas, uma vez que a violência simbólica na qual ele está submetido faz parte de um processo maior de marginalização e discriminação contra pessoas negras. Tal processo acaba por culminar no enclausuramento desse segmento populacional em espaços como a favela e a periferia, locais onde a vida cotidiana se encontra atualmente controlada pela militarização, além de sofrer com a invisibilidade, transformando-os em espaços esquecidos ou negligenciados pelas políticas não só de segurança pública, mas por outras que visem enriquecer a vida e o convívio cotidiano. Lutar contra o genocídio é, antes de tudo, lutar pelo empoderamento do negro frente a uma sociedade que a todo momento não hesita em lhe impor um papel de inferioridade, os reduzindo a um confinamento onde tudo que ele deve fazer é reproduzir os valores e os padrões hegemônicos, tradicionalmente brancos, em detrimento de seus próprios. É com base nestas reflexões que ressaltamos aqui a importância do engajamento de toda a sociedade nas mobilizações puxadas pelo movimento negro, como as Marchas contra o Genocídio do Povo Negro, que terão amplitude nacional e visam chamar atenção para os alarmantes indicadores referentes à violência racial verificados nos dados apresentados.
violencia-racial-portal-geledes
Referências:
SILVA, Nelson do Valle. (1979) White-Non-white income differentials: Brazil. Tese de PhD, Michigan, Ann Arbour.
HASENBALG, Carlos Alfredo. (1979) Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Rio de Janeiro, Graal.
SCHINKEL, Willem. (2010), Aspects of Violence – A Critical Theory. Palgrave Macmillan.
CICALO, André. (2012) Urban Encounters: Affirmative Action and Black Identities in Brazil. Palgrave Macmillan.

Fonte: Das Lutas

"QUANDO EU MORRER, VOU CONTAR TUDO A DEUS", AFIRMA CRIANÇA VÍTIMA DA GUERRA DA SÍRIA

Por:Dan Martins
No último mês a agência EFE informou que mais de 150 mil pessoas morreram desde o início da guerra que assola a Síria a cerca de três anos. Em meio a essa situação desoladora, um menino de 3 anos de idade chamou a atenção do mundo todo quando, pouco antes de morrer, afirmou que “contaria a Deus” sobre a guerra quando morresse.
- Eu vou contar tudo a Deus – teria afirmado a criança, que não foi identificada.
Segundo o Acontecer Cristiano, o menino estava muito ferido quando proferiu essas palavras, vítima dos confrontos no país, e morreu poucos dias depois. Essa afirmação chamou a atenção em todo o mundo, e o site Economy 2.0 comentou afirmando que isso serviu para aumentar a conscientização sobre tudo que está acontecendo no mundo.
- Morrem pessoas inocentes todos os dias por razões que não consigo nem explicar, uma vez que eles não são culpados de nada – afirma o site.
De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG responsável pelos dados da guerra divulgados pela EFE, dados informações recebidas de uma rede de ativistas e fontes médicas militares relatam 150.344 mortos pela guerra, entre os quais estão incluídos 51.212 civis, dos quais 7.985 são crianças.
fonte:Dihitt

domingo, 1 de junho de 2014

RELEMBRE FRASES DO MINISTRO JOAQUIM BARBOSA, QUE DECIDIU DEIXAR O STF

Presidente do Supremo anunciou aposentadoria no final de junho.
Ele protagonizou conflitos com outros ministros, juízes e advogados.

Mariana Oliveira Do G1, em Brasília

O ministro Joaquim Barbosa no comando de sessão do STF, em fevereiro de 2013 (Foto: Gervásio Baptista/SCO/STF)Joaquim Barbosa no comando de sessão do STF, em fevereiro de 2013 (Foto: Gervásio Baptista/SCO/STF)
A passagem do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, foi marcada por polêmicas e embates com colegas, além de conflitos com entidades de magistrados e advogados. Nesta quinta-feira (29), Barbosa anunciou em plenário que deixará a Corte.
Barbosa afirmou que o motivo da saída é o "livre arbítrio" e que não falará mais sobre o processo do mensalão do PT, do qual é relator, e que já dura nove anos – o julgamento do processo acabou, mas ainda há questões pendentes sobre a execução das penas.
Relembre abaixo frases polêmicas do ministro.
Sai da minha vida a ação penal 470 [processo do mensalão do PT] e espero que saia da vida de vocês. Chega desse assunto"
Joaquim Barbosa, após anunciar sua aposentadoria
29/05/2014 - Após anunciar a aposentadoria
"Esse assunto está completamente superado. Sai da minha vida a ação penal 470 e espero que saia da vida de vocês. Chega desse assunto."
"A minha concepção da vida pública é pautada pelo princípio republicano. Acho que os cargos devem ser ocupados por um determinado prazo e depois deve se dar oportunidade a outras pessoas. E eu já estou há 11 anos."





Ministro disse que deixará Supremo Tribunal Federal no final de junho.
Ele atribuiu decisão ao 'livre arbítrio' e disse que mensalão está 'superado'.

Mariana Oliveira



 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse nesta quinta-feira (29) a jornalistas, depois de anunciar em plenário a aposentadoria para junho, que que o assunto mensalão está "completamente superado" e que a decisão de deixar o tribunal foi motivada pelo "livre arbítrio".
Perguntado sobre o destino do processo e dos recursos ainda pendentes de condenados no julgamento do mensalão do PT, Joaquim Barbosa afirmou: "Esse assunto está completamente superado. Sai da minha vida a ação penal 470 e espero que saia da vida de vocês. Chega desse assunto."
A minha concepção da vida pública é pautada pelo princípio republicano. Acho que os cargos devem ser ocupados por um determinado prazo e depois deve se dar oportunidade a outras pessoas. E eu já estou há 11 anos."
Joaquim Barbosa, presidente do Supremo
Sobre o fator que o motivou a tomar a decisão de deixar o tribunal, respondeu: "O motivo foi o livre arbítrio."
O ministro saiu no meio da sessão, deixando a presidência para o ministro Ricardo Lewandowski, e falou com jornalistas por seis minutos no canto do plenário.
Barbosa afirmou que já havia dito publicamente que não ficaria até o final do mandato. Aos 59 anos, ele deixará o cargo de ministro e a presidência do STF. Pelas regras do tribunal, se não fosse por decisão pessoal, Barbosa só teria de deixar o Supremo quando completasse 70 anos, idade a partir da qual os ministros são aposentados compulsoriamente.
"Eu, desde a minha sabatina – talvez vocês não se lembrem –, eu deixei muito claro que não tinha intenção de ficar a vida toda aqui no Supremo Tribunal Federal. A minha concepção da vida pública é pautada pelo princípio republicano. Acho que os cargos devem ser ocupados por um determinado prazo e depois deve se dar oportunidade a outras pessoas. E eu já estou há 11 anos."
Barbosa afirmou não ter tido nenhuma decepção no tempo de Corte e que tem dois "planos mais imediatos". "Meus planos mais imediatos são dois. Primeiro, ver a Copa do Mundo em Brasília e o segundo plano é descansar."
Em 2018, com certeza, sairá de cena o Supremo dos últimos sete, oito anos. Razão a mais para eu me antecipar e dar lugar para outras pessoas, novas cabeças, novas visões do mundo, do Estado e da sociedade."
O presidente do Supremo relatou que tomou a decisão de se aposentar em janeiro, quando fez viagens pela Europa. "Eu preciso de descanso inicialmente. Essa decisão [da aposentadoria, eu tomei] naqueles 22 dias que eu tirei em janeiro, eu estive na Grã-Bretanha e na França. Aquilo foi decisivo para minha decisão."
Barbosa disse que atuou no Supremo em momento de "grande sintonia entre o Supremo Tribunal Federal e o país". "O Supremo decidiu questões cruciais para sociedade brasileira, não preciso nem citar, causas de impacto inegável sobre a nossa sociedade, de maneira que me sinto muito honrado de ter participado desse momento tão rico, desses acontecimentos que tiveram lugar no tribunal. De 2003 até hoje espero sinceramente que eles continuem a acontecer, porque o Brasil precisa disso."
Renovação na Corte
Joaquim Barbosa afirmou que o Supremo passou por diversas mudanças e que é "importantíssima a renovação".
"É importantíssima a renovação. Durante a minha sabatina eu disse que não seria contrário a mudança nas regras de nomeação para Supremo com a introdução de mandatos desde que não fosse mandato muito curto que é desestabilizador e nem extraordinariamente longo. Falei até em mandato de 12 anos, completei 11, então está bom", disse.
Barbosa  afirmou que até 2018 "sairá de cena" o Supremo dos últimos oito anos em razão das aposentadorias compulsórias – os ministros são obrigados a sair quando completam 70 anos.
"O tribunal vem passando por mudanças e vai passar mais. Até 2018, teremos inúmeras mudanças. Já começa a ser um tribunal diferente. Em 2018, com certeza, sairá de cena o Supremo dos últimos sete, oito anos. Razão a mais para eu me antecipar e dar lugar para outras pessoas, novas cabeças, novas visões do mundo, do Estado e da sociedade."


Ministro Joaquim Barbosa concede entrevista após anuncio de sua decisão em se aposentar do cargo de ministro (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)Ministro Joaquim Barbosa concede entrevista após anuncio de sua decisão de se aposentar do cargo de ministro (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)

28/04/2014 - Em resposta a Lula por críticas sobre mensalão
"Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte do país." Leia mais



27/02/2014 - Após decisão do STF de absolver condenados do mensalão de formação de quadrilha
"Temos uma maioria formada sob medida para lançar por terra o trabalho primoroso desta Corte no segundo semestre de 2012. Isso que acabamos de assistir. Inventou-se um recurso regimental totalmente à margem da lei com o objetivo específico de anular a reduzir a nada um trabalho que fora feito. Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora." Leia mais


25/02/2014 - Ao criticar advogados que atuam como juízes eleitorais
"Há coisa mais absurda que o advogado ter seu escritório durante o dia e à noite se transformar em ministro?" Leia mais




19/12/2013 - Ao criticar atuação do MP sobre sistema prisional
"A grande dificuldade nessa área é que o Judiciário não tem poder de construir prisões, de melhorar prisões. Tudo isso é tarefa do Poder Executivo. O Poder Executivo pelo visto não tem interesse em nada disso. Eu acho que há exemplos no direito comparado que exigiriam uma ação bem mais enérgica e atenta por parte do Ministério Público. Eu não entendo por que o Ministério Público não propõe ações de ordem coletiva para forçar os Executivos a investir." Leia mais
Estamos chancelando a impossibilidade de punição a quem cometeu um crime bárbaro"
Joaquim Barbosa, que foi contra arquivar processo contra acusados pela morte de calouro da USP em 1999



11/12/2013 - Ao votar pelo fim do financiamento privado de campanhas
"A doação de empresas causa influência nefasta e perniciosa no resultado dos pleitos apta a comprometer a normalidade e a legitimidade do processo eleitoral bem como comprometer seriamente a independência dos representantes." Leia mais




15/08/2013 - Em discussão com o ministro Ricardo Lewandowski, durante julgamento do mensalão do PT
"Nós queremos fazer nosso trabalho. Fazer nosso trabalho e não chicana." Leia mais




06/06/2013 - Após STF absolver 4 pela morte de calouro da USP em 1999
"Não se fala da vítima, um jovem que acabara de entrar na universidade. Estamos chancelando a impossibilidade de punição a quem cometeu um crime bárbaro. O Supremo Tribunal Federal está impedindo que esta triste história seja esclarecida" Leia mais



Pelo que eu vejo, vocês participaram de forma sorrateira na aprovação"
Joaquim Barbosa, a presidentes de associações de magistrados


20/05/2013 - Ao comentar proposta de reforma política após manifestações
"Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E nem pouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder." Leia mais


08/04/2013 - Durante discussão com entidades de magistrados sobre projeto no Congresso que aprovou novos tribunais
"Pelo que eu vejo, vocês participaram de forma sorrateira na aprovação. [...] São responsáveis, na surdina, pela aprovação." Leia mais


19/03/2013 - Durante sessão do Conselho Nacional de Justiça, ao comentar relação de advogados com juízes
"Há muitos (juízes) para colocar para fora. Esse conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso. Nós sabemos que há decisões graciosas, condescendentes, absolutamente fora das regras" Leia mais
05/03/2013 - Após ser abordado por repórter do jornal 'O Estado de S. Paulo'
"Me deixa em paz, rapaz. Me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre. [...] Palhaço." Leia mais

02/08/2012 - Durante julgamento do mensalão em debate com Ricardo Lewandowski
"O senhor é revisor. Me causa espécie vê-lo se pronunciar pelo desmembramento quando poderia tê-lo feito há 6 ou 8 meses antes que preparássemos toda essa... [...] É deslealdade." Leia mais
Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar"
Joaquim Barbosa, em discussão com Gilmar Mendes

20/04/2012 - Ao falar sobre ao saída de Cezar Peluso da presidência do STF
"As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade. Dou exemplos: Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento. Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis." Leia mais

22/04/09 - Em discussão com o ministro Gilmar Mendes
"Vossa excelência não está na rua não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. [...] Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite." Leia mais