sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A SANHA ANTICORRUPÇÃO VAI ATÉ LULA E TERMINA NELE

Colaboratório.org
Publicado por Maristela Farias1 h
NOTA POLÍTICA
“SE A CONCILIAÇÃO, TÃO TENTADA POR LULA, MOSTROU-SE INCAPAZ DE SENSIBILIZAR AS ELITES, TALVEZ SEJA NECESSÁRIO UM NOVO TIPO DE GOVERNO DE ESQUERDA – AO ESTILO JARARACA, NÃO MAIS PAZ E AMOR. “ (Filósofo Vladimir Safatle)


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Existem frases e fatos que não conseguem se “apequenar”. Eles e elas se agigantam e finalmente explodem, até porque em janeiro de 2017, quando a Ministra Carmen, PRESIDENTE DO STF, homologou as delações, tomadas e negociadas durante meses, de 77 executivos da maior empreiteira do Brasil. Eles revelaram o pagamento de propinas a centenas de políticos.
Destes, 108, contra os quais há evidências mais graves, foram incluídos na chamada lista de Fachin, e era um Retrato da promiscuidade das instituições brasileiras com o grande poder econômico, incluindo personalidades do Pt e de outras figuras, como por exemplo, Michel Temer, que teria recebido 10 milhões de reais. José Serra, o “Vampiro” ou “Vizinho”, com R$ 36 milhões, em quatro campanhas distintas. Aécio Neves, o “Mineirinho” – um recordista, enquadrado em cinco inquéritos. Eliseu Padilha, o “Fodão”, principal articulador político do governo, hoje empenhado em liquidar a Previdência pública. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, o Inca, envolvido em corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Eram acusações circunstanciadas.
Em apenas um ano, tudo esquecido… Paira um silencio completo na mídia e nos tribunais superiores. Apequenados Ministra Carmem? Não… esquecidos. Sumiu tudo… o STF, o Ministério Público, a Polícia Federal. Perderam a memória. 94% dos inquéritos estão parados. Ninguém foi preso. Ninguém virou réu. Apenas um político foi denunciado pela Procuradoria Geral da República – o líder do governo no Senado, Romero Jucá. Mesmo assim, Jucá, o Caju da Odebrecht, não tem motivos para perder o sono. A investigação está travada, porque o STF não a libera. Indagado pelos autores da matéria a respeito, o Supremo sequer dignou-se a responder.
Sem se “apequenar?”
O corpo mole provoca a prescrição dos crimes.
Mas rapidamente, Lula foi condenado em POA, enquanto a Procuradora Dodge quase no mesmo dia pediu ao STF para arquivar um dos inquéritos em que o senador José Serra é acusado de receber R$ 20 milhões da JBF, mas segundo eles, o Xuxu tem mais de 70 anos e por isso, a prescrição, que já é curta, ocorre na metade do tempo… Em São Paulo, vão prescrever as axusações contra Alckmin e Serra, por recebimento de propina para favorecer a Odebrecht em obras como o Metrô e o Rodoanel.
O STF, o Ministério Público Federal e a PF continuarem agindo como fazem há um ano, e certamente segundo desejos inconfessáveis, mas perfeitamente claros, prenderão Lula e permitirão que Temer, Serra, Aécio, Alckmin, Rodrigo Maia e centenas de outros políticos, denunciados pela Odebrecht, JBS e outras megaempresas fiquem livres, disputem as eleições e talvez ocupem o Palácio do Planalto.
Sem se “apequenar”, segundo a Ministra CL, a posição claramente partidária da Justiça brasileira é uma ameaça à democracia – mas também implica riscos aos próprios privilégios do Judiciário. Setores cada vez mais amplos da opinião pública estão se dando conta da farsa.
O filósofo Vladimir Safatle, um crítico notório do lulismo, escrevia: “a sanha anticorrupção vai até Lula e termina nele (…). Um país onde Lula é condenado e Temer é presidente e Aécio Neves senador é algo da ordem do escárnio”… e “se a conciliação, tão tentada por Lula, mostrou-se incapaz de sensibilizar as elites, talvez seja necessário um novo tipo de governo de esquerda – ao estilo jararaca, não mais paz e amor. Segunda consequência, mais específica. O Judiciário está se desmoralizando rapidamente. Muito em breve, precisará entrar na pauta nacional uma vasta reforma deste poder profundamente elitista, perdulário e conservador. Tanto partidarismo de Moro e do TRF-4 quanto o corpo mole na apuração das delações da Odebrecht podem se voltar contra aqueles que os praticam.”
Sem nos apequenarmos, é o que esperamos
Maristela Farias – Jornalista DRT 1778/PE
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