segunda-feira, 7 de outubro de 2019


CALA BOCA, POVO DO NORDESTE
Publiquei em 2014, republicando em 2018



Li o post de Roldão Rodrigues e ele serve de resposta a muita gente que tem preconceito contra nordestinos e pensam que não pensamos, não temos posição nem postura política. Temos sim, apesar de sentir que nestas eleições de 2014, neste primeiro turno, Pernambuco demonstrou extrema pobreza e esquecimento de todas as benesses que recebeu do governo federal, diga-se do PT. Os pernambucanos se deixaram comover por meia dúzia de pessoas que sempre se utilizaram do Estado e demonstraram claramente não uma insatisfação, mas se deixaram levar por uma comoção inaceitável e pobre.
Nos comentários, alguém desmereceu os bolsistas, chamando-os de preguiçosos. Estes jovens são estudantes que estão tendo a oportunidade de frequenta uma universidade, mesmo depois de passarem por todas as agruras de suas vidas e, corajosamente, enfrentam colegas e até professores que os ofendem dizendo que "bolsista só serve para atrapalhar" e se tornam tão preconceituosos quanto aqueles que utilizam este meio de comunicação para denegrir a imagem de um povo.
Não vou escrever mais porque minha tendência, e eu conheço bastante, é responder grosseiramente quem se utiliza de quaisquer tipo de preconceito para com qualquer cidadão. Sou negra, velha, feia, sofro preconceitos desde a mais tenra idade, mas nem por isto deixo um segundo sequer de pensar o quão é mesquinho que se julgue um cidadão por sua raça, seu estilo de vida, seu cabelo, sua opção sexual, religiosa ou qualquer outro modo de ser. Respeito é bom. Educação é tudo! E é exatamente o que está faltando ao povo brasileiro como um todo.
Não conheço o Roldão Rodrigues, mas seria muito bom que muitos lessem a defesa que ele faz do povo nordestino em seu post. Obrigada Roldão Rodrigues:

"Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!"
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...
Ah! Nordestinos...
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário.... coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou e ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!




domingo, 29 de setembro de 2019

NOTA POLÍTICA FERNANDA MONTENEGRO SOBRE LEOCÁDIA PRESTES



HEROÍNA ABSOLUTA E BRASILEIRA REFERENCIAL: LEOCÁDIA PRESTES NAS PALAVRAS DE FERNANDA MONTENEGRO




"Senhora, fizeste grande, tão grande a nossa América/deste-lhe um puro rio, de águas colossais:/deste-lhe uma árvore alta de infinitas raízes:/um  filho teu, digno de sua pátria profunda"

Trecho do poema Dura Elegia, escrito pelo poeta chileno Pablo Neruda, especialmente para o triste momento do falecimento de Leocadia Prestes, em junho de 1943



Leocadia Prestes durante a Campanha Prestes em Londres, na Inglaterra, junho de 1936. Fernanda Montenegro interpretando Leocadia Prestes no filme "Olga" (2004).



Fernanda Montenegro faz 90 anos no próximo dia 16 de outubro. Somando 70 de teatro, ela lança, com a colaboração de Marta Góes, a autobiografia “Prólogo, Ato, Epílogo” (Editora Companhia das Letras, 2019), pontuada por testemunhos da grande atriz do teatro brasileiro, mas também do cinema, da TV e do rádio. Na página 240, Fernanda Montenegro afirma que "às vezes os personagens de uma história são também determinantes para que eu aceite um convite". explicando que foi o que aconteceu ao aceitar participar do filme Olga, de Jayme Monjardim, interpretando a mãe do líder comunista Luiz Carlos Prestes (1898-1990). Em um parágrafo, Fernanda Montenegro faz uma exaltação à figura de Leocadia Felizardo Prestes (1874-1943), classificando-a como pertencente "à galeria das heroínas absolutas" e "uma brasileira referencial".

Abaixo a imagem do parágrafo na página 240 do livro “Prólogo, Ato, Epílogo”, autobiografia de Fernanda Montenegro.



No dia 5 de março de 1936, no Rio de Janeiro, Luiz Carlos Prestes, líder do movimento antifascista de 1935, e sua mulher, Olga Benário Prestes, foram encarcerados. De Paris, a mãe do revolucionário encabeçou um movimento de libertação dos presos políticos no Brasil. A iniciativa, bem-sucedida, possibilitou sua comunicação com o filho, por correspondência, e, dois anos depois, a libertação da neta, Anita Leocádia, nascida numa prisão da Alemanha para onde Olga fora deportada.  

Paris, 31 de julho de 1937
Meu querido filho,

O meu mais ardente desejo é que estas linhas te encontrem com saúde. Tenho presente tua boa carta datada de 16 do corrente e que aqui chegou com dez dias de viagem, o que não sei como explicar, porque veio pelo avião. Recebi também a que escreveste à nossa querida Olga.

Lamento muito que a minha carta tenha sido encaminhada erradamente para a Casa de Detenção,[1] pois desse modo ficaste sem notícias nossas, o que tenho tido o cuidado de evitar. Tenho te escrito religiosamente todos os sábados e, algumas vezes, pelo avião de quarta-feira. Assim deves receber minhas cartas de 3, 10 e 17. No dia 24 (sábado), não te escrevi, porque não me encontrava em Paris, porém a Lyginha escreveu a fim de que não sofresses a decepção de não receber as esperadas notícias.

Da nossa Olga recebi, justamente no dia de minha chegada a Paris (28/7), uma importante carta, datada de 15, mas que somente a 26 havia sido posta no Correio. Mais abaixo dir-te-ei o que ela continha, pois em primeiro lugar quero te falar da minha viagem.

No dia 21 do corrente mês, parti para a Alemanha, acompanhada de uma delegação de damas inglesas, com o fim determinado de ver a Olga e a pequenita e constatar o que seria possível fazer por ambas. Infelizmente não conseguimos permissão para visitá-las, mas a Gestapo, onde estivemos por três vezes, forneceu-nos várias informações sobre a saúde de Olga e da pequenina, dando-nos mesmo uma cópia do atestado apresentado pelo médico da prisão onde elas se encontram, no qual se lê que a saúde e o aspecto físico de ambas são os melhores possíveis. Deram-me permissão de enviar roupas e víveres, o que fiz imediatamente. Estive duas vezes na prisão de mulheres, onde se encontram as nossas duas queridas! Deixei cem marcos para a Olga e uma grande cesta com frutas. As damas inglesas enviaram à pequenina roupas e lindos brinquedos. Bem podes imaginar, meu querido filho, a grande tristeza com que me retirei da prisão, sem ter visto e abraçado as nossas duas queridas!

Além disso, desejava obter da Olga algumas informações necessárias para a tua defesa, e nada consegui! Pelo que nos disseram na Gestapo, as duas (Olga e Elise)[2] não foram inculpadas até hoje e talvez mesmo nunca sofrerão qualquer processo! Posso te assegurar que muito trabalhamos durante os oito dias que passamos em Berlim, porém poucos foram os resultados obtidos. Mas não esmorecemos e continuaremos a lutar até o fim.

Em sua carta de 15, a Olga pede-me que lhe envie uma duplicata da certidão de seu casamento contigo, a fim de regularizar a sua situação jurídica perante as autoridades alemãs. Já providenciei para que tal duplicata me seja remetida com a maior brevidade. Quanto à pequenita, peço-te que esperes um pouco, pois ainda não consegui obter as informações necessárias para que reconheças a paternidade. Não te mando cópia da carta da Olga, porque ainda não está traduzida, mas prometo enviá-la pelo próximo avião de quarta-feira, quando te escreverei com mais vagar.

Ontem enviei-te os primeiros livros, que são: as obras completas de Moliére, ornadas com lindas gravuras coloridas, uma história dos Estados Unidos, as máximas de Epíteto precedidas dos pensamentos de Marco Aurélio, vários catálogos de livrarias e um lindo mapa da Espanha. Ao todo cinco livros e três catálogos. Espero que tudo te seja entregue com presteza, pois seguiram por um vapor rápido.

Sobre a Exposição[3] nada posso contar, pois ainda não a visitei. Logo que o faça, não me descuidarei de arranjar os tais prospectos a que te referes, para te enviar. Com a minha ausência de Paris e outros assuntos, faltou-me o tempo para percorrer livrarias e comprar coisas mais interessantes, mas espero resolver tudo isso na próxima semana. Não te preocupes com as despesas e peço-te que me digas com franqueza tudo quanto desejas.

Espero que já tenhas recebido algumas roupas de lã que te mandei, assim como alguns objetos de toilette. A écharpe foi minha e usei-a durante a minha estadia na Alemanha em meados de novembro do ano passado, antes do nascimento da nossa adorada Anita. Espero que a uses com prazer. Receio que sintas muito a umidade no pequeno cubículo onde vives. Logo que apareça outra oportunidade, mandarei mais meias de lã, pois lembro-me sempre como sofrias com os pés frios. Enfim, meu querido filho, enquanto penso em ti, nas nossas duas queridas e nas desgraças que afligem o mundo, esqueço-me dos meus sofrimentos e novas forças se levantam dentro de minha alma e sinto novas energias para tudo enfrentar e suportar.

De saúde vamos todos bem, pelo menos o quanto é possível neste momento. Lyginha promete escrever pelo próximo avião e envia-te um saudoso abraço. As outras, quando escrevem, sempre enviam-te lembranças e saudades. Recebe um longo abraço de tua mãe que te beija com infinitas saudades

Leocadia

Anos tormentosos: Luiz Carlos Prestes: correspondência da prisão (1936-1945). Organização de Anita Leocádia e Lygia Prestes. Rio de Janeiro: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, 2000, pp. 567-569.

[1] N.S.: Ao ser preso, Prestes foi levado para o quartel da Polícia Especial, no centro do Rio, onde permaneceu por mais de um ano até ser transferido, no dia 8 de julho de 1937, para uma cela construída especialmente para ele no pátio da Casa de Correção, situada à rua Frei Caneca, onde também funcionava a Casa de Detenção, local para o qual Olga fora levada antes de sua deportação.
[2] N.E.: Elise Ewert – deportada para a Alemanha junto com Olga. Era casada com Arthur Ewert, comunista alemão que participou da luta antifascista no Brasil, no ano de 1935.
[3] N.S.: A Exposição Internacional de Paris (Exposition Internationale des Arts et Techniques dans la Vie Moderne) aconteceu de 25 de maio a 25 de novembro de 1937 e teve 44 países participantes. Dentre as obras, foi exibida, pela primeira vez, Guernica, de Pablo Picasso, no Pavilhão da Espanha.

Correio IMS
Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro


NOTA POLÍTICA VAMOS TER QUE NOS IMPORTAR SIM!


VAMOS TER QUE NOS IMPORTAR SIM!


INTERTEXTO

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

(BERTOLT BRECHT)

Exatamente isso que está acontecendo... Primeiro vieram em Caruaru para expulsar uma comunidade que luta por uma casa há 8 anos. Barracos com crianças, mulheres e homens, todos resistindo para conseguir ter uma vida digna. Chegaram os policiais, os representantes do poder público, alguns amigos, os coordenadores Miguel Farias, Barrega e Frankley e os companheiros, sempre atentos, da Prefeitura de Caruaru e diante dos solicitadores, um acordo foi celebrado e os resistentes que ainda lá estão, porque muitos não suportaram ficar nos barracos, mas não se desligaram do movimento estão à curta distancia, esperando que lhes seja concedido o direito à moradia, não é verdade seu Vicente?
E a Prefeitura de Caruaru que tem se mostrado atenta ao problema chegou junto e juntos certamente tentaremos que cada um receba sua casa e lá permaneça, FELIZ.
Dias depois, novamente em Caruaru, chegaram no acampamento do MST, que repudia a tentativa de despejo realizada contra o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, na cidade de Caruaru, em Pernambuco.

O despejo foi solicitado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e aceito pelo juiz federal da 24ª Vara Federal de Caruaru, que determinou imediata reintegração de posse.

”Caso não haja a desocupação espontânea do executado no prazo concedido, expeça-se mandado de reintegração na posse, ficando desde já autorizado: a) o uso de força policial, b) o arrombamento, se necessário, c) condução coercitiva do executado para a DPF, em caso de resistência, d) a remoção dos bens móveis que estejam no imóvel e) remoção dos animais para o "Curral de Gado" do Município de Caruaru/PE, ficando desde já autorizada a doação ou o abate desses semoventes”. (diz o trecho da sentença)
O centro de formação pertence ao assentamento Normandia, que foi criado em 1998. Na ocasião, a equipe técnica do INCRA orientou que a sede fosse utilizada de forma coletiva para a capacitação e formação dos assentados do estado e por iniciativa do movimento, o centro, que faz parte do assentamento Normandia, foi criado há mais de 20 anos com aval da própria equipe técnica do Incra que orientou para uma utilização do espaço de forma coletiva, contribuindo para a capacitação e formação dos assentados do estado.
Hoje, o Centro de Formação Paulo Freire tem diversas parcerias na área de educação com a prefeitura de Caruaru, com turmas de ensino fundamental, além de parcerias com o governo estadual e com diversas universidades que agora estão ameaçadas com o pedido de reintegração acatado por um juiz da 24ª Vara Federal do município.
“Buscamos, tanto do ponto de vista prático como teórico, a pesquisa e as condições técnicas para a gente avançar na agroecologia e no centro de formação que cumpriu e cumpre um serviço importante para o desenvolvimento das áreas de reforma agrária no estado e em especial no Nordeste”. afirma Amorim.

Filme sobre MST e agroecologia ganha prêmio da ONU 

O curta-metragem “O que é agroecologia” venceu o Concurso Global de Vídeos da Juventude sobre Mudanças Climáticas – TVEBioMovies 2019, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). O filme foi produzido pelos jovens Rafael Forsetto e Kiane Assis, e ganhou a categoria “alimentação e saúde humana”. O resultado oficial foi comunicado pelos organizadores aos jovens nesta terça-feira
Em Caruaru, dois despejos e a Prefeitura está atenta e tem mais: Se procurarmos o noticiário e as redes sociais, o número de despejos é assombroso aqui mesmo em Pernambuco como está acontecendo numa das Universidades, com famílias que moram há mais de 60 anos.

Eu quero me importar sim! Mesmo sabendo que ainda assim as mudanças não vão acontecer
Maristela Farias
Jornalista DRT 1778/PE

domingo, 25 de agosto de 2019

NOTA POLITICA LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA VIA RADIO AMPARO 90.9 E TV PERNAMBUCO

 LUTA PELA  DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA VIA RADIO AMPARO 90.9 E TV PERNAMBUCO



Há mais de 30 anos temos travado uma luta pela Democratização da Mídia e nesse enfrentamento, começamos com uma pequena/grande rádio comunitária. Grandes companheiros como Miguel Farias, Presidente, Brucutu,  1º vice-presidente, Carlos Santos, Neno (faleceu prcocemente), Paulo Roberto, Edson Junior, Val Gomes, Jairo do Papo de Samba,  Wellington do Hip Hop, estiveram sempre ao nosso lado e  defenderam a pequenina Rádio Comunitária do Sítio Histórico de Olinda.

Fomos agredidos, tivemos nossos equipamentos roubados, tinhamos que correr pelos quintais que nos acolhiam com um pequeno transmissor embaixo do braço protegendo-o para que não deixássemos nossa comunidade querida sem nosso ofício de alegrá-los e deixa-los cientes de tudo que estava acontecendo.
A Polícia Federal estava sempre em nosso encalço e tínhamos que cuidar daquele minúsculo transmissor. Sem nenhuma proteção, cada vez que estranhos surgiam, nossos aliados nos avisavam e correr era o que nos restava.

Foram anos e anos até que roubaram todos os nossos equipamentos e, ficamos sem nada. Nunca apareceu um indivíduo que perguntasse se estávamos precisando de alguma coisa. Não para nós, sabíamos onde estávamos metidos, mas para a pequena RÁDIO AMPARO 90.9, em Olinda/Pernambuco.
Com esforço ímpar, conseguimos reinstalar, comprando novos equipamentos e estava no ar, a poderosa e corajosa Rádio Amparo, que há muito estava com o processo em tramitação no Ministério das Comunicações.

Foram anos...

Fui trabalhar na Câmara dos Deputados e lá, comecei um calvário que ninguém pode imaginar. Procurava, quando tinha um tempinho disponível, em cada espaço no Ministério das Comunicações, para descobrir onde estava o pacotinho com nossos documento, sem conseguir. Os funcionários do Ministéro já deixavam os pacotes revisados em separado.

Nossa! Como foi cansativo e desesperador!

Depois de muiiiiiiiiiiiiiito tempo, voltei a Recife e lá no Ministério das Comunicações procurei até que encontrei meu "pacotinho" de documentos, com número e data da remessa. VITÓRIA!

Voltei... com aquele detalhe que significava muito para nós, para a Rádio Amparo e para nossa Comunidade. Fui ao Ministério e lá, encontrei um anjo, um cidadão, que morou em Olinda e que abraçou nossa esperança, exatamente isso: nossa esperança de termos a Rádio Amparo finalmente regularizada.
CONSEGUIMOS!  NÃO FOI NENHUM DEPUTADO! NENHUM POLÍTICO e olhe que não sou contra nenhum deles, mas apareceu pai/mãe, para se dizer dono da criança. Infelizmente não consegui guardar o nome daquele que levou para o Ministro das Comunicações, no govêrno Fenando Henrique Cardoso, a documentação da nossa pequena Rádio Amparo

Ficamos muitos anos com a Amparo funcionando, até que 10 anos atrás, PERDEMOS A FILHA QUE LUTAMOS POR TANTOS ANOS. Não vou dizer o que aconteceu com a emissora, até porque ela ainda está funcionando, mesmo sem atividade comunitária nenhuma, e chegamos em Caruaru 10 anos atrás por outra luta também iniciada em Olinda, desta feita em defesa da TV PÚBLICA. Trabalhamos na TV NOVA de nosso querido amigo Pedro Paulo em Olinda com o PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO e depois fomos para a TV PERNAMBUCO em Recife, com o mesmo PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO, sempre diário.

Sem a RÁDIO AMPARO, que um dia terá sua história, chegamos em Caruaru e novamente a TVPE,  neste ano de 2019, Miguel Farias em mais uma luta pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA, que cada dia parece mais distante, até porque, desde a REDEMOCRATIZAÇÃO mais que nunca a imprensa corre tantos riscos, como atualmente no Brasl. São 34 anos de governos de matizes políticos diversos, mas hoje o jornalismo mais que nunca está sob ameaças com insultos, corte de verbas publicitárias, que nunca tivemos, perseguições diversas, acusações mentirosas, espalhando medo não só nas redações, mas em todos aqueles que se arvoram escrever.

"A declaração do presidente de que o jornalista Glenn Greenwald “pode pegar uma cana” e a portaria editada pelo ministro Sergio Moro para deportar “estrangeiros perigosos” são os movimentos mais recentes de um programa anti-jornalístico. Por isso, não existe nenhuma disposição para conviver com críticas e de aceitar que a imprensa tem um papel histórico de investigação e acompanhamento dos políticos.
Transparência e abertura não estão no radar do Planalto, e reina entre ministros e palacianos a ideia de que podem prescindir dos meios tradicionais de informação."

E ter que lidar com a imprensa não é escolha dos governantes, faz parte do jogo pelo menos no campo da democracia.
José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer todos lidaram com o jornalismo, convocando entrevistas coletivas inclusive respondendo por denúncias e investigações, sem que isso fosse nenhuma novidade.

Vamos continuar nossa luta, nossa militancia, tendo à frente Miguel Farias, que desde os 16 anos carrega consigo essa necessidade e capacidade de ver e provar que a Rádio Comunitária, lá no início e a TV Pública há mais de 20 anos, tem que ser Pùblica e pública mesmo, porque pertence a todos, é comunitária, comum, compartilhada, social, coletiva, geral, partilhada, popular, universal, revela, divulga, propaga, populariza, propaga, propala, exterioriza, externa, vulga, difunde, dissemina, populariza, assoalha, manifesta, mostra, exibe, evidencia, denota, espelha, demonstra, patenteia, apresenta, veicula, preconiza, proclama, anuncia, transmite, propagandeia, promove, lança, publicita, badala, dá, expõe, informa, comunica, noticia, participa, exprime, profere, enuncia, notifica.

Esta é a TV Pública que Miguel Farias deseja e que também desejo acompanhan os passos dele, meu filho e como jornalista não poderia ser diferente. Vamos continuar trabalhando juntos exatamente como começamos na pequena Rádio Amparo, na TV Nova, na TV Pernambuco e brevemente aqui em  Caruaru, novamente na TV Pernambuco, sempre como produtora de TV.

Militancia é isso. Não adianta querer transformar ou interferir no ideal de ninguém. Feliz daquele que luta e consegue mostrar que tem razão.

Maristela Farias DRT 1718/PE



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

NOTA POLÍTICA NÃO PODEMOS ACEITAR O MITOMORO COMO ALGO NORMAL. HOJE NADA DEVE PARECER NORMAL.

"SOMENTE A CIDADANIA PLENA CONDUZ À DEMOCRACIA. NÃO HÁ OUTRA FORMA DE SER CIDADÃO QUE NÃO SEJA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO IDEOLÓGICA E POLÍTICA" 

Extraído do Pragmatismo Político

Luiz Inácio Lula da Silva durante caravana em Minas Gerais


NÃO QUERO LULA PRESIDENTE. ELE FOI  O MELHOR  DESTE PAÍS E NÃO MERECE SER PRESO POLÍTICO DE UMA ELITE MANICÔMICA. 


NÃO QUERO LULA PRESIDENTE porque desde 2003 recebeu mais de 300 condecorações mundo afora, incluindo dezenas de títulos "honoris causa", inclusive na Europa. Desde abril de 2013, tornou-se colunista do maior jornal do mundo, "The New York Times". LULA NÃO MERECE SER PRESO POLÍTICO DE UMA ELITE MANICOMICA


NÃO QUERO LULA PRESIDENTE porque desde 2003, já recebeu mais de 300 condecorações mundo afora, incluindo dezenas de títulos “honoris causa”, inclusive na Europa. Desde abril de 2013, tornou-se colunista do maior jornal do Mundo, “The New York Times”. Quantos brasileiros são colunistas do "The New York Times"? LULA NÃO MERECE SER PRESO POLÍTICO DE UMA ELITE MANICÔMICA.

NÃO QUERO LULA PRESIDENTE porque sei muito bem que para a história, um ponto positivo foi colocar a questão social no centro do debate e foi feito sem uma ligação obrigatória com o status econômico. Os benefícios vieram independentemente do sucesso econômico, fazendo com que o eleitorado tivesse consciência da importância das questões sociais dentro do cenário nacional e por ter um custo político de mudanças sociais, alto demais, ganhando relevância política. LULA NÃO MERECE SER PRESO POLÍTICO DE UMA ELITE MANICÔMICA,

A grande bandeira do governo petista foi o Bolsa Família, criado em 2003, primeiro ano do governo de Lula   Com ele, o Brasil viu a taxa da população  em situação de extrema pobreza cair, sendo um programa elogiado pela ONU, como ótima estratégia de retirada de pessoas de extrema pobreza e renda mensal de R$ 60,00 a R$ 120,00, mas as realizações dos oito anos de gestão do presidente Lula estão registradas em um livro de 310 páginas. Nele, as medidas previstas no programa de governo e os compromissos assumidos ao longo dos dois mandatos são comparados com aquilo que realmente foi feito durante os oito anos.

O evento, que lotou um dos salões do Palácio do Planalto, reuniu ministros e ex-ministros, governadores, parlamentares e representantes de movimentos sociais. Até mesmo ex-colaboradores do governo que deixaram o cargo em meio a denúncias e desentendimentos internos, como José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, Matilde Ribeiro, ex-ministra da Secretaria Especial de Igualdade Racial e Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, estiveram na solenidade. A presidenta eleita Dilma Roussef, que ocupou dois ministérios durante a gestão de Lula, participou da cerimônia ao lado presidente.

No lançamento, ao  iniciar o discurso, Lula afirmou que sua intenção não era fazer um grande evento, mas já que havia se transformado em uma cerimônia de grandes dimensões, então iria tirar proveito. Lula citou, então, vários ações realizadas entre 2003 e 2010 e comemorou dados como o aumento do emprego e da renda no país. 

O presidente fez um agradecimento a todos os ministros que compuseram sua equipe e afirmou que juntos atravessaram momentos difíceis e também momentos de glória. “Quando descer aquela rampa no dia 1º de janeiro, tenho a consciência de que cada partícula do que construímos neste país tem a participação de vocês. Isso porque obedecemos a vontade do povo.”

LULA NÃO MERECE SER PRESO POLÍTICO DE UMA ELITE MANICÔMICA.

SINCERAMENTE? QUERO LULA NO MUNDO. FALANDO PELO BRASIL E SENDO RECONHECIDO INTERNACIONALMENTE COMO SEMPRE FOI COMO UM BRASILEIRO QUE AMA SEU PAÍS E SEU POVO

LULA LIVRE JÁ!
CADEIA PARA O MARRECO


As notícias foram originadas da Rede Brasil, Instituto Brasil, Vida e Obra de Luiz Inácio Lula da Silva, (Fábio Nascimento) Pragmatismo Político

Maristela Farias Jornalista DRT 1778/pe


domingo, 4 de agosto de 2019

NÃO PODEMOS ACEITAR O MITOMORO COMO ALGO NORMAL. HOJE NADA DEVE PARECER NORMAL.


NÃO PODEMOS ACEITAR O MITOMORO COMO ALGO NORMAL. HOJE NADA DEVE PARECER NORMAL. O PODEMOS ACEITAR O MITOMORO COMO ALGO NORMAL. HOJE NADA DEVE PARECER NORMAL.





Caiu-me nas mãos a capa... apenas a capa, da Carta Capital e li um texto que lá estava postado e vou reescrever aqui e, possivelmente comentar porque achei ótimo. Aí vai:

BRASIL DEMENTE

POR QUE A MAIORIA REPROVA
O COMPORTAMENTO DE MORO
MAS É CONTRA SUA DEMISSÃO
E A ABSOLVIÇÃO DE LULA?
OS ESTUDANTES SÃO EXCEÇÃO

Quem é o ex-Juiz Sérgio Moro? 

Quem acompanha sistematicamente os noticiários lavajatistas, de imediato percebe a arrogância do ex-juiz. Seu "jeitinho" de colocar os dedos das mãos, quase enfiando na boca e levantando a cabeça como se fosse o grande ídolo cantado e recantado nas ruas pelo menos pra mim demonstrava  afetação, ufanismo, esnobismo e outros sinônimos e que, não tenho dúvida, o colocaram no lugar que está hoje.
Ele confiou na sua astucia e não cuidou momento algum de se proteger de forma que suas mensagens foram resgatadas por alguns "hackers" que ele localizou tão logo viajou para os Estados Unidos para limpar as mensagens de seu "hackeado" celular.
Para o primeiro mitomoro, tudo que estavam divulgando eram frases sem nenhuma credibilidade ", "sensacionalismo", "absolutamente normal", "eu sempre agi conforme a lei" (sic), chegando ao cúmulo do pedantismo de dizer "A montanha pariu um rato".
O primeiro "mitomoro" afirmava categoricamente que os jornalistas ao divulgarem as informações do The Intercept, estavam a serviço de uma organização estruturada como a que ele montou no Estado de Curitiba, onde se tornou um "Reimito", não querendo entender que estava comprometendo a justiça brasileira há algum tempo desacreditada por estar ao lado das idiossincrasias cometidas a partir de Curitiba.
O ex-juiz Mitomoro esqueceu que seus colegas de função estavam de olho em suas artimanhas mas ele estava se achando um deusinho aclamado pela plebe e cheio de prazer em exorcizar petistas, em especial o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-juiz Mitomoro esqueceu que "A declaração universal dos direitos humanos no artigo 10 é clara: TODO SER HUMANO TEM DIREITO A SER JULGADO POR UM TRIBUNAL INDEPENDENTE E IMPARCIAL" e o código do processo penal fala no artigo 254 que: o juiz dar-se-á por suspeito se for amigo ou inimigo capital de qualquer das partes. Inciso 4° se tiver aconselhado qualquer uma das partes. (?????)
O resultado estamos consumindo com o Mitoboso. O MitoMoro se apresentou como o exorcista do cão que o PT representou no Brasil
e o juiz corajoso que teve um coro gritando seu nome e suas bravatas, foi elevado a heroi, a superman, alimentando sua arrogância do hoje. Era filme, reportagens, bandeiras, gente na rua bradando pelo heroi, aclamado antes do fim do espetáculo.
A cena seguinte seria mais escabrosa do que até então. Prendeu o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu as portas para a eleição do MitoBoso e majestosamente adentrou ao Ministério da Justiça de forma ridícula e vexaminosa mundo afora. A arrogancia era maior que qualquer imprudência em aceitar o cargo, não por mérito, mas por favores que já haviam sido prestados.
Hoje, o ex-juiz, agora Ministro quer se proteger quando afirma em suas entrevistas: "faça-se justiça, ainda que o mundo se acabe. Ou seja, quer argumentar que não vale a pena puni-lo se for para arriscar boa parte do legado da Lava Jato. E o legado da Lava jato que todos nós conhecemos se chama LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e para encerrar deixo uma frase do dramaturgo e poeta Bertolt Brecht: 
"TRISTES OS POVOS QUE PRECISAM DE HEROIS. SUPLICAMOS EXPRESSAMENTE QUE NÃO ACEITEM O QUE É DE HÁBITO, COMO ALGO NORMAL, PORQUE EM TEMPOS DE DESORDEM, DE CONFUSÃO ORGANIZADA, DE ARBITRARIEDADE CONSCIENTE, DE HUMANIDADE DESUMANIZADA, NADA DEVE PARECER NORMAL"

Maristela Farias
Jornalista DRT 1778/PE