sábado, 20 de julho de 2013

A TERCEIRA ONDA: UM EXPERIMENTO

Evandro Venicio: A Terceira Onda: Um Experimento A Terceira Onda: Um Experimento Em Psicologia, Em Sociologia quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 Durante a primeira semana de 1967, o professor de história Ron Jones iniciou um experimento prático para demonstrar à classe de História Contemporânea de Cubberley High School, na California, como se dá a organização de um movimento como o nazismo. A motivação surgiu numa discussão entre seus alunos a respeito de como os nazistas puderam chegar no poder, assim como sustentar para toda a nação alemã que ali se realizava algo bom. Em contrapartida, como o povo alemão pôde ignorar as atrocidades cometidas contra os judeus? A primeira vista, a insanidade que envolve o nazismo parece não conseguir se justificar em si mesmo. O movimento parece tão obscuro e delirante que as pessoas simplesmente não conseguem entender tal organização. O simples fato do nazismo ter sido apoiado por uma quantidade imensa de colaboradores parece surreal. Uma vez, Hannah Arendt, filósofa alemã e judia, estava presente no julgamento de um dos grandes malfeitores do nazismo, que ao ser questionado sobre o porquê que ele participou daquelas barbáries acabou por responder que ele só estava cumprindo ordens. A filósofa, sem entender, afirmou: o nazismo é o maior caso de histeria coletiva da história. Afinal, a tortura, a crueldade e o assassinato podem explicar sua existência simplesmente através de uma obediência cega? Será que ninguém se recusaria a cumprir ordens que atentassem contra a vida humana? Aparentemente, parece simples enxergar o mal por trás do nazismo e tomar partido contra o movimento. Porém a coisa não funciona bem assim, e foi isto que Ron Jones quis demonstrar aos seus alunos, na impossibilidade de explicar, ao iniciar o experimento chamado The Third Wave (Em português, a terceira onda). Ron Jones, segundo ele diz, trouxe elementos de um grupo autocrático para a sala de aula de modo que a partir daquele momento os alunos o obedeceriam seguindo regras rígidas de disciplina. Seguindo um discurso autoritário e inflamado, cujo propósito seria a obtenção de poder, os alunos começaram a ficar empolgados com o projeto e começaram a vivenciar em suas rotinas as regras impostas pelo professor. Entre as regras, eles deveriam se sentar com postura correta na sala de aula, deveriam se levantarem para responder ou formular questionamentos, deveriam ser sempre objetivos e direcionarem-se diante professor sempre por Senhor Jones. Logo eles compraram o slogan “poder através da disciplina”. Durante a semana, o professor Ron Jones fez um discurso da importância de um grupo alinhado e de como ele seria indestrutível, visto que é mais fácil lutar por um ideal em grupo do que sozinhos. Sendo assim eles adicionaram um novo objetivo: poder através da união. Então adotaram um símbolo, um cumprimento padrão, que identificava os seus membros, e um nome: The Third Wave. Logo a escola foi contaminada pelo The Third Wave e alunos de outras turmas começaram a fazer parte do grupo, que contagiava à todos por um modismo onde ninguém queria ficar de fora. O próprio professor começou a gostar de tudo aquilo, visto o controle e o respeito que ele tinha mediante os seus alunos. The Third Wave começou a perder o tom de uma experiência corriqueira e ganhar a realidade. Precisou que um aluno o questionasse para que ele acordasse de seu próprio feitiço: aonde estava o valor da liberdade individual de cada um? Onde residia a identidade de cada aluno que fazia parte do grupo, visto que todos pensavam e faziam as mesmas coisas? Onde estava a glória em fazer parte de algo assim? Enfim, Ron Jones planejou como finalizar o experimento de como que eles pudessem enxergar o que havia acontecido. Ron Jones marcou uma reunião com todo o grupo, que havia ficado gigante em relação ao início, e disse que o que estava acontecendo ali não era diferente de como aconteceu no nazismo: um bando de pessoas que, cegamente, seguia rigidamente as ordens de um ditador, excitados pelo contágio repentino, sem questionar cada passo que era dado. Em uma menor escala, ali estava uma representação infíma do que foi o nazismo na Alemanha de Hitler. Era o fim da experiência. O episódio deu origem à um livro que romantiza a experiência, escrito pelo próprio Ron Jones, um curtametragem de 1981 para a televisão, chamado The Wave, do canal ABC, e um longametragem alemão chamado Die Welle. De fato, o que temos é um episódio claro de condicionamento e lavagem cerebral, algo que sabemos que existe mas que parece estar tão distante de nós. O que não é verdade. O tempo inteiro somos vítimas de um pensamento padrozinado, principalmente pela força da mídia, que molda, inclusive, o nosso olhar. Um dia as mulheres bonitas eram as obesas, hoje o padrão de beleza está nas mulheres magras, ou seja, a nossa visão é condicionada a enxergar o belo através de um discurso global. Assim também funciona os movimentos de massa, cujos crimes são justificados por algo maior e as pessoas acabam por se isentar das responsabilidades da vida. Aí está a vida como ela é.

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