terça-feira, 9 de maio de 2017

A NOVELA DO JUIZO FINAL OU PERDOA POR ME TRAÍRES

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Lula X Moro
Enquanto a Lava Jato faz seu justiçamento catártico e o embate Lula X Moro é anunciado com as trombetas do apocalipse a corrupção opera de forma escancarada e sistêmica no Congresso.
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Depois da “delação do fim do mundo”, o Brasil vive um momento de apatia e profunda descrença, em todos os níveis, diante de “tudo que está ai”, um sistema econômico corrupto que não se distingue do funcionamento do Estado e que finalmente mostrou sua cara escandalosa.
Apesar dos fatos revelados (ilegalidade dos financiamentos de campanhas, licitações regularmente fraudadas, obras superfaturadas), o processo de exorcismo coletivo, com as centenas de prisões, algo excepcional na história do país, não se consegue ultrapassar o imediatismo da operação Lava Jato.
Quando não se rompe o sistema, justamente, tudo parece com uma excepcional “remediação”.
A corrupção não é o desvio das regras das instituições, mas seu modo de funcionamento. Ou seja, como se mudam as regras e o sistema? A questão não é colocada!
É um enorme erro canalizar a indignação geral da nação para a destruição da “classe política ”quando o sistema não funciona sem a participação das corporações, do empresariado, da mídia, do judiciário, de “tudo que está ai”.
A corrupção tem bancada no Congresso: a  bancada ruralista, a bancada fundamentalista, o lobby das empresas de comunicação e do agronegócio e outras forças arcaicas de especulação contra a vida e contra as liberdades.
É com base no lobby e no poder econômico das corporações, das mídias e igrejas que se corrompe o o sistema parlamentar, que se destrói os direitos trabalhistas, previdenciários, o meio ambiente, os territórios e cosmovisão indígenas, a juventude negra, a saúde da população, os direitos e as liberdades.
O sistema continua intacto e tudo parece com uma excepcional “remediação”.
A corrupção não é o desvio das regras das instituições, mas seu modo de funcionamento.
Ou seja, como se mudam as regras e o sistema? A questão não é colocada!
Um outro erro é canalizar a indignação geral da nação para a destruição da “classe política ”quando o sistema não funciona sem a participação das corporações, do empresariado, da mídia, do judiciário, de “tudo que está ai”.
A corrupção tem bancada no Congresso: a  bancada ruralista, a bancada fundamentalista, o lobby das empresas de comunicação e do agronegócio e outras forças arcaicas de especulação contra a vida e contra as liberdades.
É com base no lobby e no poder econômico das corporações, das mídias e igrejas que se corrompe o o sistema parlamentar, que se destrói os direitos trabalhistas, previdenciários, o meio ambiente, os territórios e cosmovisão indígenas, a juventude negra, a saúde da população, os direitos e as liberdades.
Estamos vendo esses lobbies operando livremente no governo Michel Temer enquanto a Lava Jato opera uma remediação catártica!
A demolição dos direitos operada pelo governo Temer seria possível sem a catarse da Lava Jato? Como é possível desvincular as duas coisas?
Faltam atores nessa história da corrupção estruturante. Por exemplo a relação entre as verbas publicitárias, os anunciantes e as pautas das corporações de mídia. Ou um setor e atores tão poderosos estão “fora” e “acima” da corrupção estruturante na sociedade brasileira?
Há um tratamento diferenciado na mídia e no judiciário que se reflete no imaginário popular que cola a corrupção a “classe política” de forma prioritária. Em termos de narrativa a Lava Jato é a moralização da “classe política”, responde ao “horror” da política.
Os empresários “premiados” com suas delações, estão virtualmente “perdoados” e usufruirão parte do que foi amealhado no butim aos recursos públicos fora da prisão.

Mas se o sistema não está em risco, mesmo depois da Lava Jato, como se comportará o eleitor?

De maneira purista? Com um novo patamar ético? Ou com uma enorme relativização da corrupção, com efeitos inesperados.
A tradição católica, diante do pecado geral estruturante oferece uma aliviada final com a figura do “arrependimento premiado”. É uma estrutura simbólica e retórica forte. Basta “se arrepender” de seus pecados, mesmo os mais hediondos, no final da vida e se ganha o reino dos céus!
Em tempos de Lava Jato, nós chegaremos nesse patamar “bíblico” nas disputas de imaginário e em torno dos fins, meios, escalas, campos, partidos participantes do esquema de corrupção estruturante?
Como ler a popularidade de Lula nas pesquisas para 2018, neste momento? Estamos no centro das investidas da Lava Jato e no centro de uma narrativa extremamente maniqueísta entre justiceiros e justiçados. O “capital simbólico” do ex-presidente da República se submeterá a um novo patamar ético pós Lava-Jato, onde se vende uma “solução final” para a corrupção do sistema com sua prisão exemplar?
Diante de um imaginário político explodido, em que se perdeu praticamente todas as referências, que moral será invocada nesse embate polarizado e espetacularizado entre Lula X Moro? Como reduzir tal embate carregado de simbologias a “fria letra da lei”?
Ouçam os Racionais: “Enquanto zé povinho apedrejava a cruz / Um canalha fardado cuspiu em Jesus / Aos 45 do segundo arrependido/ Salvo e perdoado/ é Dimas, o bandido. É loco o bagulho/ Arrepia na hora/ Dimas, primeiro vida loka da história”.
Vamos precisar de mais Nelson Rodrigues (Perdoa por me traíres, em que a vítima pede perdão ao traidor), narrativas bíblicas (o Bom Ladrão) e a sociologia a quente dos Racionais para entender o inconsciente geral da nação nos próximos capítulos da novela do juízo final.
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