terça-feira, 12 de dezembro de 2017

MARIGHELLA, UM VERDADEIRO BRASILEIRO, UM PATRIOTA

NOTA POLÍTICA
MARIGHELLA, UM VERDADEIRO BRASILEIRO, UM PATRIOTA

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Segundo Luiz Fernando Leal Padulla, no portal Vermelho ao ler, entender e conhecer sobre este soteropolitano, todo estigma – ditado pela direita desesperada e reacionária – carregado por Marighella, se desfaz como pó, dando espaço para a verdade e você vai perceber que estão te vendendo sempre em submissão aos interêsses do capital. Não julgue Carlos Marighella antes de conhecer sua biografia e seu ideal. Marighella foi sim um herói, que bateu de frente contra os interesses imperialistas e capitalistas dos EUA.
RONDÓ DA LIBERDADE
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre…
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir até quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Sabes de quem é esta poesia que fala de liberdade, que é preciso não ter medo que o homem deve ser livre e que acima de tudo é preciso ter coragem de dizer? Esta poesia e outras, muitas outras é do político, guerrilheiro e poeta, Carlos Marighella que vivenciou a repressão de dois regimes autoritários: o Estado Novo (1937-1945), de Getúlio Vargas, e a ditadura militar iniciada em 1964. Foi um dos principais organizadores da resistência contra o regime militar e chegou a ser considerado o inimigo número um da ditadura.
Começou bem jovem e sua primeira prisão ocorreu em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Em 1936, abandonou o curso de Engenharia Civil e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na época dirigido por figuras históricas como Astrojildo Pereira e Luís Carlos Prestes. Tornou-se, militante profissional do partido e se mudou para o Rio de Janeiro.Durante a ditadura na Era Vargas, foi preso por subversão e torturado pela polícia de Filinto Müller duas vezes. Ficou na prisão até 1945, quando foi beneficiado com a anistia pelo processo de redemocratização do país.
Elegeu-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, como um dos mais bem votados da época. Mas, nesse mesmo ano, Marighella voltou a perder o mandato porque o governo Dutra, por orientação do governo estadunidense, cassou todos os políticos filiados a partidos comunistas e Impedido de atuar pelas vias legais, retornou à clandestinidade e ocupou diversos cargos na direção partidária. Convidado pelo Comitê Central, passou os anos de 1953 e 1954 na China, para conhecer de perto a Revolução Chinesa.
Pouco se ouve falar sobre Carlos. E quando se vê alguma coisa, é com aspecto negativo.
Isso porque temos dois tipos de geração: aqueles nascidos durante a época da Guerra Fria, e aqueles cuja paciência para leitura é praticamente nula, restringindo-se às manchetes e memes das redes sociais.
Para os mais velhos, ainda sobrevive em seu subconsciente a visão de “comunistas comedores de criancinhas”, afinal, foi esse tipo de propaganda difundida pelos yankes para condenar o comunismo/socialismo – basta lembrar os aviões dos EUA que sobrevoavam a ilha de Cuba lançando panfletos que amedrontavam o povo cubano, alertando para o “perigo” dos revolucionários. À época, pouca informação – e principalmente pouco acesso a ela – se tinha. Ao horrorizar a população, tudo aquilo que tinha uma estrela vermelha era rapidamente recriminado, temido e rechaçado.
No Brasil, o golpe militar de 1964, por não ter encontrado quase nenhuma resistência, deixou perplexos setores organizados da esquerda e movimentos sociais que apoiavam o governo Goulart. A impressão era de que as esquerdas que prometiam a revolução se rendiam sem conseguir entender a situação. O velho clichê que afirmava o brasileiro como passivo e distante da política parecia se confirmar. Tal como estamos vivenciando com o golpista Temer e o Juiz Moro, que nem gosto de ler nada a respeito nem de escrever.
Em 1964, os trabalhadores urbanos tiveram seus líderes duramente reprimidos e amargavam nas prisões enquanto seus sindicatos estavam sob intervenção, tinham se calado. Os camponeses e trabalhadores rurais, principalmente do Nordeste, estavam submetidos pelo terror. Em especial os das Ligas Camponesas, cujos líderes foram caçados e muitos deles executados pelo Exército e por capangas de latifundiários.
Em maio de 1964, após o golpe militar, Marighella foi baleado e preso por agentes do DOPS dentro de um cinema, no Rio. Libertado em 1965 por decisão judicial, no ano seguinte decidiu se engajar na luta armada contra a ditadura e escreveu o livro “A crise brasileira”.
Além das referidas manifestações dos intelectuais, em 1965, exatamente um ano depois do golpe, houve uma tentativa de organizar a resistência armada. Foi uma ação de guerrilha, patrocinada por Leonel Brizola e comandada pelo coronel Jefferson Cardim, no interior do Rio Grande do Sul. A ação não recebeu o apoio esperado e foi facilmente dominada. Mas já era o prenúncio do que viria mais tarde, com mais força.
Mas o espírito de resistência cresceu a partir de 1966 e foi aumentando com o decorrer dos anos, à medida que o programa econômico da ditadura ampliava a concentração da riqueza e o empobrecimento dos trabalhadores, e que o regime repressivo não dava espaço para as reivindicações populares. Assim, o sentimento de oposição alcançou novos setores até se tornar um amplo movimento de opinião e de militância pela democratização da sociedade. Esta Visão daquele período nos dá um animo para que a resistência cresça. O programa do Temer já está insuportável e as reivindicações populares estão silenciosas exceto do MST e do MTST que não se calam diante das aberrações do golpista e seus agregados tipo Meirelles, Marun e Cia.
Com o recrudescimento do regime militar, os órgãos de repressão concentraram esforços na captura de Marighella e na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella foi surpreendido por uma emboscada de proporções cinematográficas na alameda Casa Branca, na capital paulista. Foi morto a tiros por agentes do Dops, em uma ação gigantesca coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. A morte de Marighella marcou a história da resistência armada urbana à ditadura militar no Brasil. A ALN continuou em atividade até o ano de 1974.
Alguns escritos políticos de Marighella, embora redigidos em português, ganharam primeiro uma edição em outra língua, devido à censura imposta a obras do gênero pelo regime militar brasileiro. É o caso de “Pela libertação do Brasil”, que em 1970 ganhou uma versão na França, financiada por grupos marxistas. Estão disponíveis em português: “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil” (1958), “Algumas questões sobre as guerrilhas no Brasil” (1967) e “Chamamento ao povo brasileiro” (1968). Uma das mais divulgadas obras de Marighella, “O minimanual do guerrilheiro urbano”, foi escrita em 1969, para servir de orientação aos movimentos revolucionários. Circulou em versões mimeografadas e fotocopiadas, algumas diferentes entre si, sem que se possa apontar qual é a original. Nessa obra, ele detalhou táticas de guerrilha urbana a serem empregadas nas lutas contra governos ditatoriais.
Lá no “O minimanual do guerrilheiro urbano Marighella diz “Vendo a ditadura à beira do abismo e temendo pelas conseqüências da guerra revolucionária, já então num plano bastante avançado e irreversível, os apaziguadores, sempre existentes entre as classes dominantes, e os oportunistas de direita, partidários da luta pacífica, dar-se-ão as mãos e passarão a murmurar nos bastidores,: implorando por eleições, democratização, reformas de cartas constitucionais e outros ingredientes destinados a enganar as massas, buscando fazer cessar o impacto revolucionário nas cidades e nas áreas rurais do país.
Carlos foi, acima de tudo, um verdadeiro brasileiro, que colocaria “no chinelo” qualquer um que se diz patriota hoje em dia.
Marighella foi – e deve ser para sempre – um exemplo de resistência!
Maristela Farias - DRT 1778/PE
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