sábado, 2 de dezembro de 2017

PARA DELAÇÃO SÓ PRECISAVA RESPONDER: QUAL O SENHOR CONHECE, QUAL O SENHOR PODE ENTREGAR?




Colaboratório.org
Publicado por Maristela Farias12 h
NOTA POLÍTICA
“O JUIZ SÉRGIO MORO, NUM PAÍS DE DEMOCRACIA MAIS APERFEIÇOADA, JÁ TERIA PERDIDO O CARGO E ESTARIA ATRÁS DAS GRADES, SOBRETUDO POR UM VAZAMENTO ILEGAL DAQUELES GRAMPOS EM QUE ELE GRAMPEOU A PRESIDENTA DA REPÚBLICA (DILMA ROUSSEFF), ATENTOU CONTRA A SEGURANÇA NACIONAL E DESRESPEITOU UM DISPOSITIVO EXPRESSO DE LEI QUE PROÍBE UM JUIZ DE DIVULGAR CONTEÚDO DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA.”(Dep. Wadih Damous) E NÃO SE ARREPENDEU, CONFORME ELE MESMO DISSE



Estávamos todos ansiosos pelo depoimento do advogado Tacla Duran, menos a imprensa. Esperei horas para ver que notícias seriam divulgadas a respeito mas não fosse a internet e jornalistas aguerridos que enfrentam destemidamente as mídias novelísticas, não saberíamos exatamente tudo que aconteceu durante o tão esperado depoimento.

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) afirmou, em vídeo divulgado na internet, que o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS,é “elucidativo” no sentido de mostrar que a Operação Lava Jato “é um absoluto cenário fora da lei, de atentados à Constituição, a direitos fundamentais, de desrespeito ao Estado democrático de direito”.

Para Damous, a divulgação do depoimento é imprescindível para mostrar “as sombras” que caracterizam a operação comandada em Curitiba pelo juiz Sérgio Moro, já que a chamada “grande imprensa” não divulga a face oculta e o modus operandi do juiz e dos procuradores.

“Se viesse um Sérgio Moro aqui, um daqueles procuradores da Lava Jato, isso aqui (o depoimento de Tacla Duran) estaria infestado de jornalistas da Rede Globo, do Estadão, da Folha. Não tem nenhum deles aqui, porque essa narrativa não interessa, porque essa narrativa revela entranhas da Operação Lava Jato, que têm de esconder da sociedade brasileira.”

O advogado Rodrigo Tacla Duran afirmou que “havia uma ansiedade do Ministério Público em obter a confirmação de fatos alegados contra mim para que eu confirmasse, para que se fechassem casos apenas com delação premiada, sem comprovação dos fatos, sem investigar, sem inquéritos. Esse é o sentido da ‘indústria de delação’. Indústria da delação porque estão fechando processos penais batendo carimbo, sem investigar.”

No depoimento, feito por videoconferência, pois o advogado mora na Espanha, Duran afirmou que integrantes do Ministério Público o procuraram para fechar acordo de delação premiada no qual assumiria crimes, que ele diz não ter cometido, para incriminar autoridades e políticos. Na oportunidade, fez diversas afirmações devidamente comprovadas e que vou tentar enumerá-las

1. A perícia encomendada por ele junto a profissionais da Espanha comprovam que documentos do sistema de e-mails internos (intranet) da Odebrecht foram alterados antes e depois de o sistema ter sido bloqueado pelo MPF.

2.Por conta das falsificações encontradas nas delações premiadas dos executivos da Odebrecht, considera que todos os documentos obtidos diretamente do banco de dados da empreiteira podem estar comprometidos.

3.Confirmou a informação de que recebeu proposta do Ministério Público para fazer um acordo de delação premiada, mas não aceitou porque achou que queriam criminalizar sua profissão e imputar crimes que não ele cometera. 

4. Confirmou a versão de que houve um encontro, promovido pela Odebrecht, entre seus executivos para combinar as informações a serem repassadas durante delações premiadas.Rodrigo Duran apontou adulteração no sistema de dados sobre propina e apresentou documentos

5. Informou que a Odebrecht alugou um hotel em Brasília no qual se reuniram por vários dias aproximadamente 100 executivos, para que acertassem os termos dos acordos e tudo o que cada um deles diria. Depois desse encontro foram homologados acordos com 77 executivos, o que significa que foi uma delação combinada entre todos eles

6.Segundo ele, os procuradores Deltan Dallagnol (famoso pelas “convicções” apresentadas contra Lula pelo PowerPoint), Carlos Fernando Santos Lima, Roberson Pozzobon e Júlio Noronha Duran participaram dessas negociações.

7.Admitiu aos deputados e senadores ter contratado o escritório paranaense por ter sido “aconselhado” a contar com “alguém que fosse da patota de Curitiba” No depoimento, ele afirmou ter interpretado esse termo - "panela de Curitiba" - como sendo uma referência a advogados com "bom trânsito e bom acesso à força-tarefa". Foi então que ele buscou Zucolotto para tentar firmar o acordo, e posteriormente o advogado Marlus Arns, para quem chegou a pagar honorários de 1,5 milhão de dólares, mais impostos.

8. O advogado preferiu não se estender em declarações contra Moro ou a mulher do magistrado, a advogada Rosângela Moro. “Não tenho nada a falar sobre o juiz Sérgio Moro, apenas que ele está extrapolando o papel de juiz, me prejudicando um pouco” Anteriormente, ele havia afirmado que o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Júnior, amigo e padrinho de casamento de Moro, intermediava negociações paralelas com a força-tarefa. Rosângela Moro faz parte da equipe do advogado Carlos Zucolotto, de Curitiba, a quem Duran contratou para representá-lo no processo.

9.Ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran revelou, no que o Ministério Público lhe propôs uma "delação à la carte"; "Marcelo Miller [o ex-procurador afastado por Janot] me mostrou uma lista de parlamentares e perguntou: qual o senhor conhece, qual o senhor pode entregar?"

10.O ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran confirmou aos parlamentares que a força-tarefa da Lava Jato omitiu contas no exterior que eram ligadas a investigados; com isso, os recursos não seriam bloqueados pelos investigadores; esse seria o caso, por exemplo, do casal João Santana e Mônica Moura, que fizeram campanhas do PT e atribuíram dinheiro de propina à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2014 em acordo de delação premiada

Os dois chegaram a ser presos no âmbito da Lava Jato e condenados a 8 anos de prisão pelo juiz Sergio Moro por 19 atos de lavagem de dinheiro. Eles foram absolvidos pelo crime de corrupção. A condenação seria de sete anos em regime fechado, mas como fizeram delação premiada, a pena foi substituída por prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica por um ano e meio. Eles deixaram a prisão em agosto de 2016.

11.O advogado relatou ter recebido de um funcionário da Odebrecht uma planilha com contas no exterior, para que ele identificasse os donos dessas contas. Tacla Duran disse não ter conseguido cumprir a tarefa da empreiteira porque os sistemas que ele tinha disponíveis para o trabalho "não foram suficientes". "Era preciso quebrar o sigilo", afirmou.

O funcionário teria ficado "bastante chateado, irritado" com a resposta de Tacla Duran, pois precisava "dar uma resposta ao Marcelo [Odebrecht]" sobre as contas. A empresa pretendia pressionar o governo Dilma com a informação de que havia dinheiro de propina relacionado à campanh o presidente.
12.Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que, a partir dos fatos revelados,“e com farta documentação comprobatória, é um imperativo moral da CPMI ouvir o advogado Carlos Zucoloto”, que pode ser o grande elo que explique as relações subterrâneas com a Lava Jato”, disse Pimenta, que é membro da CPMI, assim como Damous.

13.Tacla Duran apontou várias irregularidades de procuradores da Lava Jato, “o que exigiria posicionamento do Conselho Nacional do Ministério Público, órgão de supervisão e controle do MPF”, segundo avaliação da jornalista Tereza Cruvinel, do site Brasil 247. O advogado revelou, por exemplo, que o Zucolotto pediu R$ 5 milhões “por fora” para tentar aliviar a multa que teria de pagar, caso firmasse acordo com a força-tarefa.

Para Wadih Damous, Moro estaria preso se o país vivesse uma democracia de fato. “O juiz Sérgio Moro, num país de democracia mais aperfeiçoada, já teria perdido o cargo e estaria atrás das grades, sobretudo por um vazamento ilegal daqueles grampos em que ele grampeou a presidenta da República (Dilma Rousseff), atentou contra a segurança nacional e desrespeitou um dispositivo expresso de lei que proíbe um juiz de divulgar conteúdo de interceptação telefônica.” e não se arrependeu, conforme ele mesmo disse

Segundo o deputado, a divulgação das alegações do advogado Duran é importante também para esclarecer a sociedade sobre quais os reais objetivos da Lava Jato. “Se a sociedade tomasse conhecimento de que se manipulam provas, falsificam-se documentos, coagem-se acusados, testemunhas, delatores, boa parte da sociedade que ainda acredita na pureza da operação deixaria de acreditar.”

Maristela Farias Josnalista DRT/1778/PE
Postar um comentário