terça-feira, 22 de outubro de 2013

DELANO, UM CRONISTA PÓS MODERNO



 
“Trouxe a tinta preferida dele e o pincel que ele não chegou a usar. A tinta que coloquei, vim pensando nisso... Ele vai para o céu deixar o céu mais azul, que era o que ele mais gostava de fazer. É a melhor pessoa que já conheci, meu melhor amigo” (Vicente Manoel de Farias de França e Silva, seu único filho)  
 
Se hoje eu estou aqui escrevendo e reolhando as obras, fotos, escritos sobre e de Delano é porque ele, como disseram alguns de seus amigos, e entre eles a artista plástica Tereza Costa Rêgo, " se referiu ao amigo como um cronista da sociedade, um homem dotado sempre de um recado para dar, em alusao a orientaçao de denuncia social e política. "A cultura pernambucana perdeu um grande artista. Os orgaos de cultura lhe devem uma grande exposiçao."
Gostaria de escrever sobre Delano, especialmente o que ele significou para a arte brasileira e pernambucana, em particular, mas vamos deixar aqui, alguns depoimentos sobre esse artista que dizia: "Eu nao trabalho pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal saio de casa. Às vezes, passo meses sem descer do meu ateliê, botar o pé na calçada. Preciso até que as pessoas levem comida para mim”, afirmou, em entrevista à repórter Olívia Mindêlo, em uma matéria publicada no Caderno C em 2006, do Jornal do Commercio, quando uma individual dele era inaugurada no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda.
 
II –  Ariano Suassuna
Publicado no DIARIO DE PERNAMBUCO – Domingo, 20 de dezembro de 1964
"Quanto a Delano, ....... desde já que, como sucedeu a Guita Sharifker, é ele um dos jovens discípulos de Abelardo da Hora que progridem na medida em que rebentam as limitações do social- gostaria de deixar assinalado aqui meu entusiasmo por esse jovem desenhista que, com apenas dezenove anos, já revela tanta força e tanta imaginação. É quando vence as primeiras influências que recebeu que Delano revela sua verdadeira natureza."
DIARIO DE PERNAMBUCO-05 de setembro de 1965
OS DESENHOS DE DELANO
 João  Câmara Filho
Delano é um artista moderno enquanto cria para as suas obras uma fisionomia transformada que toma origem na luta que assume para penetrar um significado interior sugerido pela sua visão de vida e da natureza. É moderno enquanto se propõe a um exercício subjetivo, a uma reflexão sobre a sua cosmovisão, a um estímulo para a criação revoltada de imagens articuladas em um espaço que procura expandir a sua atmosfera para os círculos irreais mais negros e afastados.
Do mesmo modo que muitos artistas do Nordeste usa da representação figurativa para alcançar um instrumental com que manipule o onírico, seja para obter um resultado profético, apocalíptico, seja para alcançar um instrumental da natureza – para representá-la putrescível, decomposta sob o peso temível de suas impossibilidades, transmudada mòrbidamente em terríveis aparições lendárias.
Não se engaja na problemática de uma arte de vanguarda, talvez o seu comportamento seja mais receptivo, dispondo-se permeável àquelas inovações mais susceptíveis de lhe aumentar o domínio da invenção. Aprende a sua arte à medida que trabalha e vai compondo uma reserva de imagens que se desenvolvem e se modificam de desenho em desenho.
Qual é o primeiro impulso que leva Delano a se exprimir em uma arte ¨negra¨[i], a manifestar uma codificação simbólica situada entre o sentimento da morte e uma organicidade cancerosa da vida? Qual a sequência dinâmica que unifica, em traços agressivos, este estranho cenário de visões negras e rostos torturados e animais fantásticos? Por que não exprime a morte e a vida com um recolhimento enlutado e reverente? Porque a morte e a vida escapam para o papel feridas de um sentimento patético e heróico, agitadas em gestos revoltosos, caricaturando-se e remoendo dúvidas com impaciência?
Seus desenhos, no que possam estar ligados por sua ¨experiência esotérica¨, às obras de Baldung Grien ou Bosch ou Fuseli ou William Blake ou Kubin, ou que se aparentem, às ilustrações de Gustave Doré para a Divina Comédia, possuem a mais uma interpretação primitiva, um mergulho inconsciente na profundidade ¨das forças da natureza¨. Seus desenhos não são orientados por um refinamento místico – rasgam, com estruturas pesadas e às vezes  escultóricas, carregadas de uma trama nervosa, a atmosfera volátil e contemplativa, fluida e fantasmagórica dos que pintam com as ¨Coisas Reveladas¨diante dos olhos. Delano procura criar um estado orgânico, procura inventar uma fisiologia mórbida  para as suas figuras. Conquanto as faça imergir no sonho, emersas advertirão a crueza e o terror das trevas que percorreram, ferir-nos-ão com sua realidade impossível, estarão sólidas diante de nós – não nos informam de outra vida: condenam-nos a esta. O céu e o inferno que nos mostram as suas figuras carbonizadas não são extemporais; estão contidos, convulsionados nas entranhas dos bichos, sob a anatomia tétrica dos personagens, dentro das plantas e das pedras.
Até quando Delano manterá em suas obras esta primeira e agressiva revolta contra o ¨significado da vida¨, isto parece  ser respondido pela possiibilidade de seus desenhos deixarem uma ¨adolescência rebelde¨ que em tudo descobre o sinal fatídico da morte e da transformação.
Seria, entretanto, fazer demasiada ¨psicologia¨ reduzir a uma análise do impulso ao tema as razões da experiência  formal em que Delano se inicia.
O primeiro que notamos em seus desenhos é uma expressão orgânica, uma vivificação de imagens que reagem entre si e que se desenvolvem em ritmos fortes ou angulações bruscas. Esta empatia violenta, pesada, é reforçada pelo tecido áspero da trama, trama cheia de espirais e sem preocupações de retícula perfeita, textura que mais parece encher as formas de energia e áreas irritáveis, que podem expandir-se pelo desenho todo, que modelar as figuras ou a paisagem. A criação de pontos de tensão ou de confluência de formas estabelece um estado de equilíbrio ameaçado pela instabilidade do jogo rítmico dos contornos das grandes formas. Daí haver um certo ¨barroquismo¨  de composições suas onde predominam as curvas, um certo monumentalismo quando isola grande figuras sobre um fundo apenas texturado.
As suas composições, o agrupamento de formas, não são afeitas a uma pesquisa sobre as possíveis invenções com o espaço de que dispõem, situam-se em uma ordenação tradicional, desenvolvem-se em um esquema ¨figura – fundo¨, constroem planos de profundidade, o ¨motivo¨ principal lançado n primeiro, os elementos acessórios dispostos nos ângulos e nos lados do papel ou empurrados para um ¨back ground¨ em valores baixos. Joga com a perspectiva aérea e com indicações lineares de profundidade, o que é resultado de que suas figuras estão indicadas em plano e em volume.
O claro-escuro seu maior recurso, estrutura a atmosfera e a consistência rude das formas, cria a surpresa contínua de fortes contrastes, delimitando as formas com uma geometria irregular, fazendo toscas posturas tetanóides nos gestos dos cavaleiros, das mulas-sem-cabeça, tornando um esqueleto crucificado num luminoso e grotesco conjunto de ossos cariados.
Todos estes fatores formais unificam-se em uma atitude inventiva, um exercício de imaginação , uma exacerbação das características das coias descobertas e inventadas. A expressão fisionômica dos personagens, a ¨teatralidade¨ de suas emoções e medos, tende a refletir o ambiente terrorífico onde se insere uma irrealidade ameaçadora, comporta-se como coisa que percebe e que é capaz de reagir ao percebido. Impõe-se uma maneira caricatural, uma deformação esquemática que se refere num e noutro desenho, seja por uma desindividualização das figuras obtida por um modelo de rosto, uma feitura para os olhos, para o nariz, para as mãos, seja pelo emprego, sob o mesmo, tratamento de fácies de pavor ou aversão, ira ou revolta.
Pode ser notada aí toda uma problemática de conteúdos expressionistas, de uma arte que só se afasta do natural naa medida em que possa penetrá-lo mais ou identificá-lo consigo, num plano de idealidde.
A força ou a sugestão subjetiva da arte de Delano reside na comparação da morbidez orgânica dos elementos da obra em si com uma ¨crítica¨ que lhes fazemos, inferindo-os a nossa imagem real da natureza.
Enquanto há uma reificação de elementos reconhecíveis transfigurados por uma roupagem irreal e há para nós que observamos a obra uma consciência de que ¨aquilo não existe na natureza¨ condensa-se o único meio de penetrarmos na expressão interior das imagens e captar a significação do que os desenhos tem de mais primitivo;  uma agressão orgânica às coisas naturais.
Se a cosmovisão de Delano não permite em suas obras um ¨enfoque lógico¨das idéias e das imagens e que, por isto mesmo, desarticulem-se as ligações entre o tema e a necessidade de expressão forte e chocante transbordam sobre uma formação artesanal ainda pequena e que não pode dominar toda a premência de transformar as coisas percebidas e virtualizadas em material de imaginação e criação. Para Delano  o tratamento de temas grotescos e tétricos é um processo integrador e crítico (enquanto a força dialogar com a sua obra) e desenvolvedor de sua visão do mundo. Desde que conserve uma disposição construtiva em sua necessidade de abranger o real a partir da fabulação de imagens fantásticas, poderá somar ao seu trabalho, novos instrumentos de penetração.
Pois, esta agressão à natureza, esta rejeição à compreensão objetiva do seu íntimo, é, até onde alcançamos, a energia que restringe a acomodação da linha aos contornos aparentes e normais das coisas vistas e que depura o significado interior e tenebroso do que não pode ser, das coisas que estão predestinadas a uma vida oculta e que somente se nos afloram revestidas do sentimento terrífico da metamorfose ou reprimidas e reduzidas pela limitação dos próprios meios expressivos.
É nesta instabilidade que se forma a emanência fantástica do conteúdo, criando-nos o impasse na contemplação de suas obras – permanecer descritivos enquanto analisamos a ordem formal de seus desenhos ou desdobrarmo-nos em muitas almas sobre as imagens interiores abrigadas nas formas. A ausência de uma disciplina rígida, de um artesanato pensado nos trabalhos de Delano é o que lhe informa a melhor maneira de exorcizar os demônios que corroem as figuras e que putrefazem a trama de seus desenhos, tornando-a uma superfície doentia e irritável que se expande em gestos agressivos, tentando criar sua última ordem, um último estágio concreto de expressão em que as idéias se não lhe fujam da rede negra e irregular do nankim.
*Para o catálogo da exposição coletiva de artistas do Recife no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a ser realizada em 22 de setembro deste ano.
UM DESENHISTA VOLTA: EU SOU LÚCIDO
Prometemos uma entrevista com o desenhista Delano, que retornou ao Recife, para fixar residência, após uma permanência de quatro anos em São Paulo. Aqui está, sintética, mas muito objetiva. Aliás, os artistas de vanguarda preferem muito mais a comunicação através de sua arte do que mesmo definições escritas, o que respeitamos e compreendemos. São, na maioria, de falar pouco. Fizemos duas perguntas a Delano, já conhecido de todos nós, através de exposições, prêmios, salões, etc.
Qual foi o resultado de sua experiência de vida na capital bandeirantes?
R – Eu saí do Recife desenhando, como até hoje, sem atração pela tinta sobre tela de madeira ou pano. O desenho para mim nunca será monótono, porque o traço sobre o papel nunca se deixou dominar, pois continua sempre à frente da pena ou do pincel, deixando-se seguier até a irritação do cansaço. Na outra cidade em que morei, penetrei por outro plano diferente do rotineiro que vivia com o humano. Um desenho nervoso, rápido, com o pincel correndo atrás da tinta escorrida no papel, ou então desenhos com a trama preenchendo roupas, corpos estranhos, distancias e sonhos. Fiz uma série de tentativas com o desenho colorido a pastel que o tempo e o trabalho constante é que dominam. Do grafite de lápis importados eu gostei de fazer uma série de desenhos bem cuidados para salas sofisticadas. Em São Paulo uma vida incrível foi vivida.
Por que a volta, Delano?
R – Durante quase o tempo todo vivia distante do que poderia ser o meu ambiente natural, entre artistas e poetas lunáticos, embaraçados na estética sem ter quem os salve. Continuei na vida livre de tentações escravagistas a crediário longe de possíveis invasões de lixo. A gravata barata enrolada ao pescoço  do boneco de língua de fora foi ficando cada vez mais longe sem despedida a nenhum patrão. Desenhei por jornal que me pagava bem por um traço que nunca dei. Meu desenho continua desconhecido pelos que usam óculos avançados e eletrônicos dos que forçam a visão nunca vivida.
O Recife é uma cidade maravilhosa, onde gravatas e lavandas caras se mostram em carros de luxo de dono dinâmico que destrói a paisagem com construções lodosas. Mas, por mais tempo que se passe longe, uma cidade que mantém a sua tradição, como o Recife, volta o dia em que se encontram os mesmos personagens com discípulos de idênticas caretas. Ficarei por aqui, desenhando como sempre gostei, pois eu já passei fome e me sentei em jantares brasonados sem reter o golpe de pena para imagens irreais. Eu sou lúcido. (DIARIO DE PERNAMBUCO – SUPLEMENTO SOCIAL – 20 DE JANEIRO DE 1974 – Valdi Coutinho)
DELANO: UMA DECISÃO
Alberto Cunha Melo
Por excesso de escrúpulos muita verdade deixou ate’ de ser pensada, muito poema deixou de ser escrito, muito quadro deixou de ser pintado. Contra esse vírus que ataca os hipocritamente delicados o desenhista Delano sempre esteve vacinado. Seus quadros não são gentis cartões de visita rodado aos milhares nas gráficas, dizendo o mesmo mentiroso cumprimento, mas cartazes de afeto e desaforo, com todos os afagos, raivas e urros acesos. São gestos absolutos em um mundo dolorosamente domado, perigosamente arquitetado a’  custa de muito estirar de língua e bananas para normas divinizadas ao tinir dos simbalos ou símbolos oficiais. Esse absolutismo necessário: “ a arte sou eu”, mas do que nunca se faz necessario num mundo em que todos querem ser todos e poucos chegam  a ser verdadeiramente alguém. Se esse “ todos querem ser todos” representasse uma abertura fraternal para a vida, e não uma tentativa de a todos imitar a todos impossivelmente suplantar, seria uma atitude a merecer um festivo estimulo.
 É difícil elaborar  uma arte critica( essa e’ a melhor arte de nosso tempo) sem assumir a raiva mínima capaz de nos pisar com força e “ falta de educação” as salas “ boníssima” e requintadamente silenciosas. Ou, por outra, assumir uma louca bondade, das certas, que se esbanjam de tanto existir. Apenas com verdade interior, que não e’, nem deve ser necessariamente a verdade aclamada, se pode fazer uma arte verdadeira. O artista Delano viajou, teve muitos contatos com monstruosos cosmopolitas e extremosas damas das artes plásticas com suas agendas cheias de nomes estrangeiros e as cabeças estourando de contradição. Não voltou melhor nem pior. Há uma força ética, ainda não mensurada pelos ângulos psicológicos ou sociológicos de nosso tempo, que leva o artista inexoravelmente para frente, atrave4ssando espessas florestas de descobridores, inventores e gênios de toda espécie. E atravessar uma floresta desse tipo, sem ter sido mordido por uma dessas feras, já é prova suficiente de uma vontade realizada no essencial. (Publicado no Jornal do Commercio – outubro de 1974)
 
DIÁRIO DE PERNAMBUCO – Segundo Caderno – 24/10/1974 Paulo Fernando Craveiro
TALENTO IRRESOLUTO
Diante da gama dos trabalhos de Delano, cuja mostra foi ontem inaugurada no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, se pode dizer que ele é um talento irresoluto.
Sua vocação de desenhista vem em ondas. Ele tanto pode demonstrar sua habilidade, sem abdicar de uma cáustica visão crítica dos humanos, na  arte gradual que vibra na espontaneidade dos seus dedos, quanto nos sutis tons do pastel. Mais ainda: Delano parte, de peito aberto, para a aquarela erótica picassiana ou se dá ao luxo cerebral de Paul Klee, na experimentação hieroglífica e na indicação sintética de sinais. Não satisfeito, o artista cria, pedra sobre pedra, litogravuras alegóricas de tom similar ao seu irmão de Olinda e de artes – o pintor João Câmara.
Apesar de sua determinação esquemática, Klee costumava dizer, com um timbre aparentemente paradoxal, que não é possível substituir a intuição. E é exatamente isto eu não falha nunca em Delano: a intuição, que o estimula a agir com a naturalidade de quem pratica um ato de amor com o papel e o traço.
É com certeza nos desenhos de nervo à flor-da-pele, em que a aquarela participa na cobertura das grandes superfícies para conquistar densidade, que Delano melhor se revela. Deformações, turbulência, humor cáustico.
¨Não procuro, acho¨, disse um dia Picasso. Delano ainda procura, mas achará muito breve.
COMO DELANO USA PÚRPURA
JOSÉ CLÁUDIO – DIARIO  DE PERNAMBUCO – 18 de novembro de 1974 – Primeiro Caderno
Viagem adiada, mas tem de ser feita mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, é uma descida aos Infernos. Porque não fazê-la implica em perenizar uma crise, morrer antes de ter sido. É uma  viagem muito louca, secreta e emocionante, principalmente pela gratuidade, contra e a favor ao mesmo tempo de todos e ninguém, ansioso de modo idêntico por tudo e nada, como quem promovesse a explosão do seu próprio ovo cósmico e partisse por todos os caminhos para espiar da beira do Universo.
Que pode ser aqui, como em todos outros pontos menos aqui, e é por isso que o artista não pode deixar gleba sem ser vista e repassada, visitada de surpresa apesar do seu olhar que cria. Na infinita constelação de seus mestres, Delano se sente na obrigação de confesar todas as dívidas, adquirindo assim a sua própria mestria. Bastam-lhe poucos quadros para viver experiências extenuantes. Drástico, impulsivo, mesmo nos pasteis mais amaciados, trabalha com cores limite que exigem intervenção mais extrema do que a aconselhada a João Câmara pelo pintor americano: ¨em caso de dúvida use púrpura¨, que ali a púrpura é usada para os meios tons.
Esses pasteis, apesar de demonstrarem um lado de ingenuidaade, de boa fé d Delano, como se ele quisesse provar mai do que aos outros, a capacidade de detalhar direitinho uma figura, banhá-la com a luz ambiente, tornam-se ao invés num delicioso deboche, dosado com um quê de nostalgia acadêmica, coisa que, nele se constitui numa desenvoltura total.
Extensa e intensa, a exposição demonstra o trabalho constante, a capacidade de explorar os meios, seja aquarela, litografia, lápis, com grande propriedade, e, a percorrer toda a mostra, a segurança do desenho que é a terra firme de sua fantasia.
Resta agradecer a Macira as generosas gamelas cheias de maçãs a tornarem ainda mais simpático o Museu de  Arte Contemporânea, cuidado por Mary Gondim."
 
"O tamanho da obra de um artista se mede pelo mundo que inspira, pelo rio que forma. É como uma língua, mas cada qual tem seu timbre de voz; há de parte a parte um mundo imenso a ser revelado. Esse mundo, em Delano, se descortina em toda a sua independência e máscula originalidade, no seu sentimento e sensualidade, num “blue”, uma atmosfera, uma melancolia tipicamente delaniana, personalíssima e rara. É até impróprio falar de Delano. Delano é um artista diante de quem devíamos ficar calados para não perturbar o sazonamento dos frutos de seu silencio. Nada nele é gratuito. Há algum tempo vi um quadro seu, um auto-retrato com uma explosão ao fundo: será um universo que se esboroou com a chegada de seu filho Vicente( interrogação) Delano sabe que não adianta se atirar a imagens, que o suco está muito no âmago do seu ser e continua fiel a ele mesmo, com grande dignidade." (José Cláudio)
“Viagem adiada mas que tem de ser feita mais cedo  ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, é uma descida aos infernos. Por que não faze-la implica em perenizar uma crise, morrer antes de ter sido. É uma viagem muito louca, secreta e emocionante, principalmente pela gratuidade, contra e a favor ao mesmo tempo de todos e ninguém, ansioso de modo idêntico por tudo ou nada, como quem promovesse a explosão do seu próprio OVO COSMICO e partisse por todos os caminhos para espiar da beira do Universo.
Que pode ser aqui, como em todos outros pontos menos aqui, e é por isso que o artista não pode deixar gleba sem ser vista e repassada, visitada de surpresa apesar de mil vezes conhecida, criador e vitima do seu olhar que cria. Na infinita constelação de seus mestres, Delano se sente na obrigação de confessar todas as dívidas, adquirindo assim a sua própria mestria. Bastam-lhe poucos quadros para viver experiências extenuantes. Drástico, impulsivo, mesmos nos pasteis mais amaciados trabalha com limite que exigem intervenção mais extrema do que a aconselhada a João Câmara pelo pintor americano: “em caso de duvida use púrpura”, que ali a púrpura é usada para os meios tons.
Estes pasteis apesar de demonstrarem um lado de ingenuidade, de boa fé de Delano, como se ele quisesse provar, a si próprio mais do que aos outros, a capacidade de detalhar direitinho uma figura, banha-la com a luz ambiente, tornam-se ao invés num delicioso deboche, dosado com um que de nostalgia acadêmica, coisa que, nele se constitui numa desenvoltura total.
Extensa e intensa, a exposição demonstra o trabalho constante, a capacidade de explorar os meios, seja aquarela, litografia, lápis, com grande propriedade, e, a percorrer toda a mostra, a segurança do desenho que é a terra firme de sua fantasia.
Resta agradecer a Macira ( mulher  de Delano ) as generosas maçãs, a tornarem ainda mais simpático o Museu de Arte Contemporânea, cuidado por Mary Gondim” (outra de José Claudio – Olinda 1974)
 
“ Assim, quero falar sobre o que vi, mas não encontro olhos nem palavras. Para meu consolo uma voz interior me diz que o mundo que meus olhos viram não deve, verdadeiramente. Cada um que veja. Cada um que sinta. E conclua, depois, que não existe trena para medir os encantos e as danações do mundo pelos olhos visitado. O universo de Delano, creio, possui múltiplas e variadas portas. Inúteis, pois, as tentativas de capturar ou medir as cores e as sombras que os olhos viram e deixaram escapulir para a lembrança. As cores e as sombras e as figuras amorosamente conquistadas. E a duradoura impressão, sim, diante do visto e do revisto, que esse mundo ficara ajustado no tempo como um depoimento de nossa época.
Tomar conhecimento da certeza, nem sempre bem alicerçada, de que as cores e as sombras, a pintura e o desenho, tem um significado interior mais forte e denso do que aquele rascunhado nas nossas impressões. A convicção, ainda, de que os espaços destinados à criação foram plenamente preenchidos. Isso sem perder a perspectiva de que outros espaços nascerão, também para serem preenchidos, para adquirirem uma existência pessoal, para fincarem alicerces novos no mundo. E nos olhos cabe revelar as formas e mostrar, como realmente mostram, a quem as conheceu e as admirou, no passado, como o mundo criado por Delano adquiriu um relevo novo, e nitidez das coisas amorosamente construídas.
Em que tempo, indagaríamos então aos nossos olhos, as figuras, as sombras e as cores desabrocharam nesse espaço? Possivelmente não obteremos resposta. Aqui os tempos e as fases estão unidos. E as portas, cuidadosamente descerradas, revelam que o caminho de Delano tem sido um só: o do artista que se busca e se alcança, a cada traço, a cada cor, a cada quadro elaborado e concluído.”  (Poeta Jaci Bezerra Recife – 1974)
 
"Delano é obstinadamente figurativo na composição dos jogos dramáticos que urde para o “comportamento” de seus atores. Com isso paga o preço de criar uma obra dolorosa para si mesmo, alem de se expor ao ruído da rua e ser chamado de literário, discursivo ou sentimental. Por sorte, no entanto, mas não por acaso, ele não liga para isso. Vem fazendo sua obra há quase 20 anos (1985) de maneira discreta e até escondida, estoicamente, incorporando a discussão das imagens “ de fora” ao seu próprio corpo de atores.
A arte de Delano e’ um teatro. Que tipo de teatro e’ esse, afinal?  Possivelmente um Teatro da Vida, feito por um pintor que não tem compromisso com a “carreira” e que não sofre as pressões da critica para fazer uma obra  viabilizada no “circuito”. Vivendo em Olinda e respirando tranqüilo o ar da província interessa-lhe mais o desdobramento do seu trabalho num ritmo de tempo natural.
Neste teatro, apesar das mascaras e dos costumes, do esgar do autor, da dança dos pares ou do acido do pintor, a musica de fundo é a melancolia, a mesma melancolia dos fins de tarde numa  Olinda  velha e encastelada como a ilha de Morel, em que Faustine e seu séqüito, ao avesso da fabula de Bioy Casares, envelhecem e morrem."(João Camara – 1974)
"Não pensei ser difícil fazer uma apresentação do trabalho de Delano porque conheço toda sua produção, mesmo aquela de sua formação, croquis e pinturas de em torno de 1962. Poderia me aventurar a falar das pinturas que não fez pois há sempre um claro propósito em deixar de fazer uma pintura - o que não acontece sempre quando se quer fazer uma pintura- digo isto tudo porque importa ver claro as opções do artista mais que seus resultados diretos ou imediatos quando é o caso de um artista que busca não uma escola ou um movimento mas a curiosidade em face desta dualidade; de um lado a esfera do Eu e do outro o plano virgem da tela ou do papel.
Deixarei de lado também todo este critiques porque é justamente a proximidade com a sua obra que invalida o palavrório, entendendo-se não me esquivo a apresenta-lo mas gostaria que, como se diz... o espectador, o publico, enfim tivesse também a compreensão tácita de seu trabalho como eu tenho...( poderia lembrar a anedota dos dois amigos que se entendia tão bem que nunca precisavam terminar frases para, nem mesmo precisavam iniciar).
Assim... ao espectador e respeitável publico, este roteiro silencioso mas não isento de surpresas que pode ser a exposição de Delano. Exposição que pode ser maior do que é; sem nenhum cansaço, que o desenho de Delano se desenovela de quadro a quadro,um só traço emfim que pode se condensar num pastel ou adiante enlarguecer no gesto de uma pintura ou se esfumar nas cinzas de uma lito.
1)         Estas técnicas... coisas que interessam mais a alma do pintor que o fraseológico de espírito. Pintar, gravar, desenhar, nunca deixou ninguém rouco nem falto de veemência.
2)         Gostamos de lembrar a frase do pintor americano; “Em caso de duvida use púrpura”. Enfim, uma opção máscula em vez da manuntenção de um discurso e de um tédio ou de um spleen. Assim pode-se encontrar num ou noutro quadro de Delano um toque de não conformidade em sua estrutura. Esta coisa que o consumidor de exposições inadvertidamente pode diagnosticar como desarmonia é não resta duvida, a púrpura da questão e esta é uma das melhores coisas na exposição de Delano e não um defeito, fiquem sabendo os senhores, principalmente os senhores que gostam de arrumar os quadros como pelotões de ordem unida.
3)                  Em todo caso, nenhum esquema montado: ‘a figura  grotesca não corresponde o acido na alma do artista- tenho visto artistas mordazes extremamente cristãos – e embora não seja o caso de situar a piedade do artista exatamente como um dado técnico eis o miserere de Delano em relação a seus modelos imaginários e já se sabe bem... prototípicos.
4)                  Prototípico... já em si um belo nome para um modelo grotesco.
5)                   Se Delano, não esta interessado em contestar, contudo não o vejo de acordo e o vejo com memória acesa para as pinturas mais de seu agrado – Goia, Ribera alguns outros sádicos piedosos- o ato de aproximar-se de algumas morbezas em suma não é um ato de coragem, por acaso, numa época em que há flores, é certo, mas cheiram mal.
6)             O caso de Goya, seu exemplo, pode ser didático e cruel; a constância da beleza compatível com os Caprichos e os Desastres mas não de um modo antonímico; visinhos e conhecidos, até apresentados. Aí o realismo
7)             Estas mulheres que Delano gosta de pintar, Eu disse gosta de pintar, e vai ai a intenção não de propor uma coquete forma de eterno feminino mas de deleitar a sua técnica com seu modelo. Terríveis ou simplesmente bonitas, rigorosamente sensuais no sentido estrito, ou feias mas, por uma questão de deleite técnico, jamais incógnitas ou desinteressante.
8)           Por ultimo, o fato do gesto ou substancia. Tem importância para o trabalho de Delano o espaço do papel para o gesto gráfico. Fazer caminhos de tinta, propriamente os labirintos de uma figura, esta uma maneira de viajar tão boa quanto qualquer outra.
9)            Não há porta para fechar, há saída". (outra de João Camara - 1974)
 
JORNAL DO COMMERCIO-caderno C - 16 DE OUTUBRO DE 1985
DELANO:
Onze anos depois a exposição de um grande talento
¨Gosto do figurativo como quem precisa conhecer pessoas, suas bondades, suas maldades. As pessoas que pinto e desenho não são numeradas, mas são tão livres quanto seu próprio silencio. Enfim, são reflexos psicológicos de personalidades insólitas, mas que me fazem companhia, me aconselham, me mantém vivo e que de forma alguma podem me matar¨, assim Delano fala do seu trabalho, às vésperas de inaugurar sua nova exposição individual, após onze anos ¨em silêncio¨, mostrando e vendendo seus quadros apenas para quem o procurava em sua casa, em Olinda, ou em raras coletivas. Será na Oficina Guaianases de Gravura na av. Bernardo Vieira de Melo, no Mercado da Ribeira, em Olinda, às  21 horas de amanhã, quinta-feira.
São 35 quadros a  óleo e 20 desenhos em que mistura técnicas como nanquim, aquarela, litografia e colagem. Delano, que também ilustrou recentemente, ao lado de outras artistas plásticos, o último de Alceu Valença, ¨Estação  da Luz¨, está em pleno apogeu da técnica e  criatividade, mas, diz que ¨se estou satisfeito com o que fiz até agora, estou insatisfeito pelo que ainda vou fazer. O objetivo do verdadeiro artista é feito a linha do horizonte, por mais que a persigamos nunca a alcançamos. Um artista que se considera realizado está velho, trabalha por obrigação.
UM ARTISTA QUE SE CONSIDERA
Sua última individual foi em 1974, no Museu de Arte Contemporânea, em Olinda. Explica no entanto, que produz muito e só não gosta de exposições individuais porque dão muito trabalho. Trabalho no sentido empresarial, que ele detesta. ¨Gosto mesmo é de criar. É na criação que manipulo minha liberdade. Desenho e pinto bastante, sempre, mesmo sem o papel ou o quadro, que revelam a imagem, fixam seu movimento e procuram traduzir a sua linguagem, o sonho e a realidade. O sonho antes ou depois do traço, a realidade que se expande e que acompanho até círculos mais distantes, estimulando as linhas, as manchas, as dores ou sorrisos sarcásticos que encontro nos caminhos¨.
Alerta, entretanto, que se ¨um ponto, uma linha sinuosa, fraca, a mancha, a trama vigorosa modelam a expressão, na identificação com problemas existenciais, não cabe daí nenhuma obrigação de soluções que o artista nada tem a ver. Capto a forma no espaço sem direito a modificar as angústias, as alegrias debochadas ou sinceras de um , de um mundo que não é de minha invenção¨.
Delano trabalha sempre com figuras. São caras de homens gordos e flácidos, aprisionados em apartamentos e empregos que há muito tempo já os impedem de ver e receber o sol. Homens parafusados às suas cadeiras, como às suas vidas. Belos corpos de mulheres às vezes coroados com um rosto onde o olhar vago parece buscar um sentido que não existe em suas existências. Seus casais sempre expressam uma relação tensa, de desencontro visível sob uma tentativa hipócrita de querer transparecer um ¨tudo vai bem¨.
É OBSTINADAMENTE FIGURATIVO
Nos desenhos, faz aplicações de outros desenhos menores sobre o tema predominante, conseguindo curiosos efeitos de deslocamento espacial. Segundo o pintor João Câmara, Delano é obstinadamente figurativo na composição dos jogos dramáticos que urde para o ¨comportamento¨ de seus atores. Com isso paga o preço de criar uma obra dolorosa para si mesmo, além de se expor ao ruído da rua e ser chamado de literário, discursivo ou sentimental. Por sorte, no entanto, mas não por acaso, ele não liga para isto. Vem fazendo sua obra há quase 20 anos de maneira discreta e até escondida, estoicamente, incorporando a discussão das imagens ¨de fora¨ao seu próprio corpo de atores.
Aliás, para Câmara, a arte de Delano é um ¨teatro¨. E indaga: Que tipo de teatro é esse, afinal? Possivelmente um Teatro da Vida, feito por um pintor que não tem compromisso com a ¨carreira¨e que não sofre as pressões da crítica para fazer uma obra viabilizada no ¨circuito¨. Vivendo em Olinda e respirando tranqüilo o ar da província, interessa-lhe mais o desdobramento de seu trabalho num ritmo de tempo natural¨.
Explica ainda Câmara que ¨neste Teatro, apesaar das máscaras e dos costumes, do esgar do ator, da dança dos párea ou do ácido do pintor, a música do fundo é a melancolia, a mesma melancolia dos fins de tarde numa Olinda velha e encastelada como a Ilha de Moret, em que Faustine e seu séquito, no avesso da fábula de Bloy Casares, envelhecem e morrem¨.
NADA NELE É GRATUITO
De acordo com José Cláudio ¨o tamanho da obra de um artista se mede pelo mundo que inspira, pelo rio que forma. É como uma língua mas cada qual tem o seu timbre de voz; há de parte a parte um mundo imenso a ser revelado. Esse mundo, em Delano, se descortina em toda a sua independência e máscula originalidade, no seu sentimento e sensualidade, num ¨blue¨, uma atmosfera tipicamente delaniana, personalíssima e rara. É até impróprio falar de Delano. Delano é um artista diante de quem devíamos ficar calados para não perturbar o sazonamento dos frutos do seu silêncio. Nada nele é gratuito. Há algum tempo vi um quadro seu, um auto-retrato com uma explosão no fundo: será um universo que se esborroou com a chegada de seu filho Vicente? Delano sabe que não adianta se atirar a imagens, que o suco está muito no âmago do seu ser e continua fiel a ele mesmo, com uma grande dignidade¨.
Por seu lado, João Câmara acrescenta que ¨incorporando uma fisionomia e uma ótica de transformação, Delano usa um sistema de metamorfoses que conduz seus personagens urbanos ou burgueses através de paisagens, roupas e atitudes conflitantes com o senso comum. Fazendo um uso crítico do levantamento da ¨história¨do personagem, Delano às vezes cita a própria pintura-arte dentro dos quadros como personagens¨.
¨Também, continua Câmara, ¨algumas vezes é o próprio personagem que tem sua anatomia recriada, quase como se tivesse que se conformar a um novo corte de roupa. Sobre os corpos, as roupas ganham anatomia, vivendo um drama paralelo ao personagem que vestem. Estes, pobres figuras, ostensivas porém, são vítimas do mundo, humanos castigados, decompostos, recortados, dissolvidos e reformados. Lançados nas formas de uma fisionômica cruel, ou, mais cruelmente ainda, tornados anônimos ou incolores. E, na outra face, também são sádicos, manipuladores, inquisidores, pequenos e grandes safados, figuras que se deliciam com suas próprias caretas¨.
Delano: artista pernambucano                                        
Frederico Morais        ( de um texto do catalogo, CINCO PERNAMBUCANOS)
Pernambuco é uma área fechada, ensimesmada, remordendo seus próprios problemas, faz lembrar Colômbia ou México, na América Latina. Os temas que percorrem habitualmente sua pintura, inclusive a desses artistas, são aqueles de um universo denso, domestico, familiar, espaços confinados e opressivos, habitados por personagens vivendo seus próprios fantasmas, fantasia e obsessões.
Nesta exposição quem melhor expõe esta faceta da pintura pernambucana é Delano. O tratamento ao mesmo tempo critico e irônico dado ao tema da família padrão, não  minimiza estas características. Esta família, como está no título, não é pior nem melhor que as outras: repressão da libido, a ascenção e o declínio social e econômico, a influencia dos modismos culturais, a erosão do tempo, os conflitos e a luta pelo poder. Tudo isto é mostrado com o simples deslocamento dos personagens, dos filhos especialmente, na composição do retrato familiar, na indumentária ou com a introdução de certos objetos, como o retrato na parede.(Frederico Morais- Rio Outubro de l986)
¨Delano, magérrimo, com aquele ar ao mesmo tempo quixotesco e de nobre espanhol, tão integrado à cadeira de balanço quanto á sua pintura. ¨Citação de Frederico Moraes – Rio, Outubro de 1986 - Exposição na Galeria de Arte IBEU Copacabana – Rio Outubro de 1986 - Catálogo CINCO PERNAMBUCANOS
bienalbrasileiradebruxelas   
Jeudi 23 octobre 2008423/10/Oct/200808:32

Prezados, Prezadas
E com imenso prazer que comunico os nomes dos artistas participantes da 2a Bienal de Artes Brasileiras de Bruxelas ,que terá lugar na Casa das Cultura de Saint -Gilles em Bruxelas do 17 /09 ao 04 /10 de 2009
Cordialmente
Inêz Oludé da Silva,diretora,  artista plástica, membro da Cnap-Aiap/Unesco
 
 
Artistas selecionados "In" :
CHICA BORYEN, gravura, (França)
Antônio MATOROSA, pintura (Israel)
Mariannne MERKT, escultura, (Bélgica)
Walter NASCIMENTO,pintura (França)
Iara SIMONETTI, pintura, Alemanha)
Totonho, pintura (Holanda)
Adriana Woll, pintura, (Alemanha)
MOSTRA pinacoteca pernambucana
curadores Cyl Gallindo, Daniel da Hora,coordenação Inêz Oludé
1. Abelardo GermanoDA HORA
2. C'icero DIAS –
3. Delano FRANÇA
4. Francisco BRENNAND, -
2.2     5. GUAJASSY 
6. Inêz OLUDÉ, -
7. J. BORGES –
8. João CÂMARA FILHO –
9. José CORBINIANO LINS.
10. Jobson FIGUEIREDO –
11. Luiza Cavalcanti MACIEL –
12. Sérgio Diletieri LEMOS –
13. Vicente DO REGO MONTEIRO
14. Welligton VIRGOLINO de Souza –
15. Zuleno Ferreira da Veiga Pessoa –
Artistas "Off"
Januário Garcia, fotografia
Projeto 365 - (Cassia Aresta,Helenita, Peruzzo, Rosa Grizzo)
Tarcisio Costa, fotografia
Marilia Alves de Carvalho, gravura
Drica Queiroz, escultura
Amigos do Brasil:
Marie Wardy, escultura
Video documentário (lista provisória):
Damien Chemin et Nicomede de Renesse(Bélgica)
John Erbuer(Bélgica)
Werinton Kermes (Brasil)
Rafael Sanzio(Brasil)
Susana Roosberg, (Bélgica)
Silvio Tendler (Brasil)
Parceiros: embaixada do Brasil, MRE, Prefeitura de Saint Gilles, Secretaria da Cultura de Saint Gilles, prefeitura de Forest,Abbey de Forest, CGRI,Galerie la Girafe, Fundação Abelardo da Hora, Revista Francachela, Smart Asbl,
A Bienal de Artes Brasileiras de Bruxelas é um evento de artes situado no coração da Europa, que favorece uma excelente visibilidade de suas marcas. Sendo nosso patrocinador, você demonstra que se preocupa e investe na cultura brasileira, divulgando sua marca à milhares de pessoas, empresas e instituições tanto no Brasil como na Europa.
Atingir nossos objetivos só é possível graças aos que acreditam no projeto e apóiam sua realização.
A Bienal de Artes Brasileiras de Bruxelas oferece aos seus patrocinadores benefícios e contrapartidas proporcionais ao valor da cota investida: retorno de mídia (impressa, rádio, Internet e TV), presença nos materiais gráficos e de identidade visual do evento, diversas ações de relacionamento, presença no site e blogs do evento e uma ampla cobertura na imprensa.
Inêz Oludé da Silva,diretora
Rue Saint Bernard, 17
1060 Bruxelas
Tél: + 32 (0) 478 23 68 06
E-mail:bienaldeartesplasticas_bras_eu@yahoo.fr
2.2     MySpace: http://www.myspace.com/bienalbrasileiradebruxelas
2.2     Site da embaixada: www.brasbruxelas.be
              
Esta foi a foto que circulou dia 28 de dezembro de 2010
" Eu tenho horror a exposição. Uma exposição requer tempo, prazo. Se alguém quiser fazer a exposição com o que eu tenho no ateliê, eu faço. Mas, trabalhar pra uma exposição, aí eu não sei quando vai ser esta exposição. E nenhuma galeria nem empresário vai querer isso. [...] Eu gosto mesmo é de pintar. Sem me preocupar com mais nada.[...]. Quando me perguntam porque exponho tão pouco, em tom de brincadeira, mas que pode ser verdade, digo que é porque não gosto de elaborar o indefectível curriculum vitae, coisa chata de ler.Cada ano que passa vou exlcuindo o que não acho importante. Um dia, de tão resumido, deverá restar apenas meu monograma". (Delano)

Morre em Olinda o artista plástico Delano
Ele sofreu uma queda em casa e bateu com a cabeça; Delano tinha 65 anos
Da Redação do pe360graus.com  


O artista plástico Delano morreu, aos 65 anos, na manhã desta segunda-feira (27), em Olinda. Ele sofreu uma queda em casa, no domingo, e bateu com a cabeça. O artista chegou a ser hospitalizado e até voltou para casa. Mas, na manhã desta segunda-feira, ele não resistiu e morreu.

O enterro de Delano ocorreu na tarde desta segunda no cemitério Morada da Paz, em Paulista
 
Uma nota sintética... uma perda inestimável
 
 
“A cultura pernambucana encontra-se mais pobre”. Sintetizou a artista plástica Tereza Costa Rêgo com relação ao falecimento, no início da manhã de ontem, do amigo, pintor e desenhista Delano, de 65 anos, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O enterro aconteceu ontem à tarde no cemitério Morada da Paz.
O crítico de arte Raul Córdula destaca em Delano o tom irônico com a questão da figura humana. De leitura particular sobre as coisas, o pintor se despede em plena maturidade artística, diz. Córdula ressaltou ainda o imaginário fértil, a exploração de cores e formas sensuais do artista. “Dele é possível destacar a visão tropical das coisas, cores contrastantes, com força e requinte. Trata-se de uma pintura  figurativa com identidade local”, complementa. Na produção de Delano, destaque para os nus; contemplava também grupos de pessoas. No que diz respeito à obra em desenho, chama a atenção, entre suas marcas, o humor requintado sobre os tipos humanos e valores sociais.
A originalidade de Delano, a autenticidade na forma de se expressar e no traço, foram mencionados por Isabela Cribari, diretora de Cultura da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). O artista plástico José Cláudio da Silva reforça as palavras da diretora da Fundaj: “Eram traços pessoais, emergem imagens do íntimo dele. Uma pintura satírica. Fica o exemplo de integridade, de um homem que nunca fez qualquer tipo de concessão, nem ao mercado, nem a nada”. José Cláudio, inclusive, foi professor de Delano no Movimento de Cultura Popular (MCP). Como desenhista, Delano lembra o mestre, era minucioso, sobretudo, a bico de pena puro." (Blog da Folha de Pernambuco)
 
 
" 28/12terça-feira
Luto: Arte pernambucana perde Delano
 A cidade de Olinda amanheceu menos colorida nesta segunda-feira, devido à morte do artista plástico Delano. O falecimento ocorreu pela manhã, em sua residência, no bairro Carmo. Na noite de domingo, às 18h50, o artista havia sofrido uma queda na escada de casa e foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Prontolinda, onde permaneceu internado e recebeu alta durante a madrugada, à 1h, informa o Diário de Pernambuco.
 ´Disseram que não havia necessidade dele ficar internado no hospital e o liberaram`, disse Célia de Farias, cunhada de Delano. Segundo ela, na manhã de ontem o artista passou mal, chegou a vomitar e veio a falecer por volta das 7h29. O corpo do artista foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) e o enterro estava previsto para o fim da tarde de ontem, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.
 Apesar da sua postura recatada, a notícia da morte de Delano, aos 65 anos de idade, espalhou-se aos poucos e provocou uma comoção no meio artístico pernambucano. Amigos do pintor ficaram chocados com a morte inesperada do colega e lamentaram a perda. ´Ainda ontem de noite, falei com a cunhada dele para que me mandasse um convite da sua próxima exposição`, contou o escultor Abelardo da Hora, que conheceu o artista no início da carreira, quando Delano chegou a ser seu aluno, no Movimento de Cultura Popular (MCP). ´Delano teve um avanço espetacular, sua pintura evoluiu muito rápido`, recorda o escultor.
Desse convívio no MCP, Abelardo acredita que Delano tenha compartilhado com ele o interesse pelas figuração das mulheres. ´Ele procurou exaltar a beleza feminina`, observou. A preocupação se fez presente na tela Mulher no futebol, um dos últimos trabalhos expostos pelo artista numa mostra promovida pela revista Continente durante a Copa do Mundo.
 A pintora Tereza Costa Rêgo lamenta a perda que sua morte significa para a arte pernambucana. ´A pintura de Delano é muito forte, seu desenho é muito seguro. Ele era um pintor que precisava de uma grande exposição para ter seu trabalho amplamente conhecido`, opinou a pintora.
Para o colega Raul Córdula, a importância do trabalho de Delano está na maneira como ele desenvolveu seu traço no desenho. ´Sempre tive muito apreço por ele, considero Delano um dos grandes artistas que Pernambuco já teve. Sua pintura é especial, apesar de ser figurativa, ele não seguia esquemas acadêmicos`, avaliou Córdula. A última grande exposição de Delano foi montada no Museu de Arte Contemporânea de Olinda, em 2009." ( Publicado por Elba Galindo às 08:57h)

"O adeus do artista plástico Delano                
Morre aos 65 anos um dos artistas expoentes da geração 1960, da qual fizeram parte nomes como Paulo Bruscky, Teresa Costa Rego e João Câmara. Franklin Delano (foto destaque de Alexandre Belém/JC Imagem) faleceu após ter levado uma queda em sua residência, em Olinda, na manhã dessa segunda-feira, 27/12, que originou um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O enterro foi realizado no cemitério Morada da Paz (Paulista), por volta das 17h30.
Amigos de longas datas compareceram à cerimônia, como o jornalista e compositor Marco Polo Guimarães e os artistas José de Moura e Márcio Almeida. "Delano - pintura e desenho" foi a última exposição do artista, que ocorreu em 2006 no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda.
Composta por 60 obras, entre pinturas e gravuras, a mostra foi a última vitrine completa do artista para o público, conhecido por ser um "homem recluso" em seu mundo-atelier. A curadoria foi do amigo Marco Polo. Além desse evento, neste ano, o artista foi convidado pela revista Continente/Cepe Editora para compor a mostra "11 de cá", uma mostra-homenagem ao futebol que contou com a aprticipação de 11 artistas pernambucanos, entre eles Gil Vicente, Félix Farfan, Roberto Ploeg e José Cláudio, este último, colunista desta Continente e amigo-professor do artista, na época do Movimento de Cultura Popular (MCP).
Delano deixa um único filho, Vicente Farias de França, e a esposa Macira Farias." (Continente Multicultural On Line)
 
segunda-feira às 10h47
A morte de Delano   JOÃO ALBERTO
Um dos grandes nomes da pintura pernambucana, Delano faleceu esta manhã. Enterro será à tarde, no cemitério Morada da Paz
2 respostas para “A morte de Delano”
1.         Tatiana disse:
27 de dezembro de 2010 às 17:06
Delano é, sem dúvida um dos mais brilhantes artistas plásticos do Brasil da atualidade. A arte fica de luto.
2.         Péricles Santanna disse:
4 de janeiro de 2011 às 19:47
a pintura brasileira fica orfã, com estilo próprio, de mãos firmes e cores predominantes. Agora estará, sem duvidas, pintando com sua aquarela o céu do Brasil. vai em paz!!!!"
Delano morre vítima de acidente vascular cerebral
28 de Dezembro de 2010
Extraido do Blog do Deputado Estadual Luciano Siqueira
A arte de Pernambuco perdeu segunda-feira (27) um de seus expoentes: o artista plástico (Franklin) Delano, dono de um olhar bastante atento e expressivo sobre o humano. Nascido em Buíque, o artista faleceu vítima de um AVC aos 65 anos de idade. O sepultamento ocorreu no fim da tarde no Cemitério Morada da Paz, no Paulista.
“Tenho peça dele em casa. Estamos perdendo um artista de grande valor, que deixa sua marca”, afirmou o vereador do Recife e deputado estadual eleito Luciano Siqueira (PCdoB) em sua passagem pelo velório.
O prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, também lamentou o falecimento do artista. “É uma perda muito grande. Uma figura que não estava doente... Era muito querido pelos moradores da cidade. O que nos conforta é saber que tudo que ele criou vai eternizá-lo”.
“Ele era uma pessoa muito alegre, muito calma, tinha um amor muito grande pela arte e pela família”, resumiu a irmã dela, Maria Valéria de Farias da Hora. Entre os familiares, também estava presente o filho único de Delano, Vicente Farias de França. “Trouxe a tinta preferida dele e o pincel que ele não chegou a usar. A tinta que coloquei, vim pensando nisso... Ele vai para o céu deixar o céu mais azul, que era o que ele mais gostava de fazer. É a melhor pessoa que já conheci, meu melhor amigo”, afirmou.
Também estava presente na ocasião o escritor, jornalista e cantor Marco Polo, amigo de Delano desde os 15 anos de idade. “A gente pegou mochila, viajamos juntos nos anos 1960. Moramos juntos em São Paulo. É uma perda dupla, um grande amigo e um grande artista. Na última vez que estive na casa dele, ficamos na beira da piscina, batendo papo”, recordou.
Outro antigo amigo de Delano, o artista plástico José de Moura estava em Gravatá quando recebeu a notícia: “Delano era uma pessoa espetacular, um amigo mesmo. Eu o chamava de Sócrates. A gente jogava futebol e a chuteira dele era a melhor, aquela que se chama Secretes. Era um bom pintor, muito bom amigo e jogava bem”.
Por telefone, o artista plástico Raul Córdula também comentou o fato: “Já vai para 50 anos que eu conheço Delano. Ele era muito amigo de João Câmara, o conheci através dele. Eu vinha da Paraíba e conheci Delano, que era um menino na época. Já desenhava muito bem e era a pessoa delicada e bacana que ele sempre foi. É a perda de uma grande pessoa, além do extraordinário artista. Sempre admirei muito o trabalho dele, uma pessoa elegante a vida inteira e com uma arte tão singular”.
Delano não fazia muitas exposições individuais. “Eu não trabalho pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal saio de casa. Às vezes, passo meses sem descer do meu ateliê, botar o pé na calçada. Preciso até que as pessoas levem comida para mim”, afirmou, em entrevista à repórter Olívia Mindêlo, em uma matéria publicada neste Caderno C em 2006, quando uma individual dele era inaugurada no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda.
O artista Márcio Almeida, que participou da coordenação da mostra, lembra do que viu ao chegar na casa do artista: “Acho que foi a última exposição dele, a curadoria era de Marco Polo. Quando fui na casa dele ver os trabalhos, me deparei com uma quantidade absurda de desenhos. Um exercício quase diário que ele fazia e deixava na mesa do centro. Mudamos o perfil da exposição a partir destes desenhos, que eram extremamente bons”.
Delano – pintura e desenho ocupou as salas do museu com 60 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas e gravuras. “São diferentes técnicas, mas a força do meu traço é a mesma. Além disso, as figuras humanas aparecem sempre. Eu sou um observador das pessoas, sempre as observo quando saio”, relatou Delano na época.
Em 2010, as criações do artista plástico foram vistas, por exemplo, na exposição coletiva 11 de cá, organizada pela Revista Continente Multicultural com obras relacionadas ao futebol. Obras criadas por Delano ilustraram a coletânea de contos Interioranos, lançada este ano pelo escritor Clávio Valença." (Da Redação do site e do Jornal do Commercio)

A arte de Pernambuco perdeu segunda-feira (27) um de seus expoentes: o artista plástico (Franklin) Delano, dono de um olhar bastante atento e expressivo sobre o humano. Nascido em Buíque, o artista faleceu vítima de um AVC aos 65 anos de idade. O sepultamento ocorreu no fim da tarde no Cemitério Morada da Paz, no Paulista.
“Tenho peça dele em casa. Estamos perdendo um artista de grande valor, que deixa sua marca”, afirmou o vereador do Recife e deputado estadual eleito Luciano Siqueira (PCdoB) em sua passagem pelo velório.
O prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, também lamentou o falecimento do artista. “É uma perda muito grande. Uma figura que não estava doente... Era muito querido pelos moradores da cidade. O que nos conforta é saber que tudo que ele criou vai eternizá-lo”.
“Ele era uma pessoa muito alegre, muito calma, tinha um amor muito grande pela arte e pela família”, resumiu a irmã dela, Maria Valéria de Farias da Hora. Entre os familiares, também estava presente o filho único de Delano, Vicente Farias de França. “Trouxe a tinta preferida dele e o pincel que ele não chegou a usar. A tinta que coloquei, vim pensando nisso... Ele vai para o céu deixar o céu mais azul, que era o que ele mais gostava de fazer. É a melhor pessoa que já conheci, meu melhor amigo”, afirmou.
Também estava presente na ocasião o escritor, jornalista e cantor Marco Polo, amigo de Delano desde os 15 anos de idade. “A gente pegou mochila, viajamos juntos nos anos 1960. Moramos juntos em São Paulo. É uma perda dupla, um grande amigo e um grande artista. Na última vez que estive na casa dele, ficamos na beira da piscina, batendo papo”, recordou.
Outro antigo amigo de Delano, o artista plástico José de Moura estava em Gravatá quando recebeu a notícia: “Delano era uma pessoa espetacular, um amigo mesmo. Eu o chamava de Sócrates. A gente jogava futebol e a chuteira dele era a melhor, aquela que se chama Secretes. Era um bom pintor, muito bom amigo e jogava bem”.
Por telefone, o artista plástico Raul Córdula também comentou o fato: “Já vai para 50 anos que eu conheço Delano. Ele era muito amigo de João Câmara, o conheci através dele. Eu vinha da Paraíba e conheci Delano, que era um menino na época. Já desenhava muito bem e era a pessoa delicada e bacana que ele sempre foi. É a perda de uma grande pessoa, além do extraordinário artista. Sempre admirei muito o trabalho dele, uma pessoa elegante a vida inteira e com uma arte tão singular”.
Delano não fazia muitas exposições individuais. “Eu não trabalho pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal saio de casa. Às vezes, passo meses sem descer do meu ateliê, botar o pé na calçada. Preciso até que as pessoas levem comida para mim”, afirmou, em entrevista à repórter Olívia Mindêlo, em uma matéria publicada neste Caderno C em 2006, quando uma individual dele era inaugurada no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda.
O artista Márcio Almeida, que participou da coordenação da mostra, lembra do que viu ao chegar na casa do artista: “Acho que foi a última exposição dele, a curadoria era de Marco Polo. Quando fui na casa dele ver os trabalhos, me deparei com uma quantidade absurda de desenhos. Um exercício quase diário que ele fazia e deixava na mesa do centro. Mudamos o perfil da exposição a partir destes desenhos, que eram extremamente bons”.
Delano – pintura e desenho ocupou as salas do museu com 60 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas e gravuras. “São diferentes técnicas, mas a força do meu traço é a mesma. Além disso, as figuras humanas aparecem sempre. Eu sou um observador das pessoas, sempre as observo quando saio”, relatou Delano na época.
Em 2010, as criações do artista plástico foram vistas, por exemplo, na exposição coletiva 11 de cá, organizada pela Revista Continente Multicultural com obras relacionadas ao futebol. Obras criadas por Delano ilustraram a coletânea de contos Interioranos, lançada este ano pelo escritor Clávio Valença. (Da Redação do site e do Jornal do Commercio)
 
Fundação Joaquim Nabuco ::
Delano [Franklin]
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br 
 
"Eu gosto mesmo é de pintar[...] Pinto o que estou vendo na minha frente. Se eu morasse num lugar que só tivesse pedra, eu ia pintar pedra. Mas eu convivo com pessoas, vejo as maquiagens, as expressões padronizadas, o ar blasé ante um momento cultural. Por outro lado se eu assisto na televisão uma cena de guerra, eu pinto aquilo. A selvageria também tem sua expressividade. (Delano, Olinda, 2001).
Pintor, desenhista e gravador, Flanklin Delano de França e Silva nasceu no município de Buíque, Pernambuco, em 1945.
Delano, como ficou conhecido, começou a desenhar desde criança, copiando e inventando gibis, com a mão esquerda, até que uma professora, na escola que estudava em Serinhaém, falou que ele estava com a mão “errada”. Aí eu passei o lápis pra outra mão e continuei a fazer a mesma coisa. Eu gostava muito do número quatro, porque quando eu virava de cabeça pra baixo achava parecido com uma cadeira [...].
Em 1961, fez um curso de desenho no Movimento de Cultura Popular (MCP), onde recebeu orientações artísticas de Abelardo da Hora, Zé Cláudio e Wellington Virgolino. Ia a pé do Prado, bairro onde morava, até o Sítio da Trindade, em Casa Amarela, onde ficava o MCP.
[...] Não tinha dinheiro pra gastar com ônibus. Depois das aulas voltava e passava o resto do tempo desenhando, desenhando, o pessoal me chamava pra jogar pelada, mas eu preferia ficar rabiscando, rabiscando. Levei muito a sério isso. [...] comprava dez folhas de papeel ofício, lápis, borracha. Não! Borracha não se usava, porque Abelardo dizia que não se devia usar borracha, consertasse o desenho no próprio traço. [...]
[...] O primeiro material nobre que eu conheci e usei foi o nanquim, ainda no tempo do Abelardo. Era uma peninha com a qual você tinha que ser muito cuidadoso senão ela escarrapachava logo. E comecei a fazer bico de pena. Passei um longo tempo nisso, o que é bom, porque é importante você tomar contato com o traço.[...]. O desenho é fundamental [...]
Abelardo da Hora acredita que Delano tenha compartilhado com ele o interesse pelas figuras femininas, desde a época do MCP.
Delano morou em São Paulo, onde trabalhou como freelance, desenhando, fazendo caricaturas e charges para jornais. Foi ilustrador do Jornal da Tarde. Chegou a vender alguns desenhos em São Paulo, mas por questão de sobrevivência, passou do desenho à pintura.
Entre os anos de 1965 e 1966, participou de diversas mostras coletivas, entre as quais a Exposição de Arte Nordestina, realizada em Natal, Rio Grande do Norte; a Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia; a exposição Seis artistas Nordestinos, no Museu de Arte do Rio Grande do Norte, e de algumas exposições no Ateliê de Arte Sacra do Recife.
Em 1967, passa a fazer parte do Ateliê + 10, em Olinda, ao lado de Anchises Azevedo, Montez Magno, Wellington Virgolino, Maria Carmem, Liêdo Maranhão e João Câmara, com quem criou, em 1974, a Oficina Guaianases de Gravura, um dos movimentos artísticos mais importantes e duradouros de Pernambuco.
As exposições, principalmente as individuais, nunca foram o seu forte:
[...] Eu tenho horror a exposição. Uma exposição requer tempo, prazo. Se alguém quiser fazer a exposição com o que eu tenho no ateliê, eu faço. Mas, trabalhar pra uma exposição, aí eu não sei quando vai ser esta exposição. E nenhuma galeria nem empresário vai querer isso. [...] Eu gosto mesmo é de pintar. Sem me preocupar com mais  nada.[...]. Quando me perguntam porque exponho tão pouco, em tom de brincadeira, mas que pode ser verdade, digo que é porque não gosto de elaborar o indefectível curriculum vitae, coisa chata de ler.Cada ano que passa vou exlcuindo o que não acho importante. Um dia, de tão resumido, deverá restar apenas meu monograma. [...]
Segundo sua esposa, Macira Farias que trabalha na prática como sua agente, em 32 anos de casada só foram realizadas quatro exposições individuais do marido.
A primeira delas foi realizada, em 1974, no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco; a segunda, no Mercado da Ribeira, em Olinda, dez anos depois, em 1984; a terceira, intitulada Ateliê Pernambuco, em 1999, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, no Recife, ao lado de Maria Carmem e Ferreira, e a última, Delano: pintura e desenho, em 2006, no Museu de Arte Contemporânea, em Olinda  (MAC), onde a maioria das obras expostas – cerca de 60, entre pinturas, desenhos, aquarelas e gravuras, elaboradas entre 1982 e 2006 – eram inéditas.
De 5 a 24 de junho de 2010, participou da exposição 11 de Cá, uma mostra-homenagem ao futebol, realizada no Paço Alfândega, no Recife, ao lado de onze artistas pernambucanos, entre os quais Gil Vicente, Félix Farfan, Roberto Ploeg, Maurício Arraes e José Cláudio.
Delano morreu em Olinda, aos 65 anos, no dia 27 de dezembro de 2010, em consequência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), sendo enterrado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.
Recife, 10 de janeiro de 2011.
FONTES CONSULTADAS:
BEZERRA, Eugênia. Delano morre vítima de um acidente vascular. Jornal do Commercio, Recife, 28 dez. 2010. Caderno C, p. 6.
CÂMARA, João. Paisagens e figura. Continente Multicultural, Recife, ano 1, n. 3, p. 62-63, mar. 2001.
MONTEATH, Raquel. O adeus do artista plástico Delano. Continente online, Recife. Disponível em: . Acesso: 29 dez. 2010.
MINDÊLO, Olívia. Delano. Enciclopédia Nordeste, 2009. Disponível em: . Acesso em: 29 dez. 2010.
POLO, Marco. As cores da ironia: Delano. Continente Multicultural, Recife, ano 1, n. 3, p. 54-65, mar. 2001.
COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: GASPAR, Lúcia. Delano [Franklin]. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.                   
 
DELANO (1945-2010)
CONTINENTE MULTICULTURAL - ANO XI – MARÇO/11
MATÉRIA CORRIDA - JOSÉ CLÁUDIO – ARTISTA PLÁSTICO
Você, camarada, nem esperou pela saideira.
Se foi silenciosamente tanto quanto entrou em nossas vidas.
Franklin Delano de França e Silva (Buique, PE, 29 de abril/1945 – Recife. PE 17 dez./2010). Oh, Delano, eu tinha até um quadro para te mostrar, uma tela de Eucatex já preparada que me mandaste de presente, no verso uma poesia toda em caixa alta, inclusive a assinatura ¨DELANO 9/5/78¨. Oh, rapaz, isso é lá hora de morrer?
"Você, camarada, nem esperou pela saideira. Se foi silenciosamente tanto quanto nas nossas vidas. E sem saber se entrou e talvez nós também não soubéssemos, se e até que ponto. No meu caso, por exemplo, cabal mesmo, sentindo que estávamos amarrados pelo rabo, ou pelas tripas, só vim a perceber de fato na tua exposição do MAC, Olinda, que era como se me mostrasses o quanto eu poderia ter andado, como se fosses meu irmão mais velho. E quanto aos outros? Meu filho, Mané, disse, naquela manhã triste, ¨ele foi meu professor de desenho¨ num tom que queria dizer tanta coisa! Quantos não se darão conta de quão poucos momentos ou poucas vezes puderam gozar da tua presença, esse teu riso como se desculpando, essa tua inata fidalguia: haverá no mundo alguém que tenha queixa de Delano?
Mas ninguém confundisse a sua doçura natural com fraqueza: era de firmeza inabalável como sua obra demonstra, um caminho dificílimo de que somente ele tinha o segredo, nos deixando muitas vezes surpreso, tão fino o fio da navalha por onde medrava.
Aí as exigências da tela! As exigências de nós. Onde orgulho e presunção e vaidade extremos são sinônimos de humildade também tão extrema nesse mundo de extremos a que nos convida a sua brancura de donzela indefesa, submissa até ao assassino.
Como a vida é injusta e curta. Ou sábia. Por ter percebido, com seu olho sábio, a completitude da obra, o legado em sua inteireza, o fruto em seu melhor ponto de colheita, para espanto do autor. E só nos resta, incluir-se-ia aí o mesmo autor, olhá-lo, ao fruto, ou olhá-la a obra, como se fazendo parte de outra existência. No máximo, tirar partido deste para outros quadros, desta para outras vidas: sim, porque o quadro, ou a obra como um todo, continuará florando através, ou por excelência, na obra de outros autores, pintores ou não (lembrando-me agora do belíssimo romance A menina morta de Cornélio Pena, inspirado num quadro), clima propício, terra fecunda, semente sempre pronta à germinação, o que equivale a comê-lo, a esse fruto ideal, alimentaram-nos dele. A arte é uma nave em que nos alimentamos uns dos outros, não somente e antripofagia modernista de o nativo devorar o europeu ou estrangeiro mas nós próprios nativos nos alimentarmos uns dos outros como os próprios índios faziam entre si. A arte brasileira, graças a pintores como você, Delano, já tem carne.
¨Ele tinha um quadro de uns lutadores de boxe que toda vez que eu ia na casa dele pedia pra ver¨, disse Marcos, que faz molduras. ¨Um branco e outro preto. Eu achava arretado.¨ Lembrou-se e riu. ¨Delano me contou que uma noite já estava deitado quando ouviu aqueles gritos de uma mulher na rua: ¨Me acuda! Me acuda!¨ Ele foi lá ver. Era um cara querendo estuprar uma mulher, a mulher derrubada no chão na calçada. Delano foi lá dentro, ele disse que tinha uma espingarda de ar comprimido mas com um tiro forte que parecia um revólver quando disparava. Abriu a janela e deu um tiro. E disse: ¨Deixe a moça aí cabra safado! Vá simbora agora!¨O cara tomou um susto, saiu correndo. Delano disse à mulher: ¨Vá embora também, corra pro outro lado prá ele não lhe encontrar!¨A moça levantou-se de um salto e se escafedeu ladeira abaixo que não se via nem o vulto¨.
Voltando à tela com o teu poema atrás, de que falo no início: Carlos Pena, no soneto Para fazer um soneto, dá a receita, não para um quadro, para um soneto, também para um quadro, desde o primeiro ingrediente, coisa de pintor, ¨Tome um pouco de azul, se a tarde é clara¨, passando por cada um dos segredos de uma possível culinária da poesia e, no final, o pulo do gato: ¨ponha tudo de lado e então comece¨. O problema era que, assim que eu pegava na tela, ia ler a poesia. Isso me inibia. Formato diferente dos meus habituais, em pé ficava baixa e, deitada, estreita. Agora me vem que dava bom para natureza morta mas, como já está pintada há 28 anos, me doía pintar por cima (A bela faxineira, 65x54cm, 1983) embora não tivesse coragem de mostrá-la a Delano só ousei pintá-la porque um belo dia precisei de uma tela mais ou menos desse tamanho e não tinha outra no momento, sem me dar conta de que era a tela de Delano. Anos depois, notei o poema escrito nas costas, não correspondendo a pintura nem às exigências da tela nem às minhas nem às de Delano. Por aí se vê o respeito que lhe tinha. Vou dá-la a Macira, sua mulher, como flor singela jogada junto com a terra na hora do enterro em cima do caixão."
 
Homenagem a Delano - Artista faleceu hoje em Olinda
Com apenas 65 anos, Delano faleceu hoje em Olinda.

Recatado e introvertido, (Franklin) Delano viveu isolado em sua casa nas ladeiras de Olinda, onde se escondia e espreitava a realidade que evitava e, ao mesmo tempo, a retratava. Recluso e observador, se valia de rápidas aparições sociais, recordações, jornais e a própria televisão como fontes de inspiração. As figuras humanas nas suas obras sempre foram a sua marca. 

"Eu sou um observador das pessoas, sempre as observo quando saio”. 

Essa visão quase voyeur da realidade que espreitava, associada a uma personalidade tímida, fazia com que ele encontrasse na arte sua maior válvula de escape. No entanto, até essa forma de se expressar quase nunca aparece para o grande público.

“Eu não trabalho pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal
 
1 comentários:
Pequeno Grande Mundo28 de dezembro de 2010 19:23
Grande perda.
 
O artista plástico pernambucano Franklin Delano morreu nesta segunda-feira em Recife, às 7h, vítima de um acidente vascular cerebral fulminante. Extraído de: PPS - 28 de Dezembro de 2010
 
Delano, como era conhecido, foi um dos mais engajados artistas de sua geração. Nos anos 70, juntamente com João Câmara, participou da Oficina Guaianazes, importante movimento artístico do estado que revelou grandes talentos das artes plásticas para todo o país.
Freire
Comprometido com a luta pela redemocratização apoiou, nos anos 80, as candidaturas dos parlamentares do PCB, Roberto Freire e Hugo Martns, por meio das Brigadas Portinari, ajuntamento dos mais importantes artistas plásticos de Pernambuco, que com sua arte emprestaram beleza às campanhas eleitorais. Aos 65 anos, Delano deixa a vida, e lega uma obra vasta e multifacetada, que enriquece o patrimônio artístico e cultural do estado e do país.
Recatado e introvertido, Delano quase nunca saía de sua casa, nas ladeiras de Olinda. Fez poucas exposições, mas tinha obsessão por produzir. Ironicamente, tirava das pessoas e do cotidiano sua inspiração. O artista era natural da cidade de Buíque.
 
Luto // Arte pernambucana perde Delano Edição de terça-feira, 28 de dezembro de 2010
DIARIO DE PERNAMBUCO


A cidade de Olinda amanheceu menos colorida nesta segunda-feira, devido à morte do artista plástico Delano. O falecimento ocorreu pela manhã, em sua residência, no bairro Carmo. Na noite de domingo, às 18h50, o artista havia sofrido uma queda na escada de casa e foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Prontolinda, onde permaneceu internado e recebeu alta durante a madrugada, à 1h.

´Disseram que não havia necessidade dele ficar internado no hospital e o liberaram`, disse Célia de Farias, cunhada de Delano. Segundo ela, na manhã de ontem o artista passou mal, chegou a vomitar e veio a falecer por volta das 7h29. O corpo do artista foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) e o enterro estava previsto para o fim da tarde de ontem, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista.

Apesar da sua postura recatada, a notícia da morte de Delano, aos 65 anos de idade, espalhou-se aos poucos e provocou uma comoção no meio artístico pernambucano. Amigos do pintor ficaram chocados com a morte inesperada do colega e lamentaram a perda. ´Ainda ontem de noite, falei com a cunhada dele para que me mandasse um convite da sua próxima exposição`, contou o escultor Abelardo da Hora, que conheceu o artista no início da carreira, quando Delano chegou a ser seu aluno, no Movimento de Cultura Popular (MCP). ´Delano teve um avanço espetacular, sua pintura evoluiu muito rápido`, recorda o escultor.

Desse convívio no MCP, Aberlado acredita que Delano tenha compartilhado com ele o interesse pelas figuração das mulheres. ´Ele procurou exaltar a beleza feminina`, observou. A preocupação se fez presente na tela Mulher no futebol, um dos últimos trabalhos expostos pelo artista numa mostra promovida pela revista Continente durante a Copa do Mundo.

´Perdi um grande amigo, considerava ele um irmão`, disse a pintora Tereza Costa Rêgo. Além do abalo pela ausência da pessoa que foi Delano, Tereza também lamenta a perda que sua morte significa para a arte pernambucana. ´A pintura de Delano é muito forte, seu desenho é muito seguro. Eleé um pintor que precisava de uma grande exposição para ter seu trabalho amplamente conhecido`, opinou.

Para o colega Raul Córdula, a importância do trabalho de Delano está na maneira como ele desenvolveu seu traço no desenho. ´Sempre tive muito apreço por ele, considero Delano um dos grandes artistas que Pernambuco já teve. Sua pintura é especial, apesar de ser figurativa, ele não seguia esquemas acadêmicos`, avaliou Córdula. A última grande exposição de Delano foi montada no Museu de Arte Contemporânea de Olinda, em 2009.
DO QUE EU GOSTO
Do que eu gosto
Delano
Gosto do figurativo como quem precisa conhecer pessoas, suas bondades, suas maldades. As pessoas que pinto e desenho não são numeradas, mas são tão livres quanto seu próprio silencio. Enfim, são reflexos psicológicos de personalidades insólitas, mas que me fazem companhia, me aconselham, me mantem vivo e que de alguma forma podem me matar. Se estou satisfeito com o que fiz até agora, estou insatisfeito pelo que ainda vou fazer. O artista nunca poderá se sentir realizado, a não ser quando morre de velhice. Gosto mesmo é de criar. É na criação que manipulo minha liberdade. Desenho e pinto sempre, mesmo sem o papel ou a tela que revelam a imagem, fixam seu movimento e procuram traduzir a sua linguagem, o sonho e a realidade. O sonho antes ou depois do traço, a realidade que se expande e que acompanho até círculos mais distantes,estimulando as linhas, as manchas, as dores ou sorrisos sarcásticos que encontro nos caminhos. Se um ponto, uma linha sinuosa, fraca, a mancha, a trama vigorosa modelam a expressão, na identificação com problemas existenciais, não cabe daí nenhuma obrigação de soluções que o artista nada tem a ver. Capto a forma no espaço sem direito de modificar as angustias, as alegrias debochadas ou sinceras de um mundo que não é de minha invenção.

3 comentários:

tebenasdisse...
E foi sua partida repentina, hoje 27 de dezembro de 2010, que mudou o rumo da minha tarde paulistana. Inconformada, busquei na web mais notícias, maiores explicações, e dei com este blog. Uma surpresa. Há muitos anos não o vejo, há muitos anos não moro mais em Olinda. Há um mes, em um dos dias em que estive hospedada na pousada São Francisco, perambulei pelos jardins ao amanhecer,maravilhada com a luz, que vcs pintores tão bem aproveitam. Capturei com a camera o que a memória acendia. A ladeira de São Francisco, a Vila Theresita, (com placa de vende-se!)o ateliê de JC, a vista do mar. Tão distante no tempo e no espaço, vieram lembranças claras de tempos da Guaianases, da linguagem única dos seus quadros, das camisas floridas, dos óculos escuros. Me perguntei se ainda morava ali... Ah, Delano, que pena que já foi! Mas que bom que fez na vida o que mais gostava e nos dá o privilégio de tê-lo presente através da sua obra vasta e significativa. Uma marca indelével, um legado para a arte pernambucana. Teresa Benassi
28 de dezembro de 2010 02:41
Anônimo disse...
E o belo senhor se foi, mas felizmente fez o que queria fazer, criou seus seres coloridos, com suas angústias, suas alegrias...Enfim retratou o tal do ser humano com o mel e o fel que nos são peculiares.Lembro muito bem quando ele contava suas histórias, ele exercia um verdadeiro fascínio em quem o escutava, o mesmo fascínio que suas telas e seus maravilhosos desenhos provocavam. Vou sentir muita saudade, mas tenho certeza que ainda vamos nos encontrar.A dor é grande, principalmente pra Macira e Vicente, que vão sentir muita falta do magro...
28 de dezembro de 2010 09:48
Periclesdisse...
um dia todos iremos, li um e-mail, muito atual, o qual se compara a uma longa viagem de trem, onde nós somos uma locomotiva e a cada estação entra pessoas em nosso convivío, outras saem rapidamente e sempre perguntamosse essa seria minha parada, mas logo o trem dá a partida e a ansiedade passa..
Tio Delano, obrigado pelo seu convívio, pelos seus ensinamentos e pelos seus ideais. Graças a Deus que pude desfrutar um pouco de sua trajetória; últimamente pelo afazeres cotidiano, nos afastamos um pouco, mais sempre sem perder o contado em pelo menos escutando sua voz, ao fone.
quantas vezes, nos reunimos ao redor da piscina,para trocarmos idéias, e desfrutarmos do clima, da paisagem, da vista de seu atelier de pintura.
Tio, sua partida repentina, foi chocante, para quem coviveu de perto com sua companhia, todos se excessão ficamos sem entender... será uma pegadinha do destino???
ficamos anestesiado até o último momento; quando o Vicente pegou sua melhor tinta e seu melhor pincel e colocou como um escudo e uma espada, como se estivesse dizendo pai, levanta daí e luta!!!
luta com o que você sabe fazer de melhor...
acordamos e olhamos pro céu, e vimos que o magro(como alguns o chamava) e mágico baluarte da pintura Brasileira, estava pintando o Céu de Azul anil, as nuvens de branco e o Sol de amarelo ouro...
agora nos resta esse imenso vazio, vazio não seu Péricles, suas obras, suas artes e suas poesias pairam pelo ar..
4 de janeiro de 2011 20:47

Artistas/Amigos citados:
Tereza Costa Rego
José Cláudio
Jaci Bezerra
Luciano Siqueira
Olivia Mindelo
Ariano Suassuna
Joao Camara
Valdi Coutinho
Paulo Fernando Craveiro
Frederico Morais
Abelardo da Hora
Valéria Farias
Raul Córdula
José de Moura
Márcio Almeida
Marco Polo
Felix Farfan
Lucia Gaspar
Mitos Vivos
PPS 
Raul Córdula
Teresa Benassi
Pèricles
Anônimo
 
 

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