sábado, 9 de maio de 2015

Télia e Malvina cometam a agressão contra Jandira

2 DEDOS DE PROSA: 

Télia e Malvina falaram ao 2 Dedos de Prosa
Télia e Malvina falaram ao 2 Dedos de Prosa
Diante da lamentável cena de agressão dos deputados Roberto Freire (PPS/SP) e Alberto Fraga (DEM/DF) contra Jandira na terça-feira (6), o 2 Dedos de Prosa desta semana resolveu ouvir duas especialistas na área de ciências sociais e políticas para fazer um diagnóstico do episódio dentro do Parlamento brasileiro. O repórter João Pedro Werneck foi até Télia Negrão e Malvina Tuttman entender o machismo e os crimes de ódio que permeiam o Congresso Brasileiro. As respostas são uma aula da crise social que o Brasil vive atualmente. Leia!
-
Télia Negrão
JP: O que representa na sociedade a fala do deputado Alberto Fraga sobre “quem bate como homem deve apanhar como homem”?
MT: Significa a reafirmação da ideia de que o lugar da mulher é o privado onde a mulher deve apanhar calada porque está abaixo do patamar de humanidade. E que para uma mulher participar do mundo público ela tem que assumir uma posição de violência que historicamente caracteriza o masculino. A manutenção de estigmas que visam manter as mulheres afastadas do público. Portanto, uma ameaça.
JP: Porque as pessoas justificam a violência contra mulher?
MT: A violência de gênero é uma construção histórica mantida pela cultura. Bourdieu diz que determinadas praticas sociais como a dominação masculina ganham status de natureza. Então a sociedade reproduz como se fosse natural há séculos. Desnaturalizar a violência contra as mulheres significa desconstruir algo que está na lógica das sociedades hierárquicas. É falta de consciência social.
JP: Esse ato lamentável no Parlamento ecoa na sociedade?
TN: Este fato desqualifica a política. E não só lamentável mas um absurdo que se cometam crimes como esse, previstos emlei e em tratados internacionais como a Convenção Cedaw continuem impunes.
JP: O Brasil é machista?
TN: O Brasil é um país de tradições patriarcais e racistas. É preciso não só leis mas um esforço de toda a sociedade para muda-las com coragem. Políticas de educação, de cultura, fortes políticas pela igualdade e a punição de todas as violações degênero. Um país que permite tais violências dentro do seu parlamento não pode ser levado a sério. Nos feministas abominamos essas praticas que aviltam a dignidade das mulheres.

Malvina Tuttman
JP: Qual sua análise sobre a fala do deputado Alberto Fraga sobre “quem bate como homem deve apanhar como homem”?
MT: Em primeiro lugar, destaco que é inadmissível um deputado usar da sua prerrogativa de representante da população para manifestar os seus preconceitos pessoais e a sua forma agressiva e desrespeitosa de tratar os companheiros e as companheiras de parlamento. Essa violência torna-se mais grave quando envolve uma mulher. Sua forma de agir é desveladora de um comportamento intolerante, machista, desrespeitoso, que, por falta de argumentos sólidos, utiliza a força da violência física ou da psicológica. A violência de suas palavras significa inconsistência intelectual e ética A utilização da ameaça velada demonstra a fragilidade de seu autor.
Nesse sentido, espero que o comportamento inadequado do deputado seja refutado pelos diferentes coletivos da nossa sociedade, e que longe do temor de atitudes como essas possamos nos fortalecer e combater tais formas de assédio, com políticas públicas que implementem e monitorem qualquer ato de violação contra as mulheres.

Nenhum comentário: