sexta-feira, 22 de setembro de 2017

GENERAL MOURÃO, PODE CRER: ESTAMOS ATÔNITOS. NÃO É DISSO QUE PRECISAMOS

Colaboratório.org
Publicado por Maristela Farias1 h
NOTA POLÍTICA

JUNTOS MAIS QUE NUNCA CONTRA QUALQUER TIPO DE DITADURA, INCLUSIVE ESTA CHEFIADA PELO GOLPISTA TEMER.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre

NUNCA MAIS ACEITE QUE NOSSOS COMPANHEIROS QUE LUTARAM PELA DEMOCRACIA, SEJAM AGREDIDOS. TEMOS QUE RESPONDER À ALTURA QUE ELES MERECEM

Não poderia deixar de publicar esta carta do Paulo Fonteles Filho, até seguindo outras publicações,que também vão publicar porque tenho um ótimo costume de ler os comentários que são postados em diversas páginas aqui do Facebook.
Quando escrevi sobre o Evangélico Manoel surgiram diversos comentários achando que ele tinha merecido passar pelo que passou por ser comunista, sem conhecer a vida, o sacrifício e as dores físicas que aquele homem tão simples passou.Comentários terríveis também ouvi a respeito de Carlos e Olga Prestes e sempre me lembro do dia que chorei quando Gregório Bezerra foi preso e soube que o coronel Villocq. foi esperá-lo, no pátio do quartel, com um cano de ferro, iniciando, ele próprio, o espancamento, aos gritos de que Gregório havia incendiado "o meu sagrado 15 RI", mentira deslavada, porquanto Gregório fora absolvido da acusação pela própria Justiça Militar. Tratava-se, tão só, da busca de um pretexto para o início das atrocidades.
Relatou Gregório aos juizes militares:"- Uns três ou quatro sargentos do Parque de Moto-Mecanização, instrumentos inconscientes daquele verdugo, completavam o espancamento com pontapés e socos por todos os lugares do meu corpo. As pancadas se sucediam no estômago, no rosto, nos rins, nos testículos, nas costas, nas pernas. Um grupo de sargentos e soldados, ao longe do pátio do quartel, assistia aquele quadro de covardia e sadismo sem precedentes, silenciosamente."
As sevícias continuaram, no xadrez. Gregório sangrava, abundantemente. O próprio Villocq batia com o cano de ferro, num homem agarrado, gritando, histericamente: "- Eu sou ibadeano". E os sargentos agressores, em coro: "- Nós, também!". Desnudaram-no, quase desmaiado e Villocq mandou que os sargentos lhe enfiassem o cano de ferro no corpo. Gregório reuniu as últimas forças, revidou os golpes e pode salvar-se da suprema ignomínia arquitetada por uma besta humana.
Circo Romano "- Vestiram-lhe um calção, ataram-lhe o pescoço com uma corda e depois de o fazerem andar num chão molhado com ácido, para queimar-lhe a planta dos pés e embaçarem a vista, resolveram 'passear' com Gregório pelas ruas adjacentes do quartel.
Chorei sem ver, mas apenas de saber o que estava passando aquele homem incrível e que eu admirava tanto e eu era jovem..
Hoje, me deparo com a carta de Paulo Fonteles Filho lembrando as histórias terríveis contadas por seus pais, Paulo Fonteles de Lima e Hecilda Meire Ferreira Veiga, que foram presos e torturados; "Minha mãe, general Mourão, me pariu com 37 quilos, foi cortada e costurada sem anestesia e não disse um ai. E isso ocorreu dentro das dependências do próprio Ministério do Exército, lugar onde dás expediente como servidor público federal", escreve; "O que o Brasil precisa general, com urgência, é a reconstrução da democracia, um judiciário independente, uma mídia imparcial, um parlamento sensível aos interesses da maioria na forma do respeito ao voto popular"; num evento em Brasília, o general Mourão sugeriu intervenção militar para resolver os problemas do Brasil, caso o Judiciário não punisse os corruptos
Caro general Antonio Mourão, desde sábado (16), é que se multiplicam vossa manifestação nas redes sociais, blogues, sites, portais e afins por conta de tua última palestra, em Brasília, em evento ligado à maçonaria quando, em ameaça velada, falaste abertamente de intervenção militar, como se contasses com o amparo ou chancela de seus companheiros de armas, ou seja, o próprio generalato tupiniquim.
Na caserna, o tiro saiu pela culatra.
Ao invés de um palavrório decente, apaziguador em momentos de crise democrática – sim, porque a democracia e os direitos do povo foram usurpados por Temer e sua quadrilha – assistimos, atônitos, a antiga cantilena de um militar estreludo, talvez um delfim tardio dos tiranos que ensejaram um golpe militar em 64 e que levaram as forças armadas brasileiras a cometer crimes insidiosos, de lesa-pátria, com torturas, assassinatos, exílios, perseguições, censura e desaparecimentos forçados.
Entre militares decentes deves estar passando vergonha, muita vergonha, general.
Sim, porque quero crer que há militares decentes, gente preocupada com o futuro do país e não somente em fazer verborragia bolsonazi e o discurso do medo, próprio dos fascistas de plantão, ávidos por quarteladas, linchamentos e carne humana violada.
Confesso general, desde ontem estou me remoendo.
O sentimento que nos alcança é de assombro.
Meus amigos, família, pessoas que amo estão intimidadas, sequestradas pelo pavor que tal irresponsabilidade enseja.
Os dias estão muito estranhos e o medo é uma potente arma ideológica, assim foi no Reich de Hitler ou no “Brasil Grande” do Garrastazu.
Sabe general, sou de uma geração de perseguidos políticos.
Meus pais eram estudantes da Universidade de Brasília (UNB), amantes das liberdades, do Chico Buarque e dos Beatles e sem cometer qualquer tipo de crime — a não ser o de opinião — foram presos em outubro de 1971 e submetidos a terríveis torturas, além de condenações pela famigerada Lei de Segurança Nacional (LSN), dispositivo que transformou o Brasil num purgatório de lobos bem felpudos.
Eu nasci na prisão e tive um irmão gerado no cárcere: o serpentário dizia que “Filho dessa raça não deve nascer” e isso ocorreu dentro das dependências do próprio Ministério do Exército, lugar onde dás expediente como servidor público federal.
Deves saber que no subsolo do teu ganha-pão foi um patíbulo para a infâmia.
Minha mãe, general Mourão, me pariu com 37 quilos, foi cortada e costurada sem anestesia e não disse um ai.
Depois de nascido — entre as feras do PIC — fui sequestrado porque não haviam algemas para os meus pulsos de recém-nascido.
Imagina que um bebê de poucos dias era considerado inimigo do status quo, aliás, muitas crianças assim foram tratadas pelo regime do terror.
Talvez a Hecilda, minha mãe, atual professora da UFPa, tenha sido a única mulher a ter tido dois filhos na prisão, sob peia.
Meu pai foi morto em 1987 e seu assassinato foi organizado por um ex-agente da comunidade de informações, James Vita Lopes.
Paulo Fonteles, pai amoroso de cinco filhos, era advogado e defendia posseiros no Araguaia.
O que o Brasil precisa general, com urgência, é a reconstrução da democracia, um judiciário independente, uma mídia imparcial, um parlamento sensível aos interesses da maioria na forma do respeito ao voto popular, de mais direitos, de Estado Democrático e respeito à soberania nacional, além de uma forte cruzada contra a ignorância, a corrupção, o racismo, a misoginia e a homofobia.
O fascismo levará o país à convulsão, além das vidas de uma geração que tem a responsabilidade com a felicidade coletiva.
É muito doloroso falar sobre isso general Antonio Mourão e lembrar que muitos foram mortos pela histeria malsã que repetes, como um ventríloquo de satanás.
Mas minha tarefa também é a lembrança de que os tumbeiros que mancharam nosso solo de vergonhas, como na escravidão ou na ditadura militar de 64, jamais poderão ficar impunes.
Tenho pena de ti general, estás num quarto escuro e sem janelas, vitima da própria bílis que lanças no ar.
Obrigada, se chegaram até aqui com a leitura. Esta carta do Paulo Fonteles vai ficar neste arquivo, nesta nota política, para que ninguém esqueça que DITADURA NUNCA MAIS. .Não queremos mais passar por isso que estes golpistas que estão no poder estão querendo para nosso vida para nosso país."
Maristela Farias - Jornalista DRT 1778/PE

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